Saúde

Brucelose, hantavirose e febre Q: conheça e saiba como prevenir zoonoses que exigem atenção

Conscientização

Infectologista explica como ocorre a transmissão das doenças e dicas para prevenção

Por Leonardo Minatto06 de setembro de 2026 5 min de leitura
Magnific.com/Ilustração

Zoonoses são doenças transmitidas de animais para humanos. Algumas são mais conhecidas, como leptospirose e dengue. Entretanto, outras não são tão discutidas, como é o caso da brucelose, a febre Q e a hantavirose. A brucelose, por exemplo, segundo o Ministério da Saúde, é considerada uma das zoonoses mais comuns, mas de difícil diagnóstico, passando por uma subnotificação de casos e é negligenciada.

De acordo com a infectologista Silvia Taddeo, a brucelose é causada por bactérias do gênero Brucella e é transmitida por bois e vacas, mas também pode infectar porcos, ovelhas, cabras, cavalos e cães domésticos. “O contágio acontece por meio da ingestão de leite cru ou queijos e derivados artesanais não pasteurizados. Também pode ocorrer por contato direto, por meio da manipulação de animais infectados, secreções ou restos de parto sem a proteção adequada”, explicou.

A doença pode atingir diferentes partes do corpo e seus sintomas iniciais são febre ondulante (que aparece e desaparece constantemente), suor noturno intenso, cansaço profundo, dores fortes nas articulações (juntas e coluna), dores na cabeça e na barriga e perda de peso. “Caso não haja tratamento adequado, a infecção pode se tornar crônica e provocar lesões graves no coração, nos ossos e no sistema reprodutor. Em homens, pode causar inflamação nos testículos (orquite). Em mulheres, pode gerar infecções no sistema reprodutor, abscessos e risco de aborto”, alertou.

Para se prevenir, Silvia destacou que é preciso ter cuidado com os alimentos, consumindo apenas leite e derivados pasteurizados, fervidos ou que tenham o selo de inspeção sanitária oficial. Trabalhadores rurais, veterinários e funcionários de abatedouros devem usar equipamentos de proteção individual (luvas de cano longo, óculos, botas e máscaras) ao manusear animais ou fazer partos. Em caso de infecção, a brucelose pode ser tratada com antibióticos disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Hantavirose

A hantavirose, causada pelo Hantavirus, é uma infecção grave causada por um vírus e transmitida por roedores do campo. No Brasil, ela pode provocar uma complicação séria no coração e nos pulmões, conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Conforme a infectologista, a principal forma de infecção é pelo ar.

O vírus é eliminado na urina, fezes e saliva de ratos silvestres e, quando esses resíduos secam e viram poeira, a pessoa se contamina ao respirar o ar do ambiente, principalmente ao varrer a seco locais fechados, como galpões, paióis ou casas de campo que ficaram muito tempo sem uso. A hantavirose tem uma evolução rápida e costuma se dividir em dois momentos.

Na fase inicial, começa de forma semelhante a uma gripe forte, apresentando febre alta (acima de 38°C), dores no corpo e na lombar, além de enjoos, vômitos e diarreia. “Na segunda fase, que é mais grave, em poucas horas o vírus pode afetar o pulmão e o coração, provocando falta de ar intensa, respiração e batimentos cardíacos muito acelerados, além de queda brusca de pressão arterial”, frisou.

Como forma de prevenção, Silvia ressaltou que nunca se deve varrer ambientes fechados a seco. “Ao limpar locais fechados e sem uso, abra portas e janelas para ventilar e borrife água com água sanitária (cloro) para umedecer o chão antes de passar o pano. Também tem que ter cuidado com alimentos, guardando-os em potes bem fechados ou em locais suspensos. Se você cria animais, recolha sobras de ração e comida deles ao final do dia para não atrair roedores”, pontuou.

Febre Q

Por fim, a febre Q é uma infecção causada pela bactéria Coxiella burnetii. Ainda de acordo com Silvia, seus principais transmissores são animais de fazenda, como bois, ovelhas e cabras, mas cães, gatos, aves, roedores silvestres e carrapatos também podem carregar o patógeno. A infecção acontece por meio da inalação de poeira contaminada em locais onde há fezes, urina ou secreções de animais infectados, principalmente restos de parto e placenta.

A febre Q também pode ser transmitida por meio do consumo de alimentos sem fervura ou pasteurização, como leite cru ou queijos artesanais feitos com leite não pasteurizado. “A doença surge de repente e pode se manifestar em duas fases. A primeira é a aguda, com febre alta repentina, dor de cabeça forte, tosse, cansaço excessivo, dores no corpo e enjoos. A fase crônica ocorre quando a febre Q não é tratada corretamente. A infecção pode evoluir para problemas mais graves, como a endocardite (uma infecção nas válvulas do coração). O risco é maior em gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com imunidade baixa", afirmou Silvia.

Como prevenção, a infectologista orientou as pessoas a cuidarem da alimentação, usarem proteção no trabalho e manterem os locais higienizados. “Consuma apenas leite e derivados pasteurizados ou bem fervidos. Jamais tome leite cru. Quem lida com partos de animais ou limpeza de currais e estábulos deve sempre usar luvas e máscaras respiratórias. Também faça o descarte correto e higiênico de restos placentários e mantenha os ambientes limpos e desinfetados”, finalizou.

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