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Da sola de calçado ao asfalto: borra da recuperação de solventes ganha nova vida na indústria

Sul de SC

Resíduo gerado no processo pode ser reaproveitado na fabricação de itens emborrachados

Por Rafaela Custódio03 de julho de 2026 3 min de leitura
Divulgação

Tapetes industriais, palmilhas para calçados e até aplicações no setor asfáltico podem ter a mesma origem: a borra gerada no processo de reciclagem de processadores e solventes. Em Santa Catarina, a Reciclo Química, uma indústria especializada em recuperação de processadores, solventes industriais e tratamento de efluentes químicos, faz da sobra de um rejeito a matéria-prima para outros segmentos industriais.

Há 36 anos, a indústria recicla materiais que antes geralmente seguiam para descarte e, após tratamento, passam a ganhar uma nova utilidade. No caso da borra, o resíduo é gerado a partir da gravação dos clichês de impressão utilizados pelas indústrias de embalagens. No processo de recuperação dos solventes, a Reciclo utiliza a destilação, na qual a parte líquida é evaporada e recuperada, enquanto a parte sólida se concentra na base da máquina.

Essa sobra, de aspecto semelhante ao da borracha, é o que popularmente chama-se de borra. Ao invés de ser encaminhado para aterros, o material passa por tratamento e é destinado a empresas que o reaproveitam em processos produtivos ou no desenvolvimento de novos produtos.

Segundo um dos engenheiros químicos da Reciclo, Carlos Eduardo Zappelini Nascimento, o tratamento da borra evita que o resíduo tenha uma destinação inadequada e permite que ele retorne à cadeia produtiva. “Deixamos o resíduo em condições úteis para que a indústria possa reaproveitar na cadeia produtiva. É nesse sentido que nos preocupamos com o aproveitamento de quase 100% do material que entra aqui”, afirma.

Aplicações da borra

Mensalmente, a Reciclo produz entre 27 e 43 toneladas de borra. A partir desse material, podem ser desenvolvidas diferentes aplicações industriais, como tapetes emborrachados utilizados por pessoas com deficiência visual, rodas de carrinhos para pequenas cargas, suportes para máquinas e equipamentos, marteletes, buchas e palmilhas para calçados.

O reaproveitamento também alcança a construção civil e o setor asfáltico. “A fabricação de asfaltos com fotopolímeros é uma área em que muitas indústrias estão investindo, porque esse material aumenta a longevidade do piso asfáltico e da camada que o recobre. Por isso, a borracha e seus derivados, assim como a indústria e o reaproveitamento desse material, estão muito ligados às práticas ESG das empresas e ao desenvolvimento de novas tecnologias”, destaca Zappelini.

Além do tratamento realizado pela Reciclo, as empresas parceiras reaproveitam cerca de 10% da borra na operação industrial. Internamente, também são feitas etapas complementares, como limpeza, moagem e trituração da matéria-prima, para que ela seja novamente utilizada em processos industriais.

Sobre a Reciclo Química

Fundada em 1990, em Santa Catarina, a Reciclo está na segunda geração de gestão e consolidou sua atuação no ecossistema da flexografia, com soluções que incluem recuperação de solventes e processadores, destinação de subprodutos e tratamento eficiente de efluentes químicos. Ao longo dessa trajetória, a indústria se destacou por seu pioneirismo em operar um modelo que reforça a economia circular de forma prática reduzindo desperdício, reaproveitando recursos e integrando soluções ambientais ao negócio.

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