Greve
Contagem regressiva para greve no Hospital São José
Caso a situação financeira do hospital não seja resolvida em 30 dias, os atendimentos serão reduzidos a partir de abril
Por Redação Engeplus
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Na tarde desta sexta-feira, dia 27, o corpo clínico, a administração e a direção do Hospital São José, de Criciúma, explicaram os motivos e os detalhes que podem levar a entidade hospitalar a paralisar as atividades. A partir desta segunda-feira, dia 2, o hospital já estará em estado de greve, sendo que no primeiro dia de abril, a paralisação começa de fato.
“Mandamos um documento para o Conselho Regional de Medicina (CRM) descrevendo toda a situação do hospital e comunicando eles que, se em 30 dias nossas reivindicações não forem atendidas, vamos paralisar a partir de abril”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos da Região Sul (Simersul), Luiz Augusto Borba.
Há duas solicitações feitas pelo corpo clínico, sendo que essas reivindicações já foram motivos para outros protestos. A primeira solicitação feita pelos profissionais é que a dívida de R$ 15 milhões, referente as contas que ultrapassaram os limites de atendimento do hospital, sejam quitadas.
“O hospital deve atender um número X de pessoas por mês. Cada especialidade tem uma quantidade de cirurgias, atendimentos e consultas que pode ser realizada. Mas como o HSJ atende toda a região, esse limite sempre é ultrapassado. O problema é que o valor desses procedimentos foi acumulando chegando a essa dívida de R$ 15 milhões. Precisamos desse repasse para continuar atendendo a população”, explicou a diretora do corpo clínico, Carmem Gandi.
Carmen ainda salientou que o hospital tenta negociar com o Estado e com o município há muito tempo, mas que a decisão de greve foi pelo descaso desse tempo sem resposta garantida a essas mudanças solicitadas. “A gota d'água foi a promessa de que o dinheiro (R$ 15 milhões) seria repassado em janeiro, mas somente R$1,6 milhão foi depositado na conta do hospital”.
Já a segunda reivindicação feita pelo corpo clínico é para que seja feito o reajuste de todos os valores que são pagos hoje aos profissionais (sendo que esses valores seguem a tabela do Sistema Único de Saúde que está defasada há anos).
“Será muito difícil fazer a mudança na tabela do SUS que gostaríamos, pois essa luta é de anos e seria uma mudança nacional. Por isso, a alternativa é solicitar ao Estado que use outra referência para pagar os profissionais, como já acontece em algumas cidades”, pontuou Borba e acrescentou, “eles pediram tempo e nós fomos muito pacientes. Não queremos ser os vilões dessa história, mas estamos trabalhando de graça. O dinheiro não chega e tem profissionais sem receber”.
Caso haja greve – Se nada for resolvido no mês de março, a greve inicia no primeiro dia de abril, sendo que a urgência e emergência do hospital permanecerão funcionando. “Algumas especialidades do hospital também não sofrerão com a greve, como a oncologia infantil. Mas as cirurgias eletivas, consultas, atendimento de outras cidades e tudo aquilo que não for emergência, não será atendido”, frisou Borba.
Confira na tabela abaixo quanto de repasse, aproximado, que um médico recebe em alguns tratamentos, conforme a tabela do Sistema Único de Saúde.
- Consultas: Avaliação geral de pacientes nos diferentes ambulatórios mantidos em funcionamento –> R$ 10
- Pneumonia: Tratamento de sete dias → R$ 94
- AVC: Tratamento para um paciente com AVC → R$ 120
- Cirurgia: Para realizar uma cirurgia de gastrectomia (retirada do estômago) o médico receberá → R$179,90 contando com os dias de visita hospitalar
- Internação: Internação para tratamento de pancreatite → R$ 50 (sendo que este valor será pago entre dois a três meses após a realização do procedimento)A tabela SUS não sofre reajuste há mais de 16 anos



