Coronavírus dá trégua na Itália e na Espanha
EUA espera semana difícil
Por André Abreu
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Espanha, Itália e França registraram uma esperançosa redução do número de mortos por coronavírus nas últimas horas, mas a pandemia, que já matou 65.000 pessoas em todo o mundo, ameaça os Estados Unidos, onde os cidadãos se preparam para sua "semana mais dura".
Os balanços de mortos e infectados pelo novo coronavírus continuam aumentando e até este domingo havia mais de 1,2 milhão de contágios em 190 países, segundo a contagem da agência France-Presse.
Do total de mortos, 47.000 estão na Europa, principalmente na Itália e na Espanha, onde os moradores começam a recuperar a esperança.
Na Espanha, pelo terceiro dia consecutivo, registrou-se uma redução no número de falecidos pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas morreram 674 pessoas, o que situa o balanço total de mortos por coronavírus no país em 12.418.
Após uma semana trágica, na qual em 2 de abril foi alcançada a cifra de 950 mortes por dia, as medidas estritas de confinamento, que se estenderão até 25 de abril, parecem começar a dar frutos e as autoridades estudam uma flexibilização progressiva das restrições.
"Trata-se de sermos muito prudentes para não desperdiçar todo o esforço feito pela sociedade espanhola", advertiu o ministro da Saúde, Salvador Illa.
A Espanha é o segundo país do mundo mais castigado pela pandemia, depois da Itália, onde as cifras deste domingo também eram animadoras.
O número de mortos diários por coronavírus foi de 525, a cifra mais baixa desde 19 de março, anunciaram neste domingo os serviços de Proteção Civil desde país que soma 15.887 mortos.
"São boas notícias, mas não deveríamos baixar a guarda", disse o chefe de Proteção Civil, Angelo Borrelli, à imprensa.
E na França, o balanço do domingo foi de 357 mortes, a menor cifra em uma semana.
Nos Estados Unidos, ao contrário, os óbitos vão continuar aumentando nos próximos dias, advertiu o presidente Donald Trump.
No país já há mais de 310.000 contágios e 9.000 mortos. "Esta, provavelmente, será a semana mais difícil Haverá muitos mortos", advertiu Trump, prevendo a entrada do país em um "período que será horroroso".
O estado de Nova York, epicentro da crise nos Estados Unidos, registrou 594 falecidos nas últimas 24 horas. O total de mortes no estado superou os 4.150.
"Estamos muito perto do pico" de contágios ou pode ser que "esse pico seja uma colina e estejamos nela", disse o governador, Andrew Cuomo.
"Médicos, enfermeiras, especialistas em respiração assistida. Se ainda não estão nessa batalha, venham porque precisamos de vocês", pediu o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.
No Reino Unido, que já supera os 4.300 mortos, a situação é tão crítica que a rainha Elizabeth dirigiu-se neste domingo aos britânicos em um discurso histórico no qual agradeceu aos profissionais da saúde que trabalham sem trégua contra a pandemia do novo coronavírus e aos britânicos que ficaram em casa para conter a propagação da doença.
América do Sul supera os 30.000 casos
A pandemia também avança na América do Sul, que registrava neste domingo quase 30.400 casos confirmados e 1.052 mortes.
O Brasil tem um terço dos casos, com 10.278 contagiados, e o maior número de mortos: 432.
A "fase mais aguda" da pandemia está próxima, admite em um relatório do Ministério da Saúde do Brasil.
Mas entre os países da região, foi o Equador (3.465 casos e quase 180 mortos) que produziu as cenas mais terríveis até o momento. Cento e cinquenta cadáveres jaziam em residências e nas ruas da cidade de Guayaquil, em meio ao caos provocado pelo colapso dos serviços funerários.
"Temos visto imagens que nunca deviam ter ocorrido e, por isso, como seu servidor público, peço-lhes desculpas", disse o vice-presidente equatoriano, Otto Sonnenholzner, em discurso em rede de rádio e televisão.
Neste domingo, as autoridades chinesas, onde a epidemia surgiu em dezembro, disseram ter exportado equipamentos médicos no valor de mais de 1.3 bilhão de euros, entre os quais, 4 bilhões de máscaras.
No entanto, alguns países, como a Holanda e a Espanha, se queixaram da qualidade dos insumos chineses.
A Espanha devolveu no fim de março milhares de testes de diagnósticos defeituosos.
Os Estados Unidos, apesar das críticas feitas à China por sua gestão da epidemia, também se veem obrigados a recorrer a Pequim para conseguir máscaras e outros insumos médicos.
Países como Brasil, Alemanha, França, Estados Unidos e outros países recomendaram recentemente o uso de máscaras para evitar o contágio.
Existe a possibilidade também de que a suspensão progressiva do confinamento, como deve ocorrer em Santa Catarina, ocorra juntamente com o uso obrigatório de máscaras em alguns países.
Foto: Espanha em quarentena.



