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Contexto Internacional

Brasileiros começam a retornar da Holanda após surto da epidemia

Sem rede social de proteção e trabalhando com limpeza, situação difícil

Por André Abreu

3 min de leitura

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Foto: Site NOS da Holanda

A Holanda (Países Baixos) é um país bom para viver na opiniao dos brasileiros que vivem lá, Mas com o surto do coronavírus atingindo de cheio a Europa, que tem uma quarentena instituída em grande parte dos países, esta realidade está mudando.

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O casal holandês-brasileiro Adwin van Dijke e Joquebede Mesquita Siqueira, da organização Company of Friends, os ajudam nisso.

Em um dia nesta semana, catorze pessoas partiram para o Brasil, graças à mediação da organização. Três a menos do que o planejado, porque uma mãe e seus dois filhos ficaram doentes. Cerca de cinquenta brasileiros também deixaram o país na semana anterior.

Elisângela também fez um dos poucos voos que ainda vão para São Paulo. Ela limpava casas na região de Eindhoven. Quando o vírus chegou, o trabalho parou de repente.

"As pessoas estavam assustadas e não queriam mais estranhos em casa", diz ela. Ela está desempregada e prefere estar com seus filhos no Brasil agora. Ela tem medo de que fiquem doentes em seu retorno ao Brasil.

Joquebede Mesquita Siqueira diz que ela certamente não está sozinha. "Eles não têm trabalho e um quarto em Amsterdã custa 600 euros de aluguel por mês. Você não pode pagar se não tiver renda."

Incomoda-lhe que essas pessoas não tenham para onde ir e que não haja apoio do governo. Os clientes também não querem continuar pagando. "Aceitamos essas pessoas há anos. Fingimos que elas não existiam. Mas elas estavam todas aqui; os cabeleireiros, os faxineiros, a babá, os trabalhadores da construção", diz ele.

O golpe para muitas pessoas aconteceu na terça-feira passada (31), comenta Siqueira. O primeiro-ministro Rutte anunciou que as medidas de isolamento (quarentena) certamente durariam até 28 de abril. Até então, as pessoas ainda esperavam voltar ao trabalho em breve.

Josebi, uma mãe com filhos no Brasil, também está retornando agora que está desempregada e incapaz de pagar o aluguel. Ela planeja não voltar para a Holanda.

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Natalia Robledo-Contreras, é presidente do MDW / FNV, o departamento do sindicato da FNV que lida com trabalhadores domésticos estrangeiros. Contreras estima que 75.000 pessoas sem documentos de residência na Holanda realizam trabalhos domésticos.

Segundo Robledo-Contreras, o retorno é especialmente complicado para vítimas de tráfico de pessoas. Eles não podem simplesmente retornar ao seu país de origem, porque é muito perigoso para eles.

Os brasileiros que agora podem voltar para casa, em alguns casos com a ajuda da OIM, a Organização Internacional para as Migrações. Essa organização ajudou 7 brasileiros desde 7 de março.

Sem voos

No início do surto na Holanda, a OIM recebeu mais ligações de imigrantes e também de viajantes ociosos. Eles procuraram ajuda com cuidados temporários na Holanda e retornarem ao seu país de origem. Isso agora diminuiu, porque os imigrantes se informaram sobre as impossibilidades.

Segundo Eva Koornstra, da OIM, o retorno voluntário é agora quase impossível em muitos casos. "Quase não existem voos, porque os países fecharam suas fronteiras ou existem outras restrições. Embora as possibilidades sejam limitadas no momento, continuamos em contato com nosso grupo-alvo, para que, assim que os voos sejam possíveis novamente, possamos ajudá-los imediatamente".

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