A força da amizade: o laço que uniu duas mulheres na luta e na vitória contra o câncer de mama
Outubro Rosa
Décimo mês do ano é voltado a prevenção do câncer que atinge em sua maioria as mulheres

O Outubro Rosa é o mês que se intensifica a campanha de conscientização contra o câncer de mama e de colo uterino. Esse período tem como principal objetivo alertar a população sobre a importância de descobrir a doença precocemente, aumentando a chance de cura.
Para a moradora de Siderópolis e curada de um câncer de mama, Bruna Scarabelot Paquelin, a campanha durante o mês é essencial para a conscientização. “Acho a campanha muito linda, porque várias mulheres estão passando por isso e não tem apoio das famílias. São sozinhas. Essa campanha é maravilhosa para nós mulheres acordarmos, nos cuidarmos, porque se descobrir no começo, dá certo”, expressou.
Bruna teve o diagnóstico da doença em dezembro de 2024, e iniciou o tratamento no início deste ano. “Descobri por meio de uma consulta com a minha ginecologista de rotina. Eu não senti nada de diferente e fui em uma consulta normal, porque o meu Dispositivo Intrauterino (DIU) venceu e queria trocar. Chegando lá, ela solicitou meus exames de rotina, que era o preventivo, e um ultrassom de mama. Nesse ultrassom apareceu uma manchinha branca”, explicou.

Em seguida, a médica perguntou se ela tinha algum caso na família e ela disse que sim, começando o processo de exames para identificar a doença. “Saindo dali, a médica encaminhou o link para uma amiga dela, que é mastologista. E foi onde a gente marcou uma consulta e fui informada que teria que fazer uma biópsia. Porque realmente tinha cara de câncer. Mas ela já tinha pegado vários casos que haviam dado negativo. Fizemos a biópsia e veio positivo”, destacou.
Ao descobrir, a primeira reação de Bruna, foi o desespero. “Câncer na minha família é morte. Todos os irmãos da minha avó materna faleceram de câncer. Minha mãe faleceu de câncer. Então você só imagina perder uma mãe de câncer e você descobrir que tem um câncer. Tenho uma filha de cinco anos, então no primeiro momento eu me desesperei”, compartilhou.
“Tudo na vida tem um propósito e creio que o meu câncer veio para mudar a história da minha família. A partir do momento que descobri, botei na minha cabeça que eu já estava curada. Que meu câncer não era para morte”, detalhou.
Durante o processo de tratamento, Bruna citou que a família, os profissionais e a fé foram seus alicerces. “Tive profissionais maravilhosos, que me acolheram muito bem. Tem dias que a gente não fica bem e graças a Deus, tenho um marido que sempre esteve ao meu lado, me ajudando”, ressaltou.
“Tinha uma fé que moveu montanhas. Não quis parar de trabalhar. Trabalho com atendimento ao público e muita gente vinha e falava: ‘como tu consegue ficar aqui rindo, brincando, com sorriso’? Mas eu quis ficar forte. Então, a gente tem que ter fé e acreditar no nosso milagre por que acho que isso aí é 80%”, completou.

A última quimioterapia
Como forma de homenagem ao seu último dia de quimioterapia, o dia em que Bruna bateu o sino, amigas e a equipe de trabalho prepararam uma surpresa para ela.
“Esse dia bati o sino, andamos em um buzinaço com meu carro. Ele estava todo com frases motivacionais e cheio de homenagem. Foi uma surpresa. Cheguei em casa cansada e estava entrando para o banho. Imaginei que eu iria dormir, quando ouvi elas chegando. Encheu meu coração de alegria, foi maravilhoso. A sua equipe de trabalho, que você convive todo dia, te apoiando, feliz com a tua vitória, não tem preço”, exclamou.
Laços construídos por meio do apoio
Em agosto deste ano, os criciumenses presenciaram uma cena parecida na avenida Centenário. No fim da tarde do dia 12 daquele mês, Juliana Biz Alfredo De Bona, realizou a mesma celebração com um buzinaço, em homenagem ao último dia de sua quimioterapia. E a inspiração surgiu justamente por meio de sua amizade com Bruna.

De acordo com Juliana, as duas sempre estiveram presentes na vida uma da outra. “Conheço a Bru desde sempre, pois moramos em Siderópolis, porém não éramos muito próximas. Mas sempre admirei muito ela”, afirmou.
Algo que elas compartilham, além do diagnóstico, é a fé. “Quando a gente se via, a gente ria e brincava, sempre nos demos muito bem. E conversando, atualmente, a gente fala que já era Deus preparando isso, que passaríamos por esse processo juntas, que uma apoiaria a outra”, compartilhou.

Juliana teve o diagnóstico de câncer de mama em março deste ano, e logo lembrou de Bruna. “Recebi o diagnóstico do câncer e lembrei da Bruna. Fui à minha oncologista, e ela falou que tinha uma paciente muito amada de Siderópolis. Quando ela falou isso, já imaginei que deveria ser a Bruna”, recordou.
Ela ainda não havia contado a ninguém sobre a doença e entrou em contato com Bruna. “No começo ela ficou bem chocada, porque a gente, querendo ou não, é da mesma cidade. E quando cheguei no meu primeiro dia de quimioterapia, ela estava do meu lado, e por algumas sessões fizemos as quimioterapias juntas, era sempre uma do lado da outra”, contou.
Para Juliana, apesar da fase difícil, a amizade fortaleceu ambas durante o caminho. “Ela fez o meu processo se tornar muito mais leve, uma estar apoiando a outra. A gente brincava, chorava e ria. Era muito mais divertido, ficou mais leve tendo a Bruna comigo”, destacou.

“Nossa amizade foi verdadeiramente se fortalecendo, se concretizando. O que antes era só uma admiração de longe, hoje se tornou uma grande amizade. Costumo dizer que ela é um dos presentes que Deus me deu. E esse propósito do câncer também, de levar boas notícias, boas vibrações e mensagens de esperança para as outras mulheres”, exclamou.
O que é o câncer de mama?
Conforme a médica oncologista da Unimed, Juliana Lorenzoni Althoff, o câncer de mama tem maior incidência em mulheres, mas também pode acontecer nos homens. “O câncer de mama é uma doença maligna que costuma acontecer quase que exclusivamente nas mulheres. Mas pode ocorrer também nos homens, 1% dos tumores de mama ocorrem nos homens. Os fatores de risco mais prevalentes hoje são a idade e as condições de vida. Então sedentarismo, obesidade, falta de atividade física, a alimentação, que são as causas externas. E a história familiar”, explicou.
A doutora destacou que no início da doença não é fácil identificar sinais da presença do câncer. “Se a gente for esperar os sinais e sintomas, quem sabe o diagnóstico chegue um pouco tarde. Então o ideal é não esperar os sinais e sintomas. Mas os mais prevalentes são o caroço, na mama, palpável, que não desaparece. Vermelhidão, saídas de secreção, linfonodos e ínguas embaixo do braço”, ressaltou.
A oncologista apontou três formas de exames que podem descobrir a doença. “Temos três formas de fazer o acompanhamento da mama. Uma delas é o autoexame, que é a mulher se examinando. Ele deve ser feito uma vez por mês, de preferência depois da menstruação. Ele não é o melhor método de acompanhar a mama, mas deve ser feito. O exame clínico da mama é feito pelo médico, que pode ser o clínico geral, pode ser o ginecologista, ou mastologista, esse é feito no consultório. E o mais importante, a mamografia, que é o método de imagem. Esse método também é feito de rotina, praticamente uma vez por ano. Ele é que tem mais chance de pegar. Mas é uma associação dos três métodos”, afirmou.

O exame de imagem deve ser feito a partir dos 40 anos. “Idealmente, claro que existem alguns grupos de exceção que são aqueles grupos, com mutações genéticas com prevalência em câncer de mama. Mas na população geral, a partir dos 40 anos. E vai dos 40 até em torno de 74 anos. A partir dos 74 anos, vai depender da saúde da mulher. Se a mulher tiver uma saúde boa, onde a expectativa de vida dela é longa, ela vai seguir fazendo mesmo após 74 anos”, contou.
A especialista esclareceu que recentemente a saúde brasileira teve um avanço considerável, um dos mais importantes dos últimos 5 a 7 anos. “O primeiro é que ele ampliou a cobertura da mamografia, permitindo a mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 40 e 50, que antes não existia. Isso é muito importante, porque 20% dos tumores de mama hoje no Brasil são entre mulheres de 40 a 50. E nos tratamentos, incorporou medicamentos já liberados no Brasil, que a gente tinha à disposição para paciente particular e convênio. E não tinha na paciente SUS”, relatou.
“São alguns medicamentos para bloquear o câncer de mama. E também para tratar com quimioterapia estágios mais precoces de alguns subtipos de câncer de mama. Onde no SUS, a gente só podia tratar com quimioterapia estágios mais avançados”, esclareceu.

Segundo a médica, é muito importante para o tratamento, equilibrar o psicológico e a nutrição da paciente. “O apoio psicológico vai estruturar todo envolta. Muitas vezes a mulher até se estrutura melhor que a família, é uma coisa que vejo na prática. E a nutrição também, por existir uma relação direta entre câncer de mama, sedentarismo e obesidade”, destacou.
Para a profissional, o Outubro Rosa é importante, porém é um assunto que deve ser tratado o ano todo e também abordados outros tipos de cânceres. “É um mês que se intensifica as campanhas em relação ao câncer de mama e ao câncer de colo uterino. Mas não é só este mês. E, a meu ver, a gente não deve frisar só esses dois tipos. Temos tido nos últimos anos um aumento crescente da incidência de câncer de pulmão e câncer de intestino no Brasil. Então deveríamos ampliar para todos os tumores relacionadas à mulher”, explicou.
“Hoje em dia a evolução da medicina é contínua. Sempre há um surgimento de um tratamento novo. E a expectativa de vida e cura aumentou nos últimos anos. Mas a gente vai conseguir fazer isso de forma mais adequada quanto mais precoce tiver o diagnóstico. Então quanto mais as mulheres fizerem a mamografia e o exame médico, mais precoce a gente vai fazer os diagnósticos e mais curto vai ser o tratamento”, completou.



