Assoreamento: canal da Barra do Camacho tem trechos com menos de um metro de profundidade
Alerta de El Niño
Comissão aponta motivos para novo acúmulo de areia e tenta soluções

A previsão de chuvas volumosas para o segundo semestre do ano por conta do El Niño fez ampliar o debate por soluções para contenções de cheias na área da Associação dos Municípios na Região de Laguna (Amurel). Desde 2012, uma comissão estuda medidas a serem tomadas para evitar alagamentos e inundações na região, mas uma delas é considerada urgente: uma ação para o desassoreamento definitivo da Barra do Camacho, em Jaguaruna.
O canal é o ponto de deságue de rios e lagoas de, pelo menos, cinco municípios. Em 2022, uma redragagem foi realizada no local, mas, sem licença ambiental, não houve manutenção e a areia voltou a acumular na saída da lagoa para o mar.
“Para dar uma boa vazão d'água, o canal deve ter três metros de profundidade e 30 metros de largura. Atualmente está muito assoreado, sendo que em alguns trechos não chega a meio metro de profundidade. Além do assoreamento do canal, tem que ser retirado um enorme banco de areia, uma coroa, que se formou na foz da lagoa”, alertou o Claudemir Souza dos Santos, coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Projetos para a Contenção de Cheias na Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar.
Para que ocorra a redragagem, o primeiro passo é a emissão da licença ambiental junto ao Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). “A licença ambiental para a retirada feita em 2022 venceu. E é de responsabilidade de quem tem interesse em redragar. Neste momento está sendo solicitada pela Prefeitura de Jaguaruna, mas o governo do estado também pode solicitar”, acrescentou Santos.

Após a reabertura do canal em 2022, uma draga de sucção e recalque foi cedida pela Companhia Integrada Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) para a manutenção do canal. O equipamento foi reformado pela Prefeitura de Jaguaruna, mas não chegou a ser utilizado por conta da falta de licenciamento ambiental.
“É outro descaso. Foram gastos R$ 230 mil e o equipamento ficou mais de um ano à beira do canal aguardando a licença. Apodreceu e em 17 de dezembro de 2025 foi devolvida para a Cidasc em Tubarão. Agora dizem que irá a leilão como sucata”, destacou Santos.
Ações que contribuíram para o novo assoreamento:
Não acompanhamento técnico das obras realizadas;
Falta de licença ambiental do IMA para redragar o canal;
Mais de três anos sem dragagem de manutenção.
Impactos na pesca artesanal
São mais de mil famílias de pescadores que dependem da Barra do Camacho aberta. Calcula-se que na região sejam pescadas 2 mil toneladas de peixe e 400 toneladas de camarão. O canal é o caminho para o repovoamento da espécies nas lagoas, mantendo a atividade e o retorno econômico aos pescadores.
Além da reabertura do canal, há a necessidade, aponta a comissão, de ampliar os molhes no encontro da barra com o mar, evitando, assim, o retorno da areia.
“É a obra mais reivindicada pelos pescadores e muito importante. Tem um requerimento da Câmara de Vereadores de Tubarão para a Amurel elaborar o projeto dessa ampliação. Também devemos recorrer ao Estado a sua elaboração”, acrescentou o coordenador.
Estima-se que é preciso retirar mais de 250 mil metros cúbicos de areia da Barra do Camacho para concluir a redragagem. “Sem projetos e uma batimetria atualizada fica difícil definir a quantidade exata. Os levantamentos cabem a prefeitura e ao governo e é muita morosidade. Tendo a licença liberada e a batimetria os técnicos decidem a forma de atuação. Pensando no El Niño tudo está muito atrasado”, concluiu.
Benefícios do desassoreamento elencados pela comissão
Incentivo ao Turismo.
Redução dos riscos de cheias na Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, protegendo os municípios de Jaguaruna, Laguna, Treze de Maio, Sangão e Tubarão.
Drenagem de mais de 500 quilômetros quadrados na sub-bacia do rio Congonhas, a qual dependem do bom funcionamento do Canal da Barra do Camacho.
As Lagoas do Camacho e Garopaba do Sul são receptoras e armazenadoras das águas dos rio Congonhas e todos os seus afluentes (Ilhota, Corrêa, Mesquita, Lajeado, Cubículo, Sangão e Riachinho)
Canal é o principal canal extravasor da sub-bacia do rio Congonhas para o Oceano Atlântico, evitando cheias e prejuízos na área urbana e rural dos municípios.
Os estudos apresentado pela comissão também indicam outras ações a serem realizadas na Amurel. São elas: Conclusão dos projetos para viabilizar a redragagem do rio Tubarão, derrocagem das pedras na ponta dos molhes de Laguna, elevação das cotas das margens do rio Tubarão, retificação e desassoreamento do rio Capivari, contratação de empresa especializada para estudos mais detalhados, como canais extravasores e desassoreamento do Complexo Lagunar e revitalização do rio da Madre.



