Investigação
Delegado explica investigações do caso da adolescente assassinada em Tubarão
Suspeito de ter matado Mariana Matei, de 15 anos, foi preso na tarde de ontem
Por Redação Engeplus
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O delegado, Rubem Antônio Teston da Silva responsável pelas investigações da morte da adolescente Mariana Corrêa Matei, de 15 anos, explicou como ocorreu o trabalho para se chegar ao suspeito, preso na tarde de ontem, dia 5, em Lages. Segundo ele, o jovem admitiu ter chegado em casa na manhã em que o corpo da menina foi encontrado, com a roupa cheia de sangue, mas não se recordava do que havia acontecido.
“Após encontrarmos o suspeito na serra catarinense, cumprimos o mandado de prisão temporária. O trouxemos para Tubarão e o levamos ao local do crime. No caminho, ele começou a mostrar sinais de arrependimento”, detalhou o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, ao portal Notisul.
Teston, contou que, durante o percurso até o bairro Congonhas,o jovem recebeu muitos questionamentos da equipe, viu várias fotos da ocorrência, soube da repercussão social e começou a dar sinais de situação pós-traumática. “Já no local, ele começou a falar que se lembrava de ter estado na mesma estrada. Relatou ainda que naquela noite recordava de ter acordado às 6 horas, no quarto em casa, e caminhado até o banheiro, onde diz ter ficado surpreso ao ver toda a sua roupa suja com muito sangue. Verificou que não era de um ferimento seu, tomou banho, pegou todas as peças e as lavou, sem saber o que havia ocorrido”, descreve o delegado. Segundo ele, o rapaz disse não saber o que aconteceu e somente tomou conhecimento do caso pelas redes sociais.
Mensagens indicavam suposto suicídio do suspeito
Na noite desta quarta-feira, a namorada do jovem suspeito de ter realizado o homicídio, pedia ajuda nas redes sociais ao divulgar o seu desaparecimento. “Meu namorado desapareceu às 15 horas dessa quarta-feira, por favor, divulguem. Se por acaso alguém viu depois das 15 horas me liguem... Ele tem aproximadamente 1,94 de altura, olhos claros e cabelo claro liso. Recebi uma mensagem dele de despedida e depois não consegui mais contato com eles. Todos estão desesperados”, postou a jovem.
De modo instantâneo, a mensagem recebida pela namorada foi compartilhada pelo aplicativo whatsapp. No texto, ele dizia: “Não sei por onde começar, e a decisão que tomei não foi nada fácil, por causa de ti, da mãe, do pai... e de todos mais próximos... Não aguento mais chorar em pensar que nunca mais vou sentir o melhor abraço do mundo... Um dia quero olhar pra ti lá de cima e ver tu uma mulher formada... Uma mulher completa, com sua vida e tudo perfeito, viu? E também quero que tu dê muita força pra mãe, ela vai precisar e muito, pois ela era minha rainha e tu, a minha princesa, quero que vocês cuidem uma da outra juntas, e que jamais esqueçam de mim... Eu tentei te dar os melhores últimos momentos... Hoje foi o nosso último dia juntos aqui na terra, e aguardo você lá em cima”.
Às 18h48min de quarta-feira, ele ainda enviou uma mensagem pelo aplicativo em que também se despedia de um amigo. De acordo com o delegado Rubem, as mensagens foram enviadas após a fuga e serviria para despistar as investigações com um suposto suicídio.
Os caminhos até a prisão
O delegado Teston ainda explicou que a polícia trabalhou nas investigações com a estratégia de utilizar as informações iniciais, na qual apontavam a existência de um jovem (adulto) que já havia uma suspeita nas redes sociais de ter saído com a Mariana no dia do crime.
“Partimos desta ligação entre a vítima e o primeiro suspeito e passamos a acompanhar. Damos ‘corda’ para que o próprio apresentasse elementos que nos ajudasse. Utilizamos todas as técnicas possíveis de informação com a visualização de filmagens, testemunhas e verificação dos álibis apresentados na versão do suspeito, que foram caindo um a um”, descreve Rubem.
Um dos fatos que chamou a atenção dos policiais foram as imagens de um carro que aparecia nas câmeras, nas proximidades da casa de Mariana, no bairro São João e na localidade de Congonhas. “Nas câmeras via-se um veículo Gol, branco, com os retrovisores pretos, sem calotas e modelo geração cinco. Esta informação passou a ser verificada em cada pessoa que vinha depor, entre elas o principal suspeito. Todas as vezes que ele esteve na delegacia nunca veio com este carro, usava outros veículos”, explica Rubem.
Conforme o delegado, ao ser pressionado sobre o veículo e outros detalhes, o jovem ficava cada vez mais nervoso. “Quando ele se viu sem saída, abandonou o trabalho na tarde de quarta-feira e desapareceu do município. Vimos pelas imagens da rodoviária, ele pegou um ônibus em direção a Curitibanos. Seguimos esta pista e com a ajuda da polícia local desta cidade, foi verificado que ele desceu em Lages, onde foi capturado”, completa Rubem.
“Quero saber o que o levou a fazer isso”, diz pai da jovem
Em sua conta em uma rede social, Paulo Matei, pai da adolescente morta há uma semana, Mariana Corrêa Matei, manifestou sua opinião sobre a prisão do suspeito do assassinato. Paulo mostrou-se aliviado com a possível solução do caso. Em entrevista ao Notisul, ele disse que não chegou a ir à delegacia, mas que recebeu a visita do delegado para contar como tudo ocorreu. Contou que Mariana era uma menina como todas as outras de sua idade. Gostava de baladas, porém quando conseguia a autorização dos pais para sair à noite, eles levavam a jovem e a buscavam, ou um pai de uma amiga ficava responsável pela tarefa.
“Meu filho mais novo, de 10 anos, me chamou às 3 horas para avisar que a Mariana saiu 1h30min daquela madrugada e que até aquele horário não tinha aparecido ainda. Estávamos dormindo quando ela saiu. Ele disse que combinou com a irmã que cuidaria dos cães para não fazer barulho enquanto ela fosse dar uma voltinha rápida. Esperamos um tempo, desesperados, para que ela voltasse, mas isso não ocorreu e, por volta das 7h30min, registramos um boletim de ocorrência” conta Paulo.
O pai esclarece que não conhecia o suspeito e que não sabia do envolvimento da sua filha com o jovem de 20 anos. “Com a prisão dele saiu um ‘peso’ das nossas costas, mas isso não nos conforta. Saber que minha filha nunca mais voltará, dói muito. Queremos saber o que o levou a fazer isso. O porque de ser tão frio? Se a justiça fosse por mim, queria que ocorresse com ele o mesmo que fez com Mariana, mas como a forma de justiça é outra, quero que ele apodreça na prisão”, revela Matei, que trabalha como vendedor de botijão de gás.
Leia aqui e entenda o caso.



