Geral

Criciúma soma quase 70 mil atendimentos de saúde mental em 2026

Setembro Amarelo

Com quatro Caps, município amplia estrutura para atender diferentes níveis de necessidade

Por Ariadne Marcelino15 de setembro de 2026 5 min de leitura
Ilustrativa | Unsplash

Criciúma contabilizou, até o momento, 69,9 mil atendimentos nos quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em 2026. O número corresponde a aproximadamente 84% de todos os atendimentos registrados ao longo de 2025, quando foram realizados 83,5 mil. Os dados mostram apenas os casos que necessitam de atenção especializada no município.

"A demanda por atendimento em saúde mental na rede pública de Criciúma permanece bastante expressiva. Mas temos realizado investimentos na área, tanto na estruturação dos serviços quanto na composição e qualificação das equipes. Esse trabalho permite oferecer assistência desde as demandas que podem ser acompanhadas na Atenção Primária até situações de maior complexidade, que necessitam de atendimento especializado nos Caps", explicou o gerente de Saúde Mental de Criciúma, Leandro Maffei, em entrevista ao Portal Engeplus.

Foto: Rafaela Custódio | Arquivo | Engeplus

Segundo Maffei, a Rede de Saúde Mental do município conta com psicólogos, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais nas equipes multiprofissionais. Atualmente, Criciúma possui quatro Caps: o Caps 2, destinado a adultos com transtornos mentais graves e persistentes; o Caps 3, que funciona 24 horas e oferece acolhimento noturno; o Caps AD 2, que recebe pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas; e o CAPSi, voltado a crianças e adolescentes.

Além da estrutura especializada dos Caps, o município atende os casos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sendo essa, de acordo com Maffei, a principal porta de entrada para as demandas de saúde mental.

Entre as situações mais comuns que chegam à rede, o diretor pontuou transtornos de ansiedade e depressão, crises de saúde mental, transtornos mentais graves e persistentes, comportamento suicida e autolesivo e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Segundo Maffei, também têm surgido demandas relacionadas ao uso excessivo de tecnologias e jogos on-line, além de uma grande procura por atendimento entre crianças e adolescentes.

"São casos que podem repercutir nas relações familiares e sociais, na rotina, no sono, nos estudos e no trabalho e que, quando associados a sofrimento psíquico ou prejuízos significativos à vida cotidiana, demandam atenção dos serviços de saúde. De maneira geral, houve uma ampliação da procura pelos serviços de saúde mental nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a sociedade passou a discutir o tema com maior naturalidade e, assim, reconhecer a importância de procurar ajuda", pontuou.

Buscar ajuda é forma de cuidado

De acordo com a psicóloga Cristina Rossa Pereira, identificar que algo não está bem nem sempre é simples, já que o sofrimento emocional pode se manifestar de diferentes formas. Mudanças de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades antes importantes, alterações no sono ou no apetite, irritabilidade e sensação de desesperança estão entre os sinais que podem indicar a necessidade de atenção.

Cristina explica que não é necessário esperar que o sofrimento chegue ao limite para buscar acompanhamento profissional. Quando as dificuldades passam a interferir de forma persistente no sono, no trabalho, nos relacionamentos, nos cuidados pessoais ou em atividades importantes da rotina, a psicoterapia ou outro tipo de acompanhamento pode ser uma ferramenta de cuidado e prevenção.

Foto: Ilustrativa | Unsplash

"Antes de pensar em como fazer uma pessoa procurar ajuda, é importante tentar compreender o que está tornando essa ajuda difícil para ela. Validar o sofrimento não significa concordar com tudo o que a pessoa está pensando ou fazendo. Significa reconhecer que, naquele momento, aquilo é difícil para ela. Frases como 'eu consigo perceber que isso está sendo muito pesado para você' ou 'eu não preciso concordar com tudo para entender que você está sofrendo' podem abrir mais espaço para o diálogo do que conselhos ou cobranças", explicou.

Segundo a psicóloga, oferecer companhia, ajudar a pessoa a encontrar recursos e respeitar seu tempo pode facilitar a aproximação com os serviços de saúde. Em situações que envolvam falas sobre morte ou possibilidade de autolesão, porém, a prioridade deve ser a segurança e a busca imediata por atendimento.

"Falar sobre pensamentos de morte não deve ser motivo de vergonha. Quando alguém chega a esse ponto, muitas vezes não está necessariamente desejando morrer, mas tentando encontrar uma saída para uma dor que, naquele momento, parece insuportável. Por isso, não é preciso enfrentar isso sozinho. Peça ajuda, permaneça acompanhado e procure atendimento. O sofrimento pode mudar de intensidade, mesmo quando, naquele momento, parece que não vai passar", destacou.

Em caso de risco imediato, a recomendação é que a pessoa não permaneça sozinha e procure ajuda de alguém de confiança ou de um serviço de urgência, como as Unidades de Pronto Atendimento. Também é possível acionar o Samu, pelo 192, ou o CVV, pelo 188, que oferece atendimento gratuito 24 horas.

Setembro Amarelo reforça ações de prevenção

Durante o Setembro Amarelo, segundo Maffei, a Rede Municipal de Saúde Mental de Criciúma intensifica as ações de conscientização sobre saúde mental, prevenção do suicídio e valorização da vida. As atividades incluem ações, palestras, capacitações, atividades externas e espaços de diálogo com a comunidade.

De acordo com ele, a rede municipal também realiza o acolhimento e o acompanhamento de pessoas em situações relacionadas à ideação suicida, tentativas de suicídio e autolesão. Após a identificação do risco, o usuário é avaliado e direcionado ao serviço mais adequado, de acordo com a gravidade e a necessidade de cuidado.

"É importante destacar que a prevenção não se restringe ao Setembro Amarelo. O cuidado acontece durante os 12 meses do ano. A campanha amplia a visibilidade do tema, mas o acolhimento, a escuta qualificada, a avaliação de risco e o acompanhamento dos usuários fazem parte da rotina permanente da rede", finalizou.

Compartilhar:

Notícias relacionadas