Casal salvo de afogamento em Laguna faz homenagem a tenente de Criciúma
Final feliz
Os dois reencontraram o militar dias depois de quase perderem a vida no mar

José Vinícius Mondardo Bongiolo e Vânia Rodrigues Silveira, moradores de Nova Veneza, tiveram um reencontro marcante com o tenente Marcelo Cony na tarde desta quinta-feira, dia 15. O oficial do 9º Batalhão de Polícia Militar de Criciúma (9º BPM) salvou o casal de um afogamento na Praia da Cigana, em Laguna, na tarde do último sábado, dia 10.
Os dois são frequentadores do local e aproveitavam o dia de sol com um grupo de amigos. Enquanto se banhavam no mar em uma área próximo de um paredão de pedras, onde a água chegava na cintura, eles foram arrastados. Vânia boiava e notou que não sentia mais a areia com as mãos. Ao tentar se levantar, uma corrente levou ela e o marido para uma área ainda mais funda.
“Notamos que era um buraco, foi quando veio uma onda e ela começou a puxar nós. Como tinha uma parede de pedra, era tudo buraco em volta, não tinha para onde irmos”, detalhou Bongiolo.
Na hora do desespero eles até tentaram chegar nas rochas e chamar por socorro, mas os ventos abafaram os gritos. “Ela estava realmente se afogando e passando mal. Eu gritava para ver se as pessoas mais perto nos escutavam", contou ele.

Final feliz para o casal
Foi aí que Cony apareceu. O militar estava com um grupo de amigos à beira-mar e notou os pedidos de socorro. “Quando ele viu nós, já pulou e veio. Eu estava no limite, não conseguia mais. E ela do meu lado estava boiando para tentar se salvar. Quando ele chegou eu só falei: 'Tira ela, tira ela!'”, frisou.
Mesmo sem experiência com salvamentos aquáticos, o tenente conseguiu ir até o casal e ajudar Vânia, que tinha mais dificuldades para nadar. “Ela chegou a me agarrar e eu precisei me afastar dela por a para evitar que nós dois fossemos para o fundo”, lembrou o oficial.
Cony segurou a vítima por um dos braços e passou orientações para Bongiolo. Ela foi puxada pelo militar enquanto o marido nadou na mesma direção, até encontrarem um banco de areia. “Quando eu estava puxando ela, senti meu dedo raspar no chão. Daí falei para ela colocar o pé no chão, porque senti que era faixa de areia, e conseguimos sair”, lembrou.
A sensação, conta Bongiolo, foi de que não sairiam daquele mar com vida. “Eu pensava que quanto mais para trás a gente fosse, mais fundo seria. Pensei: ‘Se aqui já estamos passando trabalho, imagina mais lá dentro’. Daí o tenente apareceu. Ele foi um anjo", falou.
O casal, se não fosse a coragem do tenente, não sabe se teria conseguindo sair da água. “Se não fosse ele, não sei se estaríamos aqui contando essa história”, pontuou. “Você fica naquela situação, indo para baixo da água e voltando. É horrível. A gente tinha que homenagear ele e agradecer”, completou.

Instinto falou mais alto
O tenente Cony compartilhou que quando ouviu os gritos, não pensou duas vezes para ajudar. “Quando vi que era um afogamento, eu só pensei que eu teria que cumprir aquela missão de resgatar eles”, expressou.
O momento de desespero do casal durou aproximadamente um minuto. “Peguei a Vânia pela axila e comecei a nadar, solicitando calma para ela. Fomos saindo, com várias braçadas. No início a gente não saiu do lugar, porque a corrente ainda estava forte. Ficamos uns 30 ou 40 segundos ali e a corrente diminuiu. Continuei puxando ela Vânia para o banco de areia e conseguimos retirar”, contou.
Essa foi a primeira vez do policial nesse tipo de salvamento. “Nunca salvei ninguém, até porque a nossa especialização não é salvamento aquático. Isso é uma missão do Corpo de Bombeiros. Mas a gente é Policial Militar, parece que adquirimos essa obrigação de salvar. Não tinha como não fazer isso”, comentou.
Após o acontecimento, Cony teve ainda mais certeza de que seu ato foi instintivo. “Conversei depois com um amigo bombeiro. Ele falou que um resgate dessa forma é muito difícil e que tivemos até sorte, porque como não tinha um objeto flutuante a chance de eu me afogar era muito grande, mas ainda bem que deu tudo certo", finalizou.



