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Autor lança livro com história do x-salada em homenagem ao Centenário de Criciúma

Aventuras de Dinho

Obra mostra um menino em busca da origem do lanche mais famosos do município

Por Emanuela Teixeira07 de outubro de 2025 5 min de leitura
Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus

Criciúma vai ganhar um livro infantil em homenagem ao centenário. A obra “Dinho, as aventuras em busca do x-salada perfeito”, faz parte das comemorações e traz a história de um menino descobrindo de onde surgiu o lanche mais famoso do município carbonífero. O livro será lançado no feriado do Dia das Crianças, no domingo, dia 12, e contará com ações nos parques de Criciúma para levar a história às crianças.

O livro apresenta Ronaldo, o Dinho, um menino cheio de questionamentos envoltos na ideia do surgimento do x-salada. Toda a narrativa é contada pela avó do personagem, Maria, e se passa dentro da imaginação do menino ao decorrer das perguntas que ela responde.

De acordo com o fonoaudiólogo e autor do livro, Geovane Kubiaki Babireski, de 31 anos, natural de Canoinhas, o livro constrói a ideia da existência de um mito sobre o surgimento do lanche. “A gente quer criar um mito originário. Fazer uma lenda urbana sobre o x-salada. Porque ele tem uma história ligada aos primeiros chapeiros que vieram para Criciúma. E aqui o Dinho vai buscar associar a história desse prato com a história de Criciúma”, explicou.

O livro foi criado em parceria com a Fundação Cultural de Criciúma (FCC). “O prefeito Vagner Espindola gostou da ideia e a Fundação Cultural, com a Cristiane Uliana Zappelini também se envolveu na ideia de a gente produzir esse material para as crianças”, contou.

Além da distribuição da obra pelos parques do município, também serão disponibilizados nas escolas. “Eles vão ser distribuídos gratuitamente. As escolas vão receber algumas unidades, mas não são para todos os alunos. Foram feitas 5 mil unidades, mas os exemplares vão estar nas escolas para serem trabalhados também”, frisou.

Ingredientes de um x-salada

No decorrer da história o autor aborda elementos do prato ligando aos pilares da construção de Criciúma. “Tem uma part que associa com a ideia do carvão, a crocância do pão, relacionado a pressão que tem nas minas de carvão. A região da Santa Luzia e do São Defende, associado com o queijo e com a carne. Pois é uma região que tem muitos imigrantes alemães e produção de gado”, compartilhou.

Babireski também cita a presença das mulheres no carvão nesse processo. “Tem uma associação com as escolhedeiras de carvão, que são figuras marcantes. Porque eram mulheres que ajudavam nessa escolha e também tinham serviço doméstico. Então, além desse serviço do carvão, elas tinham as suas residências”, destacou.

No final do livro, Dinho fica com a dúvida de qual é a fórmula secreta da maionese caseira dentro do x-salada. “Essa fórmula ele imagina que esteja em um cofre da universidade. Ou poderia ser contada pelo senhor Arquimedes, que é um historiador. Ou poderia ainda o antigo maquinista saber o segredo dela, se a a maria-fumaça ainda funcionasse. Ou podia estar no Centro de Treinamentos do Tigre”, pontou.

O menino finaliza a história trazendo a ideia que Criciúma foi construída pelas mãos de muitas pessoas. “Ele recebe uma dica que ele deveria procurar em um alvo. Que fica no centro do Parque das Nações, lá na Próspera. Onde tem um centro e em volta tem as bandeiras. E aí ele conclui que o grande segredo do x-salada são as pessoas que compõem Criciúma”, frisou.

Incluindo as crianças nas conversas

Os desenhos da história foram feitos por Clésio José Amador Júnior e durante toda a narrativa o personagem navega pelos alicerces de Criciúma com a imaginação. “A primeira ideia é que ele chega da escola e ele escuta que Crisiúma é a capital do x-salada. E começa a se perguntar, o que é isso? Por que é a capital? Por que é um patrimônio? Uma capital do x-salada, mas as casas não são feitas de x-salada, nem as ruas e também não nasce da terra. Então, é essa a primeira indagação”, ressaltou.

O autor compartilhou que a mensagem que busca passar com a história é inserir as crianças dentro dessa discussão. “Quero, na verdade, promover com as crianças esse imaginário coletivo. Porque a ideia de nós termos um patrimônio cultural, ou imaterial, no caso do x- salada, é uma discussão de adultos. E a criança fica aonde nisso?”, destacou.

“A criança é uma parte social importante, não só porque ela é o que a de vir, ou que será. Mas, porque ela já é. A criança já é alguma coisa, já é um ser humano, já é alguém que está se formando. Então precisa ser considerado nessa discussão. Então o principal ponto que trago, é trazer a criança também para essa história do centenário”, esclareceu.

Um pouco sobre o autor

Além da história de Dinho, o autor desenvolveu outras histórias com o intuito de utilizar nas consultas. “Escuto muitas histórias das crianças, porque a gente conversa. Uma das finalidades da fonoaudiologia é auxiliar a criança a conversar. E precisamos estabelecer esse diálogo, sem ser desconexos. Então na minha terapia, estão inseridos os livros”, contou.

A vontade de escrever em Babireski, surgiu há um tempo, mas foi colocada em prática por meio da sua profissão. “A fonoaudiologia me proporcionou ter o contato com a criança e desse contato com ela fazer essa ponte entre arte, literatura e um tratamento mesmo clínico ali que a gente vai trabalhar habilidades com a criança”, finalizou.

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