Balneário Rincão: pescadores têm projeto de construção de rancho para viabilizar unidade de beneficiamento
Pesca artesanal
Objetivo é agregar valor ao pescado, ampliando o faturamento da atividade

A cada safra os pescadores de Balneário Rincão vivem a expectativa do que o mar vai oferecer. Mesmo em anos de cardumes generosos, fica a incerteza sobre os rendimentos com a venda do que vem nas redes. Pouco peixe representa faturamento pequeno. Muito peixe faz a oferta aumentar e o preço do quilo cair. Para atenuar essa instabilidade, a Colônia Z-33 corre atrás de alternativas para agregar valor ao pescado e dar melhores condições aos associados.
A associação, que também representa parte dos pescadores de praias de Jaguaruna, conseguiu junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o direito de uso de uma área de terra para a construção de um rancho de pesca. A estrutura, de 200 metros quadrados, será erguida em um terreno de 2,5 mil metros quadrados próximo da barra do rio Urussanga, na região norte do município.
O projeto contempla espaços para abrigar até nove canoas, além de uma área comum. O investimento estimado é de R$ 200 mil. O lcaol é o primeiro passo para que a colônia alcance a tão sonhada unidade de beneficiamento do peixe.

“Nós ficamos na discussão de aumentar a cota, mas isso não é garantia de mais faturamento. Nós vendemos o que pescamos. Se vier pouco, vendemos pouco. Quando vem muito o preço não é atrativo. Nessa safra da tainha tivemos regiões do estado doando peixe de tanto que pescaram. O que precisa é encontrar forma de qualificar o pescado, dando a ele mais valor agregado”, afirmou Maria Aparecida Luciano, a Cida, presidente da Colônia Z-33.
Os recursos para a conclusão do rancho de pesca não estão garantidos. “Vamos precisar ir atrás, fazer rifa, buscar emendas parlamentares”, emendou Cida.
Unidade de beneficiamento
A estrutura faz parte de um planejamento futuro para implantar no mesmo terreno unidades de beneficiamento dos peixes. Um dos caminhos para a viabilização é a Programa Boa Maré do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A proposta permite que o governo federal financie projetos de até R$ 490 mil para fortalecer a cadeia da pesca artesanal.

“O governo federal pode financiar módulos de beneficiamento. Na nossa colônia há possibilidade para até dois contêineres equipados com maquinários. Isso permite que os pescadores entreguem o peixe bruto no sistema cooperativo e ali seja feito o beneficiamento. Até as vísceras são separadas e vendidas para ração. O peixe beneficiado ganha valor e podemos vender, por exemplo, para prefeituras da região para uso em merenda escolar”, acrescentou a presidente.
Em Santa Catarina, além de Balneário Rincão, pescadores de Imaruí estão com solicitações em andamento para receber os investimentos. O modelo, conforme Cida, já está em funcionamento no Paraná. A Colônia Z-33 contra com mais de 2 mil pescadores associados, sendo que 1,2 mil são beneficiados com seguro-defeso.




