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Do guarda-roupa dos anos 2000 ao brechó: nostalgia impulsiona comércio em Criciúma

Tendência Y2K

Jovens da geração Z transformam memória afetiva em pertencimento

Por Laura Brehm27 de abril de 2026 3 min de leitura
Freepik/Ilustrativa/Divulgação

Mais do que economia, a alta procura por peças características a estética Y2K, ou anos 2000, revela uma busca por identidade e pertencimento dos jovens da geração Z. A época, conhecida pelas cores vibrantes, estampas e acessórios maximalistas, é sinônimo de alto-astral, vida e alegria e, para a psicóloga Tamara Borges, esse é um dos principais motivos pelo qual a estética se destacou dentre tantas outras.

Com o incentivo da sogra e do marido, a empresária Michele Casagrande, proprietária de um brechó on-line em Criciúma, começou a vender roupas em 2023. “Não tinha muito conhecimento e tinha várias inseguranças, mas vender para pessoas que acreditavam no nosso trabalho impulsionou o projeto”, revelou.

Peças vendidas por Michele Casagrande. (Foto: Divulgação)

Segundo Michele, o público que mais consome em seu brechó varia entre mulheres de 18 e 40 anos, que buscam tanto tendências quanto peças clássicas. Roupas que remetem a época dos anos 2000, como de couro, suede, renda e babados, de acordo com a empresária, são queridinhos da loja.

“Graças a informação e a mudança no comportamento de consumo pós pandemia da Covid-19, a moda circular foi ganhando espaço e cada vez mais pessoas começaram a adotar este tipo de consumo”, pontuou.

Autenticidade sem gastar muito

Para a estilista Mariana Duarte, os brechós são uma alternativa prática e econômica. “Quando preciso comprar algo, por ser mais em conta, minha primeira alternativa é sempre os brechós”, explicou. Ela ressaltou ainda que, além do preço, a autenticidade é um fator que ganha seu coração. “É muito difícil encontrar alguém usando a mesma roupa, já que muitas peças estão fora de linha há anos”, completou.

Mesmo não sendo completamente adepta a moda dos anos 2000, Mariana afirmou que essa tendência veio para ficar. “O brechó é um grande acervo para os amadores desse estilo”, completou.

Redes sociais fortalecem a tendência Y2K

Entre os jovens da geração Z, Jhonatan Nunes frequenta esses espaços mensalmente. Geralmente, ele sai a procura de peças para customizar e montar um look com aspecto retrô. “Estou amando esse movimento, principalmente porque, na moda circular, é possível encontrar peças originais daquele tempo”, afirmou.

Para Nunes, as redes sociais são importantes influências para o resgate da estética Y2K. “Elas fazem essa ponte, principalmente o Pinterest (site de fotos e catálogo de ideias)”, frisou. Ainda, ele acredita que a busca e o interesse por itens dessa época vem acompanhado de um desejo de viver tempos mais simples.

O pertencimento por trás da estética

A moda dos anos 2000 não retornou apenas como uma tendência estética, segundo a psicóloga. Os jovens buscam no passado uma nova forma de se reconhecer no presente. “O interesse pode estar relacionado ao desejo de conhecer algo novo, despertando curiosidades, de como era viver naquela época e como os jovens se sentiam”, pontuou.

E é nos brechós, de acordo com Tamara, que os jovens conseguem flertar com a moda característica do período e, de certa forma, se sentirem parte dele. “O movimento possibilita uma viagem interior para algo que proporciona tranquilidade”, finalizou.

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