Crônica do Didé: o triplo milagre e o retorno do DNA do Criciúma na Copa do Brasil
Por Mateus Mastella
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“Derrotados entram em campo” era o título da primeira crônica deste autor que vos escreve, publicada no dia 21 de abril, premeditando o desastre que foi o rebaixamento à Série B do Estadual.
De lá pra cá tudo mudou. O termo “derrotados” se transformou em “vencedores”, estes que entraram em campo com sangue nos olhos, vontade, fôlego e toda a garra em busca do impossível, diante de um gigante. Quem se agigantou mesmo foi esse grupo de vencedores, abençoado por Nossa Senhora do Caravaggio.
Antes de entrarem em campo, os vencedores foram escoltados pela mais completa, festeira e vibrante equipe de seguranças: a torcida Carvoeira, que não vê a hora de a pandemia passar e lotar o estádio como fazia há tempos atrás, assustando os adversários que aqui chegavam tremendo.
Jogando fora, um 0 a 0, e agora era a hora de fazer o dever de casa, contra um time perigoso. Motivados e preparados pelo técnico Paulo Baier, os homens que foram encarregados da missão de resgatar o DNA do Criciúma entraram em campo brigando por cada bola.
O jogo
Um jogo tenso, movimentado, pegado, daqueles que dá gosto de assistir. O jogo foi de segurar o coração na mão os 90 minutos, assim como na partida de ida.
Só dava Criciúma a cada bola, a cada lance, a cada ataque e a cada defesa. Divididas, carrinhos, jogo de corpo, empurrão à lá futebol americano, troca de passes dinâmicas, bicicletas, lançamentos dignos do botão triângulo no videogame (botão Y no caso do Xbox) e, principalmente, um time brigador.
Somado a pressão do Criciúma, a arbitragem fez até um sopro ser falta para o América.
O Coelho sentiu a pressão e o grito de gol dos narradores, dos torcedores de casa com seus radinhos ou na tv, dos convidados e diretores presentes no estádio, veio com Eduardo.
Foi em um cruzamento aliado a falha da defesa do América. Eduardo recebeu a bola, sozinho, arriscou e todos gritaram gol. O primeiro passo para a heroica façanha estava dado.
Apesar do gol, o time não parou, não diminuiu o ritmo e buscou o segundo, mas quem marcou foi o América, que resolveu assustar mais ainda com o empate e um golaço de voleio.
Assim terminou o primeiro tempo, nervoso e de corações acelerados para o torcedor. O segundo tempo seria o mesmo jogo e o mesmo nervosismo, mas em dobro.
Segundo tempo
Os homens transformados em Tigres retornaram à frente no placar, com gol de zagueiro, resgatando lembranças de um certo defensor chamado Vilmar, que fez o gol do título há 30 anos. Marcel Scalese aproveitou a sobra e marcou, o segundo do Tricolor.
No segundo tempo, diferente da parcialidade do grupo de arbitragens, notava-se um equilíbrio, com pouca pressão e apitando faltas para os dois lados, agindo imparcialmente e corretamente.
Metaforicamente, os Guardiões do Tempo, do universo Marvel, transformaram os segundos em minutos e a eternidade pelo fim da partida começara a tomar conta dos nervos Carvoeiros que queriam que o jogo acabasse logo.
E mais uma vez, outro susto. Cruzamento para Ademir, a bola desviou em Rodrigo, que teve o azar de fazer contra, sem culpa.
A partir dali cada lance era digno de desespero, agonia, nervosismo, tensão, pois ninguém queria ir para as penalidades. O time estava como Baier queria implantar no clube, pois até com camisa suja os atletas fizeram por merecer.
O terceiro gol não chegava nunca e, pela segunda vez consecutiva, a decisão da classificação seria nos pênaltis. O que estava por vir seria um milagre.
Desta vez, a vitória viria de forma milagrosa, e o milagre tem nome: Gustavo.
Pênaltis e triplo milagre
O América abriu a disputa marcando um gol. Jessé, cria das categorias de base do Criciúma, seria o primeiro Carvoeiro a cobrar o pênalti. Muito bem batido, fez o seu e bora para o próximo.
O autor que aqui vos fala estava no estádio e gritava ao goleiro “voa, Gustavo”, “vai, São Gustavo”. Se ele ouviu ou não é outra história, mas o que ele fez foi profetizado, realizando uma defesa.
Defesa esta que dava como certa a classificação Carvoeira, mas como esta noite foi de sustos atrás de sustos, Dudu bateu centralizado, com paradinhas no caminho e o goleiro do Coelho defendeu.
O medo pairava no ar, afinal, quando que a sorte viria novamente? É torcer para chutar pra fora. E lá vai este autor novamente gritando das cadeiras “voa, Gustavo”, “vai, São Gustavo “. E o milagre novamente aconteceu. O homem pulou e defendeu mais um pênalti.
Era a vez de Hélder, com a missão de converter e deixar o time seguro. O erro foi grave e a bola foi longe demais, restou no final ser consolado pelos companheiros.
Dois pênaltis errados de cada lado, um gol cada e o medo persistia, afinal, uma defesa é muito, duas é demais, três é sensacional, mas é pedir muito um milagre desses.
“Voa, Gustavo”, “vai, São Gustavo” gritava este cronista e jornalista, que batia na grade das cadeiras de tão nervoso que estava. E mais uma vez o herói da partida foi lá e defendeu. Vibrante, recebendo aos gritos “tu é gigante” de quem aqui vos escreve, que de tanto pular, até deixou os óculos caírem.
Marcel foi lá e fez o dele mais uma vez nesta noite, depois o América descontou e faltava PH decidir a classificação. Era só fazer e o PIX entraria na conta.
PH foi lá e fez o seu, correndo para o abraço de Gustavo, que abriu os braços ao estilo de “vem cá pro papai”, fazendo a alegria de todo Carvoeiro nesta noite.
No fim, todos os jogadores e comissão técnica estavam reunidos em torno de um cheque de 2 metros, no valor de, leia com a voz do Silvio Santos na mente: R$ 500 mil reais.
A festa não parava por aí. Teve carreata ao redor do estádio e a torcida foi até a grade que separa o estacionamento para agradecer o time.
Paulo Baier e Luciano Almeida apareceram para aquele agradecimento. Almeida até fez aquela resenha com a torcida, de tamanha emoção.
Nesta noite ninguém dormiu. Fica a expectativa do adversário nas oitavas, rumo às quartas-de-final, pois o DNA do Criciúma está de volta!!!



