Após leilão sem lances, herdeiros farão nova reunião para reavaliar valor de mansão na Praça do Congresso
Criciúma
Advogado afirma que imóvel poderá voltar a leilão após consenso entre herdeiros

O leilão judicial da casa que pertenceu ao ex-deputado Jarvis Gaidzinski, localizada na Praça do Congresso, em Criciúma, terminou sem interessados. O imóvel foi colocado à venda com lance mínimo de R$ 25 milhões, mas não recebeu propostas. A informação foi confirmada pelo advogado dos herdeiros, Humberto Feldmann.
Segundo Feldmann, o imóvel faz parte de um inventário iniciado em 2002 e que, após 24 anos de disputas, chegou recentemente a um consenso entre os oito herdeiros, permitindo que a venda fosse realizada por meio de leilão judicial. "É um imóvel emblemático, um caso icônico na cidade, de um inventário bastante turbulento, que chegou, depois de 24 anos, a um consenso entre os herdeiros. Colocamos o imóvel em leilão judicial porque é uma forma de vender com credibilidade, sem que haja receio de que dívidas possam acompanhar o imóvel", explicou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.
O imóvel possui 904,76 metros quadrados de área construída e está localizado entre as ruas Lauro Müller e Conselheiro Francisco Meller, em frente a Praça do Congresso. Ao todo, a área total é de 1,66 mil metros quadrados. O local pertencia a Jarvis Gaidzinski, que morreu em 2002.
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Apesar da expectativa, o advogado afirmou que o mercado sinalizou que o preço estipulado e as condições de pagamento afastaram investidores. "Nos dias que antecederam o encerramento do leilão houve cadastro de várias construtoras e incorporadoras no site do leiloeiro, o que nos encheu de esperança. Mas percebemos um movimento de esvaziamento porque muitos entenderam que o preço estava elevado, principalmente em razão do índice de correção previsto no parcelamento", afirmou.
Conforme Feldmann, empresários do setor aguardavam que algum concorrente apresentasse uma oferta antes de entrar na disputa, o que acabou não acontecendo. "Foi um movimento de mercado. A percepção era: 'Se alguém der lance, eu também dou'. Como ninguém apresentou proposta, o leilão terminou sem licitantes", comentou.
Nova avaliação
Após o resultado, o próximo passo será reunir novamente os oito herdeiros para discutir uma possível reavaliação do imóvel antes de um novo leilão. "Minha orientação é que façamos uma nova avaliação, entendamos o recado do mercado e coloquemos o imóvel novamente em leilão. Existe interesse, qualquer investimento naquele local terá retorno. Talvez o valor apenas não estivesse ajustado à realidade do mercado", destacou.
O advogado ressaltou, no entanto, que a decisão dependerá do consenso entre todos os herdeiros. “São oito herdeiros e oito pensamentos diferentes. Foi uma engenharia chegar ao acordo que permitiu este leilão e agora teremos um novo desafio para definir os próximos passos”, garantiu.
Venda judicial
Feldmann também esclareceu que o procedimento não segue o modelo tradicional dos leilões decorrentes de execuções judiciais. "Esse não é um leilão em que existe uma segunda praça com redução do valor. Trata-se de uma venda judicial coordenada pelo juízo do inventário. Portanto, não haverá uma segunda etapa automática com desconto", comentou.
Segundo ele, após o encerramento do leilão já começaram a surgir propostas de compra direta, que servirão como parâmetro para uma eventual nova precificação.
Potencial imobiliário
De acordo com o advogado, o terreno é considerado um dos mais valorizados de Criciúma por ocupar uma área estratégica na Praça do Congresso. "Além das áreas militares, este é o último grande imóvel da região que ainda não foi verticalizado. O terreno liga a Praça do Congresso à rua de trás, totalizando três lotes. Isso permite a construção de um edifício de altíssimo padrão", disse.
Conforme estudo apresentado durante o processo de venda, um empreendimento no local poderia alcançar um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em até R$ 149 milhões. "Por isso despertou o interesse de investidores de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Agora precisamos compreender o retorno dado pelo mercado para definir até onde é possível ajustar o valor e, enfim, encerrar um processo que se arrasta desde 2002", finalizou.



