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Assoreamento: canal da Barra do Camacho tem trechos com menos de um metro de profundidade

Alerta de El Niño

Comissão aponta motivos para novo acúmulo de areia e tenta soluções

Por Lucas Renan Domingos30 de junho de 2026 4 min de leitura
Julio Cavalheiro/Governo de Santa Catarina/Arquivo

A previsão de chuvas volumosas para o segundo semestre do ano por conta do El Niño fez ampliar o debate por soluções para contenções de cheias na área da Associação dos Municípios na Região de Laguna (Amurel). Desde 2012, uma comissão estuda medidas a serem tomadas para evitar alagamentos e inundações na região, mas uma delas é considerada urgente: uma ação para o desassoreamento definitivo da Barra do Camacho, em Jaguaruna.

O canal é o ponto de deságue de rios e lagoas de, pelo menos, cinco municípios. Em 2022, uma redragagem foi realizada no local, mas, sem licença ambiental, não houve manutenção e a areia voltou a acumular na saída da lagoa para o mar.

“Para dar uma boa vazão d'água, o canal deve ter três metros de profundidade e 30 metros de largura. Atualmente está muito assoreado, sendo que em alguns trechos não chega a meio metro de profundidade. Além do assoreamento do canal, tem que ser retirado um enorme banco de areia, uma coroa, que se formou na foz da lagoa”, alertou o Claudemir Souza dos Santos, coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Projetos para a Contenção de Cheias na Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar.

Para que ocorra a redragagem, o primeiro passo é a emissão da licença ambiental junto ao Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). “A licença ambiental para a retirada feita em 2022 venceu. E é de responsabilidade de quem tem interesse em redragar. Neste momento está sendo solicitada pela Prefeitura de Jaguaruna, mas o governo do estado também pode solicitar”, acrescentou Santos.

Imagem mostra enrocamento e canal após desassoreamento feito em 2022. (Foto: Julio Cavalheiro/Governo de Santa Catarina/Arquivo)

Após a reabertura do canal em 2022, uma draga de sucção e recalque foi cedida pela Companhia Integrada Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) para a manutenção do canal. O equipamento foi reformado pela Prefeitura de Jaguaruna, mas não chegou a ser utilizado por conta da falta de licenciamento ambiental.

“É outro descaso. Foram gastos R$ 230 mil e o equipamento ficou mais de um ano à beira do canal aguardando a licença. Apodreceu e em 17 de dezembro de 2025 foi devolvida para a Cidasc em Tubarão. Agora dizem que irá a leilão como sucata”, destacou Santos.

Ações que contribuíram para o novo assoreamento:

  • Não acompanhamento técnico das obras realizadas;

  • Falta de licença ambiental do IMA para redragar o canal;

  • Mais de três anos sem dragagem de manutenção.

Impactos na pesca artesanal

São mais de mil famílias de pescadores que dependem da Barra do Camacho aberta. Calcula-se que na região sejam pescadas 2 mil toneladas de peixe e 400 toneladas de camarão. O canal é o caminho para o repovoamento da espécies nas lagoas, mantendo a atividade e o retorno econômico aos pescadores.

Além da reabertura do canal, há a necessidade, aponta a comissão, de ampliar os molhes no encontro da barra com o mar, evitando, assim, o retorno da areia.

“É a obra mais reivindicada pelos pescadores e muito importante. Tem um requerimento da Câmara de Vereadores de Tubarão para a Amurel elaborar o projeto dessa ampliação. Também devemos recorrer ao Estado a sua elaboração”, acrescentou o coordenador.

Estima-se que é preciso retirar mais de 250 mil metros cúbicos de areia da Barra do Camacho para concluir a redragagem. “Sem projetos e uma batimetria atualizada fica difícil definir a quantidade exata. Os levantamentos cabem a prefeitura e ao governo e é muita morosidade. Tendo a licença liberada e a batimetria os técnicos decidem a forma de atuação. Pensando no El Niño tudo está muito atrasado”, concluiu.

Benefícios do desassoreamento elencados pela comissão

  • Incentivo ao Turismo.

  • Redução dos riscos de cheias na Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, protegendo os municípios de Jaguaruna, Laguna, Treze de Maio, Sangão e Tubarão.

  • Drenagem de mais de 500 quilômetros quadrados na sub-bacia do rio Congonhas, a qual dependem do bom funcionamento do Canal da Barra do Camacho.

  • As Lagoas do Camacho e Garopaba do Sul são receptoras e armazenadoras das águas dos rio Congonhas e todos os seus afluentes (Ilhota, Corrêa, Mesquita, Lajeado, Cubículo, Sangão e Riachinho)

  • Canal é o principal canal extravasor da sub-bacia do rio Congonhas para o Oceano Atlântico, evitando cheias e prejuízos na área urbana e rural dos municípios.

Os estudos apresentado pela comissão também indicam outras ações a serem realizadas na Amurel. São elas: Conclusão dos projetos para viabilizar a redragagem do rio Tubarão, derrocagem das pedras na ponta dos molhes de Laguna, elevação das cotas das margens do rio Tubarão, retificação e desassoreamento do rio Capivari, contratação de empresa especializada para estudos mais detalhados, como canais extravasores e desassoreamento do Complexo Lagunar e revitalização do rio da Madre.

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