Criança autista deixa escola sem supervisão e mãe relata falta de professor auxiliar
Nova Veneza
Caso aconteceu em uma instituição de ensino no distrito do Caravaggio

A importância do papel dos professores auxiliares ganhou destaque após um caso com uma criança de 7 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Nova Veneza. Devido à falta de um segundo professor, o estudante deixou à instituição de ensino sozinho, sem o acompanhamento de um profissional. O fato aconteceu nessa quarta-feira, dia 11, em uma escola do distrito do Caravaggio.
O problema foi relatado pela mãe do pequeno Rosângela Aparecida, que entrou em contato com o Portal Engeplus e deu detalhes sobre o ocorrido. O caso aconteceu após o encerramento das aulas, quando a criança, por acidente, entrou no transporte público municipal e saiu sozinha da instituição de ensino. O sumiço da criança foi notado após o pai chegar para buscá-la, por volta das 11h30.
“Meu marido me ligou e avisamos o diretor, que verificou as câmeras de monitoramento e percebeu que nosso filho havia entrado no ônibus escolar com outras crianças. Diante disso, o diretor entrou em contato com o motorista do transporte público, que trouxe nosso filho. O maior problema foi à falta de responsabilidade dessa professora, pois sabia que tinha uma criança autista na sala de aula”, relatou.
Devido ao caso, a mãe do estudante frisou para a reportagem que já contatou um advogado e registrará um boletim de ocorrência nesta quinta-feira, dia 12. Uma reunião com os pais do menino também será realizada hoje com os responsáveis pela instituição de ensino. O estudante está no segundo ano do Ensino Fundamental e é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista de nível um.
“Já solicitei, via Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), um segundo professor para meu filho. Além disso, liguei com antecedência para a escola para reforçar o pedido antes do início das aulas e me informaram estar tudo certo. Porém, nos dois primeiros dias de aula, já percebi que tinha algo errado. A instituição de ensino está alegando falta de profissionais, no entanto, a lei é clara e diz que é necessário ter um professor especializado com formação em autismo. Mas colocam alguém com formação apenas em Pedagogia”, disse.
Rosângela também relatou o comportamento dos profissionais do município em relação às crianças autistas. “Nova Veneza está fechando os olhos para os autistas, como se fossem objetos. Enquanto não tiver um segundo professor, não tem porque mandar meu filho para a escola. O diretor falou que isso foi um erro. Entretanto, não se deixa uma criança autista de 7 anos sair da sala de aula, sem nenhum acompanhante”, pontuou.
O que diz o município?
O Portal Engeplus também procurou a secretária de educação de Nova Veneza, Renata Nuernberg Warmling Reis, que informou para a reportagem que um processo seletivo simplificado para contratação de um segundo professor foi aberto nessa quarta-feira no município. O período de inscrição estará disponível até sexta-feira, dia 13. O setor de educação especial da Secretaria de Educação também está acompanhando o assunto.
“Quando a vaga é para crianças autistas, muitos não querem pegar. Então, no momento não temos professores auxiliares, mas quem está dando o suporte para esses estudantes é a gestão e os profissionais da escola. Além disso, também em nenhum momento negamos contratar um segundo professor para o filho desta mãe. Após o recesso de Carnaval, já vamos estar nos organizando”, pontuou.



