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Criciúma avança em megaobra para elevar trilhos e transformar mobilidade no Pinheirinho

Novo eixo viário

Governo municipal planeja a obra em R$ 200 milhões

Por Rafaela Custódio12 de dezembro de 2025 4 min de leitura
João Gabriel da Rocha/Portal Engeplus

A Prefeitura de Criciúma está realizando um projeto de mobilidade urbana no bairro Pinheirinho e o estudo que prevê a elevação dos trilhos da Ferrovia Tereza Cristina. O diretor de Operações de Obras, João Paulo Casagrande, explicou os avanços do projeto e destacou o conjunto de ações que integra soluções viárias, segurança e também de impacto social.

Casagrande lembra que o processo começou ainda quando o prefeito Vagner Espindola atuava como secretário-geral. “O prefeito encabeçou e fez frente a todo esse trabalho de mobilidade urbana. Foi elaborado o plano de mobilidade urbana e, a partir dele, realizamos um estudo de trafegabilidade executivo para aquela região. Agora estamos no projeto executivo para de fato implantar essa solução”, afirmou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.

Segundo ele, a previsão é que a execução do eixo Pinheirinho comece no próximo ano, com estimativa de resolver o trânsito intenso da região. “Estamos falando de algo que vem sendo planejado há dois anos, desde a captação do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), porque essa obra já está na matriz do financiamento. É uma necessidade da sociedade”, destacou.

Trilhos que cortam o bairro Pinheirinho. (Foto: João Gabriel da Rocha/Portal Engeplus)

Elevação do trilho: mobilidade, segurança e impacto social

Casagrande detalhou também o conceito da obra que prevê elevar cerca de três quilômetros da ferrovia, ou seja, do trecho entre a avenida Centenário até a avenida Luiz Lazarim. “O trilho veio por ideia do prefeito. Vemos um movimento muito grande da mineração, e hoje o trem passa no Pinheirinho atrapalhando a Centenário e trazendo riscos à segurança pública”, explicou.

A equipe técnica avaliou alternativas, incluindo o modelo da cidade de Maringá (PR), que optou por rebaixar os trilhos. Mas em Criciúma essa solução é inviável. “Se rebaixássemos, ficaríamos em cotas de rio, tendo que bombear continuamente por muitos anos. Então decidimos elevar o trilho”, detalhou. “A gente não quer só resolver o trilho. Queremos resolver a questão social e a mobilidade urbana”, acrescentou.

O plano conceitual prevê vias duplicadas ao longo do novo elevado, interligando a avenida Centenário à região da rótula próxima ao Mercado Moniari (apenas referência), na Luiz Lazarim. “É uma continuidade do Anel Viário até a avenida Centenário, já que não temos como levar essa conexão até a universidade”, completou.

Conversas iniciais com DNIT e Ferrovia Tereza Cristina

A prefeitura já iniciou diálogos preliminares com a Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), proprietário da área. “Foi muito no campo das ideias, apresentando a nossa intenção e sentindo deles a opinião. E foi o melhor possível”, afirmou Casagrande.

Segundo ele, o próprio DNIT e a FTC reconhecem a urgência de uma intervenção. “É um problema grande para eles, porque as casas já estão invadindo muito a área de segurança do trilho. A faixa de domínio tem 40 metros, que são 20 metros para cada lado e ainda há a faixa de segurança do trem, de seis metros para cada lado. Num trilho elevado, a engenharia resolve isso, com tecnologias mais modernas”, garantiu.

Casagrande destacou que o projeto também prevê a realocação de pessoas que hoje estão morando próximo ao trilho. “Nós temos um projeto social de realocá-las [famílias] para uma área que já está sendo estudada, também teremos um loteamento social com casas, tudo com uma vida digna que todas elas merecem”, ressaltou.

Maior obra da história recente de Criciúma

Casagrande reconhece que o projeto terá alto custo e grande complexidade técnica. “Arriscaria dizer que será o maior investimento entre todas as obras que já fizemos. Estimamos algo acima de R$ 200 milhões, com base em trabalhos semelhantes no Brasil, como o Monotrilho de São Paulo e outros elevados metálicos”, revelou.

O projeto conceitual está em fase final, e, segundo ele, o prefeito Vagner deve liderar a busca pelos recursos após essa etapa. “Não consigo te dizer quando a obra começa, porque há muitos fatores a vencer, principalmente a captação de recursos. Mas estamos estruturando tudo para isso”, afirmou.

Mesmo com a complexidade, Casagrande garante que Criciúma tem condições de assumir um projeto dessa dimensão. “Não é uma engenharia simples. Estamos aumentando cada dia mais o nosso nível técnico. Somos ousados, sim, e acreditamos que Criciúma é um grande município. Apesar de ter 240 mil habitantes, já está muito à frente de cidades com o dobro desse tamanho”, finalizou.

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