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Após mais de seis meses, pai volta a cobrar justiça por filho morto em acidente na SC-446

Treviso

Motorista fugiu do local e foi liberado do presídio sem pagar fiança

Por João Gabriel da Rocha14 de abril de 2026 3 min de leitura
Divulgação

Eder Luiz Brol, pai do adolescente de 13 anos que morreu atropelado por um carro na SC-446, em Treviso, voltou a cobrar por justiça, mais de seis meses após o acidente. O motorista fugiu do local e foi liberado do Presídio Regional de Criciúma no dia seguinte, sem pagar fiança.

Brol demonstrou indignação com o andamento do caso. Segundo ele, a perícia do celular do filho ainda não foi concluída. “Se não estivéssemos acompanhando, o caso já poderia ter sido arquivado”, disse, em entrevista ao Portal Engeplus.

O pai falou sobre o andamento da perícia e questionou a demora para a análise do aparelho. “Ficamos até na dúvida sobre o que de fato é lei. A lei, no caso, é feita para beneficiar um ou outro. Na semana passada, fizemos uma solicitação e o celular vergonhosamente ainda não tinha sido periciado”, relatou.

Ele também destacou a revolta pelo motorista não ter sido punido após o atropelamento. “É um ser humano covarde. Fiquei sabendo que ele até saiu de Criciúma. Ele não é só mais um, ainda acredito que a justiça vai ser feita”, concluiu.

O que diz a Polícia Científica?

De acordo com o perito-superintendente regional da Polícia Científica, Jones Cambruzzi Pereira, o celular segue em análise pois casos de informática como esse demandam muita apuração até serem resolvidos. “Para devolvermos o aparelho aos familiares precisamos de um despacho judicial informando para quem devemos entregar o celular”, explicou.

Sobre o atropelamento

Eder Luiz Brol Filho morreu no dia 30 de setembro de 2025. O acidente ocorreu na SC-446, em Treviso. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), testemunhas relataram que o motorista usava o celular no momento em que invadiu o acostamento da rodovia estadual e atingiu o adolescente.

Após o atropelamento, ele abandonou o veículo e fugiu a pé para uma área de mata. O homem, de 25 anos, natural do Pará, foi localizado e preso duas horas depois, em uma região de mata.

No entanto, a Justiça autorizou a soltura dele um dia depois, mediante o pagamento de R$ 18,2 mil. O motorista conseguiu, por meio de um habeas corpus impetrado pela defesa, deixar o sistema prisional sem precisar pagar a fiança.

Pai relata momento do acidente

Brol relatou, anteriormente, que o filho realizava o mesmo trajeto há três anos. “Eu estava a 50 metros do ponto onde Eder desembarcou do ônibus. Ele veio na minha direção pelo acostamento e o carro foi se aproximando dele aos poucos. Quando percebi o perigo comecei a gesticular, meu filho não entendeu e continuou caminhando. Ele atropelou Eder e o arrastou por aproximadamente 40 metros”, detalhou.

Após a colisão, Brol encontrou o filho já sem vida. “Corri desesperado acreditando que ele estaria machucado. Quando me ajoelhei na frente dele, ele estava com a cabeça arrancada do pescoço. É uma cena que não quero ver nunca mais, eu não conseguia nem raciocinar. Vi muitos policiais com lágrimas nos olhos, pois foi algo muito forte”, destacou o pai.

O motorista saiu do veículo após a colisão, mas acabou fugindo do local. “O rapaz desceu do carro com o celular na mão e eu falei: ‘Você matou meu filho’. Nesse momento, o cara saiu correndo e fugiu pista afora”, finalizou.

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