Arquitetura sustentável ganha força diante das mudanças climáticas
Sustentabilidade
Conhecer a região da futura construção faz a diferença

Chuvas intensas, alagamentos frequentes e temperaturas acima da média têm mudado a forma como arquitetos e urbanistas pensam os projetos. Mais do que estética, a arquitetura sustentável vem sendo vista como uma estratégia para melhorar a qualidade de vida, reduzir impactos ambientais e tornar as construções mais eficientes e resilientes.
Para a arquiteta e urbanista Gabriela Santos, o planejamento adequado da construção começa antes mesmo da obra sair do papel. Segundo ela, é fundamental analisar as características do terreno para evitar problemas futuros.
“A essência da arquitetura envolve uma análise de condicionantes locais, ou seja, compreender sobre a localização escolhida para a construção, como a posição do sol e os ventos predominantes. A partir disso, muitas estratégias podem ser criadas para aproveitar os benefícios naturais e diminuir possíveis impactos negativos”, explicou a especialista.
Em áreas próximas a rios ou com risco de alagamentos, por exemplo, a escolha do ponto onde a casa será construída pode fazer toda a diferença. Ainda, a arquiteta destacou que entender o comportamento do terreno e das condições climáticas da região contribui na vida útil da residência e reduz custos futuros com a manutenção.
Além disso, uma boa estratégia arquitetônica também ajuda a diminuir o consumo de energia, conforme Gabriela. “A análise inicial pode reduzir a necessidade de iluminação artificial e ventilação mecânica, gerando economia e mais conforto para os moradores”, afirmou.
Entre o ambiental, o social e o econômico: a escolha dos materiais ideais
De acordo com a urbanista, devido a preocupação da população decorrente das mudanças climáticas, as casas também estão sendo planejadas de maneira diferente das construções antigas. Para a arquiteta, os avanços tecnológicos e o surgimento de novos materiais têm ampliado as possibilidades da arquitetura sustentável.
“A sustentabilidade na construção precisa equilibrar três pilares, sendo o ambiental, o social e o econômico. Para escolher o melhor método construtivo, é importante considerar o local da obra, entender quais materiais são produzidos na região, se existe mão de obra qualificada e também se o material possui bom desempenho técnico”, destacou a especialista.
A arquiteta ressaltou que, ao falar de sustentabilidade, não se discute apenas o material utilizado para a obra, mas também o impacto gerado no transporte e na execução da construção. “No meu modo de pensar a arquitetura sustentável, não adianta o material ser ótimo para conforto térmico e acústico, mas precisar atravessar o país pelas rodovias, consumindo combustível e gerando outros impactos ambientais”, pontuou.
Sustentabilidade: luxo ou necessidade?
Ao tratar de eficiência energética, reaproveitamento de água e materiais ecológicos, muitas pessoas ainda associam a arquitetura sustentável a projetos de alto padrão e custo, de acordo com a urbanista. Entretanto, ela reforçou que pequenas estratégias já podem trazer resultados significativos, sem exigir investimentos elevados.
“Colocar a janela certa no lugar certo pode proporcionar ventilação adequada e iluminar um ambiente de forma confortável. O equilíbrio é a solução”, explicou Gabriela.
A orientação da especialista é procurar por materiais de qualidade, garantindo uma vida útil mais longa e trazendo resultados positivos para o desempenho térmico, acústico e lumínico da construção. “Sustentabilidade na arquitetura é muito mais do que placas solares e telhados verdes. É ciência aplicada ao bem-estar do corpo humano”, enfatizou.



