Empatizeme

A maior das liberdades: contemplar a impermanência e render-se à vida como ela é

Saber o que dizer é o mínimo, saber como dizer é ter consciência do seu lugar e do outro.

Por Roberta Mânica26 de maio de 2023 3 min de leitura
Shutter Stock

Existe uma distância entre como compreendemos teoricamente a comunicação e como a aplicamos na prática cotidiana. A comunicação assertiva é um treino constante que exige consciência para evitar o impulso de responder ou agir sem refletir.

O sentido da vida é estar vivo. Estarmos plenamente atentos dá sentido à existência. É o estado de presença que além de evitar arrependimentos sobre o que foi dito, permite aperfeiçoar as habilidades da comunicação, promove a aproximação e conexão com as pessoas e amplia a nossa capacidade de manifestar opinião, concordar, discordar; fazer, aceitar e recusar pedidos; constituir relacionamento afetivo; reconhecer e expressar os sentimentos.

Saber o que dizer é o mínimo, saber como dizer é ter consciência do seu lugar e do outro. O que a gente diz é nosso, mas como a gente diz é do outro, porque a interpretação da mensagem é subjetiva.

Joseph Campbell é um encorajador dos diálogos internos. A partir de estruturas que situam a comunicação como um processo de trocas, sem atalhos, o autor conclama a aceitação do movimento constante, com erros e acertos, ao contrário da estagnação ou paralisia que as expectativas podem moldar.

“Qualquer que seja seu destino, o que quer que aconteça, diga: “Isso é o que eu preciso”. Pode parecer devastador, mas olhe para aquilo como uma oportunidade, um desafio. Se você trouxer amor para aquele momento perceberá que existe força naquilo.”

Segundo a sabedoria oriental, para alcançar a maior das liberdades, é preciso contemplar a potência que vem da aceitação incondicional; render-se à vida como ela é. Aqui, observamos a filosofia do Amor Fati, de Nietzsche. Escolha responsável e que exige desapego diante da impermanência.

A tendência quando vivenciamos um conflito é expandir o sentimento de irritação e raiva pela dificuldade de acessar a percepção real do acontecimento. No entanto, aprender a lidar com a frustração é um dos passos mais importantes da nossa condição humana. Perceber os desafios como um estágio de aperfeiçoamento pessoal é uma oportunidade de amadurecer e assumir a postura de adultos diante da vida.

O objetivo de expor a nossa visão de mundo não deve ser o convencimento sobre a verdade que nos move. Mas sim, abrir possibilidades para o despertar individual de um interesse genuíno para ingressar no caminho proposto. Tudo isso, pautados no respeito e na troca transparente sobre a autenticidade da nossa argumentação.

“Todos os deuses, todos os paraísos, todos os infernos estão dentro de você.“ (Joseph Campbell)

Compartilhar:

Notícias relacionadas