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Cratera em terreno no Maria Céu foi causada por galeria desativada; proprietária cobra ação da CPRM

Criciúma

Buraco se formou no ano passado e ainda não foi fechado; entenda o caso

Por Thiago Hockmüller25 de janeiro de 2022 4 min de leitura
Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

Enivânia Rodrigues é proprietária de duas casas no bairro Maria Céu em Criciúma. Os terrenos são confrontantes na rua Tubarão e na divisa entre eles formou-se uma cratera ocasionada pela movimentação de galeria de mina de carvão que passa embaixo do local. O caso já foi estudado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB - CPRM), empresa pública ligada ao Ministério de Minas e Energia, que se responsabilizou pelo fechamento da cratera.

Mas Edivânia ainda não viu o problema ser solucionado e está preocupada. Com a cratera praticamente embaixo do muro que divide as duas propriedades, ela pede agilidade para que não aconteça um acidente no local. “A galeria está se movimentando e está bem perigoso. Disseram em novembro que viriam fechar, depois uma nova promessa para o dia 28 de dezembro e não cumpriram, e o último compromisso era entre 10 e 15 de janeiro, mas também não apareceram”, relata.


Cratera preocupa moradores na rua Tubarão. (Fotos: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

Ambas as casas estão alugadas para dois casais. Em uma delas, justamente onde está o buraco, há constantemente a presença de uma criança, neta do casal. Além da própria cratera, hoje tampada de forma paliativa, também há preocupação com o muro.

“Eu tenho medo que se alastre ou alguma criança caia aqui dentro. Minha preocupação são moradores que moram próximos. Eles (SGB - CPRM) já estiveram aqui, fizeram um estudo e foi constatado que são galerias que passam e até então abandonaram e não tiveram mais aqui para fazer o que é para ser feito, que é tapar o buraco”, reclama.

Falta concreto usinado

A reportagem procurou o Serviço Geológico do Brasil e questionou a demora para a realização do serviço. Marlon Hoelzel é coordenador executivo do SGB - CPRM e explica que o processo para contratação da empresa foi concluído no final do ano passado, porém houve dificuldade da contratada em adquirir concreto usinado para fechar o buraco. E isso afetou o cronograma. A própria morosidade no processo de contratação de órgãos públicos também foi um empecilho. Foi pedido dispensa de licitação em função da obra ser de pequeno porte e isto contribuiu na evolução da tramitação. Além do mais, o processo só foi possível após a comprovação, por meio de estudo geofísico, de que a cratera foi mesmo ocasionada como resultado da mineração.

“A partir disso fizemos dispensa de licitação porque é um valor baixo, mas o processo demora um pouco. Essa contratação ocorreu no final de dezembro e a empresa aqui de Criciúma teve um pouco de dificuldade para conseguir concreto usinado, já que existe uma falta no mercado”, explica.

A perspectiva é que o concreto seja disponibilizado entre quarta e sexta-feira, dias 26 e 28. Caso isto ocorra, o problema será solucionado. “Estão com a equipe em prontidão, assim que for disponibilizado pelo fornecedor de concreto o serviço vai ser executado. Segundo a empresa, a janela é de quarta a sexta-feira”, pondera.


Em caso de alteração no solo, moradores devem acionar a Defesa Civil e o SGB - CPRM.

Mais problemas no futuro

O Serviço Geológico do Brasil alerta ainda para a possibilidade de mais ocorrências deste tipo no futuro. Abaixo do bairro Maria Céu, entre 40 e 60 metros de profundidade, há uma galeria desativada que já colapsou. Hoelzel explica que estudos indicam que mais cavidades vão surgir ao longo dos anos.

“Temos que entender que ela já colapsou, tinha um 1,80m de altura. Quando há o colapso existe um fraturamento das rochas da parte de cima e às vezes chega até uma fossa ou esgoto de uma casa. A água da fossa infiltra na fratura e vai circulando até abrir o buraco. É muito possível ter mais problemas no futuro. Conforme as fraturas vão recebendo água, podem surgir outras cavidades. O sistema de tratamento de esgoto, de sumidouro, não é muito indicado porque facilita a circulação de água no solo e pode aumentar essas cavidades”, explica o geólogo.

A situação no bairro Maria Céu é monitorada de perto pelo Serviço Geológico do Brasil. E como o bairro já está estabelecido, é inviável intervenções que não sejam de monitoramento. Por isso é importante que moradores acionem a Defesa Civil e o SGB - CPRM ao perceberem alterações no solo. A Defesa Civil atende no telefone de emergência 199 e o Serviço Geológico do Brasil no (48) 3413-6124.

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