Saúde
Dia de Conscientização da Doença de Parkinson busca quebrar tabus
Sintomas vão muito além dos tremores nas mãos
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Lembrado neste sábado, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson traz o alerta a respeito das dificuldades enfrentadas tanto no cotidiano como durante o tratamento do indivíduo afetado. A doença se manifesta de diferentes maneiras nos pacientes, o que dificulta o entendimento e suporte de familiares e amigos, além de um diagnóstico seguro.
O músico Ozzy Osbourne, ex-vocalista da banda britânica Black Sabbath, por exemplo, não apresenta os tremores popularmente conhecidos e muito característicos. "Trata-se de uma doença plural, que se apresenta de modos diversos. Os tremores e a rigidez muscular, duas particularidades do Parkinson que são mais comumente relatadas, também estão presentes em outras patologias que ocasionam movimentos involuntários. Por isso, há muitos fatores para se basear e isso já representa um obstáculo", conta o neurocirurgião funcional, mestre e doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cláudio Corrêa.
Apesar de ser a segunda doença neurodegenerativa mais frequente no mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer, suas principais características ainda são desconhecidas por muitas pessoas. Entre elas estão lentidão de movimentos; dificuldade para caminhar; desequilíbrio; instabilidade postural; rigidez muscular; dores musculares; perda progressiva das expressões faciais; alterações na fala e na deglutição; problemas em movimentos finos, como escrita; quadros depressivos e tremores dos membros em repouso.
Diagnóstico
Para chegar ao diagnóstico da doença de Parkinson, inicialmente é feita uma análise do histórico do paciente e uma avaliação neurológica que observa pelo menos três de quatro sinais: lentidão e redução dos movimentos, rigidez nos membros, tremores e problemas de postura.
Exames de imagem, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, raramente são solicitados, pois tipicamente não apresentam alterações.
As dificuldades de quem tem a doença são muitas. “Vão desde o preconceito, falta de entendimento e suporte de familiares e amigos às peregrinações por muitos médicos e dificuldade em obter um diagnóstico seguro. Além disso, os sintomas apresentados pela doença vão limitando a autonomia do paciente quando não são tratados. Muitos apresentam problemas sérios para se alimentar, vestir a própria roupa e até mesmo tomar banho”, diz o neurocirurgião.
Tratamento
O tratamento evolui de acordo com o quadro apresentado. Em todos os casos, porém, recomenda-se um acompanhamento multidisciplinar. Isso significa que diferentes áreas de atuação, como a psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia, podem somar na reabilitação - tanto física como mental - do indivíduo. O objetivo é não só conter a progressão dos sintomas, mas devolver a capacidade funcional e a autonomia.
“Algumas pessoas, porém, recebem a recomendação de passar por procedimentos cirúrgicos. O mais eficiente hoje é a neuroestimulação cerebral profunda, do inglês Deep Brain Stimulation, feita com o implante de eletrodos nas regiões do cérebro afetadas pela doença de Parkinson”, explica Correa.
O propósito do procedimento é modular estímulos em pontos cerebrais específicos, o que consegue normalizar ou reduzir bastante os tremores dos membros e a rigidez que limita a movimentação do paciente, sendo uma técnica minimamente invasiva.
A doença tem tratamento, mas não existe uma prevenção específica, explica Correa. “Ainda não é possível parar o relógio biológico conforme envelhecemos, mas uma boa alimentação, prática de atividades físicas e convívio social, bem como evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco, auxiliam na manutenção do sistema imunológico e tornam as funções neurológicas mais resistentes aos processos degenerativos”.
Colaboração: Agência Brasil



