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Afasc dá explicações sobre hematomas em bebês e diz que posição final só ocorrerá após sindicância

Criciúma

Diretor executivo da instituição falou sobre os casos durante comissão na Câmara

Por Thiago Hockmüller23 de abril de 2024 6 min de leitura
Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

A Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) prestou esclarecimentos sobre supostos casos de negligência denunciados por pais de bebês que frequentam o Centro de Educação Infantil (CEI) Lino Pizzetti, no bairro Próspera, e o CEI Pingo de Gente na Vila Manaus. Em reunião Extraordinária da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, realizada na tarde desta terça-feira, dia 23, o diretor executivo da Afasc, Adriano Boaroli, respondeu a questionamentos de vereadores e disse que os casos seguem em apuração para melhor esclarecimento.

“A Afasc cuida das crianças e está nas regiões vulneráveis dando carinho e atenção para as crianças. Ficamos tristes com os fatos que ocorreram, nossa meta é entregar a criança na condição que chegou ou melhor. Essa é a nossa preocupação e bandeira. Lamentamos pelos fatos ocorridos, não fugimos da nossa responsabilidade e estamos aqui para falar dos fatos ocorridos”, disse Boaroli em seu pronunciamento.

O primeiro caso denunciado é referente ao bebê Augusto Faraco Severo, 1 ano e 2 meses, aluno do CEI Lino Pizzetti. Os pais foram chamados na instituição e informados que Augusto tinha sido mordido por outro colega. Boaroli explica que o caso aconteceu em um espaço de 35 segundos enquanto a professora atendia um pai com um aluno.

“A professora recebe às 12h53 um pai com uma criança. Enquanto ela recebe uma criança, a outra chora e ela entra para fazer o atendimento. São 35 segundos. Houve a mordida e a secretária, como é de costume, foi logo chamada pela professora. Elas levaram a criança na secretaria, fizeram o atendimento, a chamada no Departamento de Educação Infantil e o registro fotográfico”, explicou Boaroli.

Após o primeiro procedimento, a mãe do bebê, Marina Silva Faraco, foi chamada no Centro de Educação e posteriormente foram realizadas atas com professores, secretária e direção. “Até para não perder nada com o passar dos dias. Isso é protocolo. Ficamos felizes porque a mãe foi na polícia fazer um registro. Temos que realmente investigar se foi mordida de criança ou não, estamos aguardando o retorno do corpo de delito para finalizar a sindicância”, explicou.

O diretor ainda afirmou que sem a conclusão da sindicância não é possível afirmar quem foi o culpado e o porquê do fato ter acontecido.

Acidente externo

O segundo caso aconteceu no CEI Pingo de Gente, na Vila Manaus, onde uma criança sofreu queimaduras de grau 1 e 2 no pé. Em nota, a Afasc disse que o fato aconteceu durante o banho do bebê, o que foi melhor explicado pelo diretor executivo. “Em 90% da minha vida em que estou na Afasc eu nunca vi algo neste sentido e foi muito difícil entender o que aconteceu”, disse.

De acordo com a explicação, a criança teve diarreia e foi levada para o trocador. A professora conferiu que a temperatura da água estava fria. Então foi na sala seguinte e fez o mesmo procedimento. “Chamamos um eletricista com equipamento para medir a temperatura da água, toda parte de entrada e saída de energia e nada foi identificado. Estava sendo roçada a grama atrás da sala. A roçadeira quebrou o cano, que tem duas entradas: com a pressão da rua e a da caixa. Quebrou a da rua. A água perdeu a pressão, a criança estava com o pé próximo da mangueira e a água esquentou. De fato a água sai a 50°C. Isso foi encaminhado para a sindicância. Somos responsáveis pelas crianças e temos que dar o subsídio para essas crianças”, ponderou.

Foi um acidente externo que interferiu naquele momento e teve a infelicidade da criança estar com o pé dentro da água naquele momento. Nos dói bastante ter que vir falar disso, mas estamos aqui para conversar. Esta professora que está nessa escola, está há 22 anos e não deve ter 10 atestados, é mãe e está desesperada com tudo que aconteceu. Se o problema não foi ela, foi uma falha mecânica, temos que entender isso.

diretor executivo da Afasc, Adriano Boaroli
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Entenda o caso

No último domingo, dia 21, pais de bebês que frequentam o CEI Lino Pizzetti, no bairro Próspera, denunciaram casos de negligência envolvendo seus filhos. João Victor Severo Santos e Marina Silva Faraco são os pais de Augusto Faraco Severo, 1 ano e 2 meses. Eles foram chamados na instituição e informados que Augusto tinha sido mordido por outro colega.

A criança foi levada para avaliação pediátrica e está se recuperando dos machucados. Os pais registraram boletim de ocorrência e levaram Augusto para realizar o exame de corpo de delito. “Estamos aguardando os resultados para ir adiante nesta questão”, disseram os pais em entrevista exclusiva ao Portal Engeplus.

No mesmo CEI, outro bebê de 1 ano e 2 meses foi mordido no pescoço e sofreu arranhões perto do olho. A família denunciou o caso para a reportagem, mas preferiu não se identificar. “Foi com ele e mais outra criança no mesmo dia”, revelou a mãe.

Em nota, a Afasc disse que uma sindicância interna foi aberta para apurar os casos. E revelou ainda que uma outra criança teve contato com água quente durante o banho na creche do bairro Vila Manaus. “Ressaltamos que estamos investigando rigorosamente ambos os eventos, em colaboração com autoridades e equipe de gestão, visando garantir a transparência e a segurança de todos os envolvidos”, diz a nota oficial encaminhada pela Afasc.

Segundo informado pelo diretor executivo, a rede da Afasc soma 40 creches e atende cerca de 6 mil crianças. A rede possui 958 professores, 205 estagiários, 240 profissionais na equipe de apoio, 40 diretoras e 40 secretárias. Durante a reunião, também foi informado que há ouvidoria no site da instituição, onde é possível registrar reclamações. Também há câmeras nos corredores, no entorno das salas e nos acessos, porém não existe monitoramento dentro das salas de aula. Todo o registro e histórico de acidentes estão arquivados e documentados em pastas e foram colocados à disposição da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores.

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