Economia do cuidado - invisível e essencial
A invisibilidade da prática do cuidado limita a participação feminina no mercado

A economia do cuidado é um conceito que se baseia em valorizar uma atividade que é tradicionalmente executada por mulheres, incluindo demandas com crianças, idosos e pessoas com deficiência ou doenças crônicas.
Segundo dados divulgados em 2020 pela Lab Think Olga, este trabalho corresponde a 11% do PIB brasileiro e representa uma economia 24 vezes maior que a do Vale do Silício. Contudo, na maioria das vezes, é realizado de forma não remunerada ou através de empregos informais.
A invisibilidade da prática do cuidado limita a participação feminina no mercado, impactando negativamente a economia do Brasil. Além disso, a falta de investimento em infraestrutura, como creches e asilos, faz com que muitas mulheres tenham que sair de seus empregos ou reduzir suas horas para se dedicar aos familiares.
Por outro lado, o reconhecimento do cuidado como prática essencial pode gerar renda e impulsionar o crescimento econômico de forma inclusiva e sustentável.
Sob a perspectiva das práticas de cuidado, participei nos dias 28 e 29 de março, em São Paulo, do FAS 2.0 (Fórum de Atores da Saúde).
Um espaço criado pela CDD (Crônicos do Dia a Dia) e AME (Amigos Múltiplos) para reunir diferentes públicos da área da saúde, como representantes de instituições públicas, privadas e organizações não governamentais (ONGs), acadêmicos e profissionais, a fim de refletir e compartilhar conhecimentos sobre temas relevantes para o setor.
O FAS 2.0 é um evento mobilizador que promove a colaboração, fomenta a inovação e discute estratégias para melhorar a qualidade e efetividade dos serviços oferecidos aos pacientes.
Além de trazer questões relativas à democratização da saúde, políticas públicas, inteligência artificial, gestão e financiamento do setor, o fórum promoveu encontros potentes e trocas de experiências significativas. Relatos e histórias reais que comprovam que a economia do cuidado precisa ser devidamente valorizada. É necessário promover iniciativas de apoio para fortalecer os pacientes, cuidadores, familiares e a equipe multidisciplinar.
A empatia, o afeto e condições de dignidade são prioridades na prática da saúde. O acolhimento, a escuta ativa e o respeito inspiram confiança, auxiliam no tratamento e no processo de recuperação.
“O único valor que eu considero revolucionário é a bondade, que é única coisa que conta.” José Saramago



