A palavra ensina, mas o exemplo arrasta
Nossas atitudes servem de referência para aqueles que nos cercam?

A melhor e mais legítima forma de ensinar é pelo exemplo. Assim como José Saramago, acredito que o convencimento pode ser interpretado como falta de respeito ao repertório do outro ou mesmo, uma tentativa de colonização. Estamos em meio a uma crise de valores. Um limiar civilizatório de intensa evolução tecnológica e ruptura com a perspectiva humana.
No livro “Sapiens: uma breve história da humanidade”, o historiador israelense Yuval Noah Harari transcorre o caminho do Homo Sapiens desde seu nascimento até a hipótese de seu possível desaparecimento em função das mudanças causadas pela revolução científica.
Como professora, mãe e cidadã, compartilho frequentemente uma das questões que considero mais importantes desta obra provocadora: qual a nossa real contribuição para o futuro da humanidade? Como estarão as nossas relações ali adiante? Uma inquietude acerca da manutenção da sensibilidade humana e a perceptível necessidade da retomada da consciência sobre quais são os comportamentos essenciais para o bem-estar social.
A ética da convivência é uma preocupação crescente nestes dias cada vez mais globalizados, líquidos e acelerados. Precisamos compreender e respeitar os pontos de vista, as culturas, crenças de todos com quem convivemos.
Nossas atitudes servem de referência para aqueles que nos cercam?
É possível ser diferente, pensar diferente e habitar os mesmos territórios. A construção se dá a partir da educação, da disseminação dos princípios de alteridade que começamos a aprender desde os primeiros dias de socialização, seja em família ou em sala de aula.
Por isso, temos que observar como a busca incessante e idealizada pela felicidade e bem-estar pode acabar nos levando a um constante estado de insatisfação e distração. Mesmo com todo o avanço de recursos e conhecimentos, ainda nos falta a compreensão sobre nosso próprio desejo e propósito como espécie.
Todos somos responsáveis pelo amanhã. Estamos conectados e as nossas pequenas ações não estão isoladas, elas têm impacto no coletivo.
A Cultura da Paz é uma abordagem que busca transformar a forma como as pessoas se relacionam entre si e com o mundo, promovendo o respeito, a partilha harmônica de ideias, a justiça social e a preservação do meio ambiente. E a Comunicação Não Violenta (CNV) é uma ferramenta importante nesse processo, pois auxilia na construção de relações mais empáticas, autênticas e respeitosas.
A CNV propõe que as pessoas expressem suas necessidades sem julgamentos ou críticas, e que escutem as necessidades alheias com empatia e abertura. Deste modo, caminhamos juntos para a resolução pacífica de conflitos, para a redução da violência e para a criação de ambientes coletivos saudáveis e mais tolerantes às diferenças.
“Toda a gentileza é uma declaração de amor. Gentil é aquele que passa pela vida do outro, toca-o com leveza onde ninguém mais pode ver." Mia Couto



