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Dia Nacional do Surdo: comemorações e a busca por novas conquistas
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Os surdos têm muito o que comemorar nesta quarta-feira, dia 26, data em que comemoram o Dia Nacional do Surdo. A busca por conquistas iniciou em 26 de setembro de 1857.
A intérprete de libras Aline Gerardi Pefelicio Martinho explica que apesar das comemorações, eles continuam enfrentando dificuldades para se comunicar com a sociedade no Brasil. Ainda hoje é muito comum um surdo chegar em uma Unidade de Saúde Básica e ninguém entender o que ele está sentindo. É também comum um surdo chegar no banco precisando de atendimento e ninguém conseguir entender que ele está com um problema no cartão.
Situações como essas são mencionadas todos os dias pela Comunidade Surda, que lembra que há ainda muito o que conquistar.
Segundo censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE 2,6 milhões de pessoas são surdos. A comunidade surda é muito maior do que a sociedade imagina, explica Aline Gerardi Pefelicio Martinho, que é membro e também interprete de libras. "Uma comunidade surda é formada por pessoas que utilizam libras, que além dos surdos, são professores, amigos e família", afirma.
A falta de acessibilidade para os surdos acontece em diversos ambientes, conta Aline. "Uma das maiores dificuldades continua sendo o direito à saúde, direito a participar de uma religião, direito de receber atendimento em lugares como um banco. Direitos que acabam sendo violados quando o surdo chega ao local e não consegue se comunicar por não haver pessoas que entendam a língua dele", explica a interprete.
Percebemos que ainda existe a falta de conhecimento de quem é o surdo, e do que eles precisam, mas continuamos nessa luta", finaliza.
Há 161 anos, a luta começou
A importância do dia de hoje representa a primeira conquista para os surdos, que foi o início da comunicação entre eles. "No dia 26 de setembro de 1857 tivemos a primeira escola de surdos no Brasil, instalada no Rio de Janeiro, quando um professor francês criou a escola", conta. "Na época era chamado de Instituto dos surdos mudos. Mas como havia uma confusão em que surdos eram chamados de mudos, depois, houve a mudança para Instituto Nacional de Educação de surdos", complementa.
Neste momento começou a busca pela inclusão do surdo no Brasil. "Vários surdos de todos os estados do Brasil foram estudar nessa escola, e depois voltavam para suas cidades e repassavam o aprendizado da língua para outros. É importante ressaltar que cada país tem sua própria lingua e a nossa é parecida com a francesa, justamente pelo professor que iniciou ser francês", finaliza a intérprete.
Embora ainda existam as dificuldades, os surdos tiveram algumas conquistas importantes e seguem buscando avanços.
Conquistas históricas
"Antes da escola não se tinha nada, e aí passou a existir a lingua dos surdos", diz Aline.
No ano de 2000 foi criada a lei da inclusão nº 10.098 de 19 de dezembro. O artigo 18 diz que "O Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, linguagem de sinais e de guias-intérpretes, para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação."
A partir de 2002, a "linguagem" - como era chamada a forma de comunicação entre os surdos - passou a ser uma língua e se chamar Libras, através da Lei nº 10.436 de 24 de abril.
Em 2005, mais um avanço com o Decreto nº 5.626. O artigo 3º da lei diz: "A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."
"O surdo não é obrigado a saber falar o português, mas ele tem que aprender a escrever", explica Aline.
Segundo a intérprete, a formação destes profissionais é importante para os surdos e também para a sociedade, já que, entre estes profissionais estão os professores bilíngues, os instrutores (são para o segundo momento da aprendizagem do surdo, quando eles precisam aprender sinais novos que vão além do básico) e os intérpretes (aqueles que pegam a linha fonte e passam para o objetivo).
"Em uma das últimas sessões que participamos na Câmara de Vereadores de Criciúma, houve um momento em que o surdo se comunicou com os demais e foi necessário traduzir os sinais para a língua portuguesa. Da mesma forma, as pessoas falavam com ele, e o intérprete tranformava a língua portuguesa em sinais. O intérprete faz essas duas funções", explica Aline. "Ainda temos muito o que conquistar", concluiu.



