Cocal do Sul: famílias protestam contra corte de convênio para clínica que atende crianças autistas
Manifestação
Ato será realizado nesta sexta-feira, dia 19, às 13h30, em frente à Prefeitura

Famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências realizarão um protesto nesta sexta-feira, dia 19, em frente à Prefeitura de Cocal do Sul. O ato, marcado para às 13h30, pretende reunir mais de 100 pessoas e é uma mobilização da Associação Voz Atípica, contra o encerramento do convênio com a primeira e única clínica especializada da cidade para esse público.
O problema iniciou após o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Cisamrec) suspender temporariamente o atendimento na clínica em Cocal do Sul, alegando necessidade de ajustes na prestação do serviço.
O convênio funciona normalmente em outros municípios da região, mas houve um impasse entre a Secretaria de Saúde e a clínica, gerando preocupação das famílias sobre a continuidade das terapias especializadas.
Segundo Michele de Magalhães, integrante da associação e mãe de criança autista, a suspensão ameaça o acompanhamento das crianças, como seu filho, José Vitor, de 8 anos, que tem TEA nível 1. “Nessa quinta-feira, o convênio com a clínica foi cortado e agora nossas crianças podem ficar desamparadas. Estamos nos mobilizando porque não podemos aceitar esse retrocesso”, afirmou ao Portal Engeplus.
A mãe relatou que, desde maio, há um entrave entre a Secretaria de Saúde e a clínica. Inicialmente, terapias oferecidas pelo Cisamrec foram negadas, com a justificativa de transferência para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Conseguimos reverter temporariamente, mas depois começaram a negar a manutenção dos planos terapêuticos. Algumas mães tiveram os pedidos rejeitados e outras ficaram sem atualização”, contou.
A Prefeitura alegou irregularidades na clínica, mas uma decisão judicial recente, emitida pelo Ministério Público, concluiu que não havia problemas. Apesar disso, o convênio não foi retomado. “Estamos vivendo um verdadeiro inferno. A clínica já está há 120 dias sem receber repasse, mesmo com ordem judicial para pagamento. A qualquer momento os atendimentos podem parar”, salientou.
Atendimento e proposta da Prefeitura
Conforme Michele, mais de 40 famílias têm vínculo direto com a equipe. A clínica é composta por nove profissionais, incluindo uma especialista em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), método aplicado para o desenvolvimento de crianças com autismo, o que é considerado raro na região.
“Antes da clínica, não havia opção. Meu filho, que é autista, ficou quase dois anos na fila por atendimento. Quando conseguiu, era só meia hora por semana. A clínica, por outro lado, trouxe resultado real, com profissionais formados e custo baixo por conta do consórcio. Tirar isso é avassalador”, relatou.
A preocupação aumenta diante da proposta da prefeitura de criar um novo espaço municipal, em uma escola desativada. O local, porém, ainda não tem estrutura pronta nem previsão definida para inauguração. “Visitamos o espaço e só existe a promessa. É um prédio vazio, sem projeto apresentado, sem definição de quantos profissionais e quanto tempo de terapia cada criança terá”, criticou Michele.
Para a representante, a mudança compromete a evolução das crianças. “Autistas mais severos precisam de rotina. Se forem transferidos agora, correm risco de regressão. Todo o avanço conquistado será perdido”, reforçou.
Posicionamento do Governo
Em nota, o Governo de Cocal do Sul afirmou que nenhuma criança ficará sem atendimento durante o processo de adequação. Segundo a administração, o Cisamrec suspendeu temporariamente o convênio após identificar necessidade de ajustes. Confira abaixo o posicionamento da Prefeitura:
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