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Ato contra o racismo é realizado na Praça Nereu Ramos

Manifestação

Movimento foi motivado pela prisão de um homem negro na última quinta-feira

Por Lucas Renan Domingos17 de dezembro de 2022 5 min de leitura
Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

Um ato contra o racismo foi realizado na manhã deste sábado, dia 17, na Praça Nereu Ramos. O movimento foi motivado pela prisão de um homem negro ocorrida na última quinta-feira, dia 15, no Centro de Criciúma. Os manifestantes contestam a ação dos policiais que atuaram na ocorrência e acusam os militares de cometer racismo.

Após uma concentração, o grupo caminhou pela praça entoando gritos antirracistas. O objetivo, de acordo com os organizadores, foi chamar a atenção da população sobre os casos de racismo que ocorrem na cidade.

“Queremos mostrar que não admitimos mais sermos tratados desta forma, sempre com ameaças. As pessoas não conversam, apenas abordam. Um homem negro sentado na frente de uma loja não pode ser um sinal de ameaça. Por que não conversaram? Por que não foram ver se ele estava precisando de algo? Por que os policiais agiram daquela forma? Ele resistiu, sim, porque se eu estivesse na frente de uma loja e a polícia viesse me algemar sem motivos eu também iria resistir”, disse a Janaina Vitório, membro do Movimento Negro de Criciúma.

Além do ato deste sábado, os manifestantes prometeram procurar o Ministério Público de Santa Catarina. Uma ação jurídica também não está descartada. Eles ainda buscam uma reunião com o comando da Polícia Militar de Criciúma para debater o assunto.

“É alertar e exigir que a polícia tenha um outro protocolo. O protocolo que a polícia diz que é para todos, não é. As formas como eles abordam uma pessoa negra é diferente de uma pessoa branca. Eles precisam rever. Se eles vão fazer isso, não sabemos. Mas a nossa parte enquanto população negra vamos cobrar e exigir”, destacou Iara Costa, também membro do Movimento Negro de Criciúma e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial.

Ela acrescenta que o caso da última quinta-feira ganhou notoriedade por conta da repercussão, mas, segundo Iara, os casos de racismo são constantes na cidade. “Os casos de crimes de racismo em Criciúma são enormes. Ocorrem dentro de escolas, nas redes sociais, no comércio. Não estamos mais na senzala. Eles não são capitão do mato e eles não podem nos tratar como se fossemos bandidos”, desabafou.

Os manifestantes procuraram a família do homem abordado pela Polícia Militar. Segundo o grupo, uma tia relatou que ele possui transtornos psicológicos decorrentes de uma dependência química que hoje já não possui mais. “Ele faz atendimento no CAPS e é uma pessoa tranquila. Ele não estava incomodando ninguém, não estava trabalhando. Se ela se sentiu ameaçada, poderia primeiro conversar com o rapaz. A forma como ela agiu e, principalmente a ação da polícia, é o que mais nos revolta”, completa Iara.

A ocorrência

O caso repercutir depois do vídeo da abordagem ser postado redes sociais. As imagens, feita por uma jovem acompanhada de sua mãe, mostram o momento da abordagem policial. O vídeo exibe o homem deitado no chão sendo algemado por dois militares que fazem o uso da força para conseguir contar o suspeito, que resistia.

As mulheres questionam os policiais sobre qual seria o motivo da abordagem. Um deles aponta para a câmera e afirma que antes de filmarem, as mulheres deveriam saber o motivo da abordagem, sem responder qual a motivação da ocorrência.

Em nota, a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) afirmou que uma guarnição foi acionada para verificar um homem em atitude suspeita aos fundos da Catedral São José e que “a ligação recebida pelo 190 informava que o homem estava rondando e observando as lojas de maneira estranha, causando preocupações na solicitante”.

A instituição relata ainda que no momento da abordagem “o homem com as características relatadas se levantou de maneira repentina e procurou sair do local. Os policiais determinaram, então, que o mesmo colocasse as mãos na cabeça para realizar a abordagem, mas o homem resistiu e não quis seguir as orientações dos policiais”. A nota completa dizendo que o suspeito foi detido e encaminhado para a delegacia por resistência, desobediência e ameaça. Confira a nota completa:

Os manifestantes também acusam uma lojista de ter acionado a Polícia Militar. Em nota, as proprietárias do estabelecimento também se manifestaram sobre o caso. Leia a nota:

Nota oficial - Virginia Rosso

Nós, da Loja Virginia Rosso, estamos indignadas com a política de difamação e “cancelamento”promovida de forma irresponsável por pessoas desinformadas ou mal intencionadas, nos ligando a atos racistas.

Temos mais de 16 anos de história e jamais tivemos qualquer incidente parecido.

Do ponto de vista pessoal é desumano esse ataque. A Bruna, uma das proprietárias da loja, é casada com negro, a filha deles é de origem negra. A acusação de racismo imputada a empresa e suas donas além de irresponsável e desumana, é criminosa.

Todas as mensagens de ataques estão sendo encaminhadas para as medidas jurídicas cabíveis. Por justiça e por respeito às nossas famílias buscaremos todos os nossos direitos e a punição dos irresponsáveis.

E a todos que estão mandando mensagens em solidariedade com o que estamos passando, nosso muito obrigada!!!

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