Contexto Internacional

Ajuda humanitária começa a entrar em Gaza

Há mais de 3 mil toneladas de comida, água e medicamentos para entrar no enclave

Por André Abreu21 de outubro de 2023 3 min de leitura
Nações Unidas

Há mais de três mil toneladas de comida, água, medicamentos e diversos equipamentos prontos para entrar no enclave palestiniano. 20 caminhões puderam entrar na Faixa de Gaza, mas não está livre ainda a passagem de pessoas.

Abriu neste sábado de manhã (21) a fronteira de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, para deixar passar os primeiros caminhões de ajuda humanitária para a região, governada pelo Hamas.

Enquanto a ajuda não chega, as populações desesperam com a destruição das bombas israelitas.

Do bairro da Flor - Al Zahra -, no sul de Gaza, restam apenas escombros. Os moradores vieram avaliar os danos na sexta-feira (20), depois dos ataques israelitas da véspera.

Dos prédios e torres só restam as memórias. As pessoas procuravam os seus pertences nos escombros.

Mahmoud Ibrahim exclamava, indignado: “Isto é algo que não pode ser descrito, nem para os humanos nem para os direitos humanos. Dizem que aqui há terroristas, para lançarem mísseis; mas é mentira!".

Salwa Eid é uma mãe desesperada: "Acabei de ver minha casa que foi destruída, que foi saqueada, para ver o que sobrou dela. Não há nada, como se pode ver. Levei dois cobertores para cobrir meus filhos, o resto, são apenas cinzas".

Rami Ibrahim aponta os escombros, desolado: "Vejam os alvos que os israelitas estão a escolher. Ficaremos aqui nestes escombros ou debaixo dos escombros".

Para além dos residentes, o bairro de Al Zahara estava repleto de civis que fugiram do norte, sob instruções israelitas.

Segundo o último relatório do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários na Palestina, desde que teve início a resposta de Israel aos ataques do Hamas, mais de 1,4 milhões de pessoas foram deslocadas, mais de metade dos 2,2 milhões de residentes na Faixa de Gaza.

O documento refere que 544 mil das pessoas deslocadas estão em abrigos administrados pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina e mais de 100 mil estão em igrejas, hospitais e outros edifícios públicos da Cidade de Gaza.

A mesma fonte indica que já foram mortas 4.137 pessoas (352 a mais que ontem).

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 13 mil ficaram feridas até agora.

O secretário-geral da ONU esteve nesta sexta-feira (20) na fronteira de Rafah, tentando encontrar uma forma de levar a ajuda humanitária vital ao enclave e a passagem entre o Egito e a Faixa de Gaza abriu nesta manhã.

António Guterres chamou a atenção para o paradoxo de dezenas de caminhões repletos de ajuda parados, com milhares de pessoas em risco de sobrevivência do outro lado do muro.

*Com informações da Euronews.

Compartilhar:

Notícias relacionadas