Esporte
Em busca de sonhos, estudo e qualificação profissional: a história da equipe feminina do Criciúma
Cerca de 60 meninas atuam pelo equipe tricolor divididas em categorias
Por Rafaela Custódio
5 min de leitura

Lugar de mulher é nas arquibancadas? Errado. Lugar de mulher é onde ela quiser. E se ela escolher que seja dentro de campo, por que não? As mulheres estão lutando todos os dias em busca de igualdade e no futebol não é diferente. A batalha é diária e não é apenas contra o preconceito, mas também em busca de patrocinadores, uniformes adequados e campos melhores.
Nesta temporada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trouxe mais destaque ao futebol feminino. Isto porque é obrigatório que cada clube que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro em 2019 tenha uma equipe feminina disputando competições. O Criciúma se adiantou e há três anos possui uma equipe feminina.

Atualmente, cerca de 60 meninas atuam no Criciúma, entre categorias sub-15 e adulto. Elas são treinadas por uma comissão técnica liderada pela Bina Cassol. Ela atua com o futebol feminino há 12 anos.
A reportagem do Portal Engeplus esteve no estádio Heriberto Hülse e conversou com a técnica Bina, com jogadoras e com a família de atletas. Mas, antes de você conferir a história do Criciúma, você entenderá a história do futebol feminino.
Futebol feminino
Falar do futebol feminino no Brasil é falar de resistência. A modalidade destinada a mulheres nunca foi fácil e sempre foi preciso quebrar barreiras. Os primeiros registros de futebol no país foram nos anos 20, mas de forma tímida. O esporte era praticado no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte.
Em 1941, as mulheres começaram a enfrentar diversos problemas, quando a primeira proibição aconteceu. Na época, foi criado o Conselho Nacional de Desportos (CND). Já em 1965, o caso foi mais detalhado.
DECRETO-LEI N. 3.199 - DE 14 DE ABRIL DE 1941
Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.
As mulheres puderam voltar jogar futebol perante a lei em 1979. Mesmo com a liberação, muita coisa não mudou. Já em 1988, a Fifa realizou na China um Mundial experimental. Na época, 12 seleções participaram da competição. O Brasil conquistou o terceiro lugar.

A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu em 1991. A Seleção Brasileira nunca conquistou um mundial. Neste ano, a Copa será realizada na França. As brasileiras disputarão a competição. Neste domingo, dia 9, às 10h30, o Brasil faz a estreia diante da Jamaica.
Em relação a títulos, a Seleção Brasileira conquistou diversos. São sete títulos da Copa América em oito edições. As mulheres ainda foram tricampeãs nos Jogos Pan-Americanos, vencendo em 2003, 2007 e 2015. Já em 2011, ficou com o segundo lugar.
Em busca da primeira Copa do Mundo: a trajetória da Seleção Brasileira feminina
Desde dos anos 20, o futebol feminino busca por um espaço no cenário nacional e ainda não é diferente. Em Criciúma, as meninas estão lutando para alcançar seus objetivos. A técnica da equipe, Bina Cassol explica sobre os detalhes das equipes. Confira a entrevista:
Há três anos em Criciúma, mas uma vida dedicada ao futebol feminino
Joice, de 22 anos, é natural de Cuiabá e há três anos atua no Criciúma. Ela joga de zagueira e é uma das mais velhas do elenco. Atualmente, a atleta mora no alojamento do clube, já que não possui nenhum familiar na cidade.

A defensora conta que conversa todos os dias com a família por videochamada. Ela estuda na Faculdade Esucri e cursa Educação Física. Confira a entrevista:
Buscando apoio
Um dos apoiadores do futebol feminino de Criciúma é a Fundação Municipal de Esporte (FME). O presidente da instituição, Nícola Martins afirma que a modalidade tem se destacado em Santa Catarina. “As meninas que jogam futebol, também jogam futsal. Temos um convênio e os recursos são utilizados em ações, viagens, fisioterapia, por exemplo”, explica. “Atualmente, o mesmo time do Criciúma Esporte Clube representa também a cidade de Criciúma no futsal. São as mesmas atletas”, acrescenta.

Martins ainda ressalta que algumas atletas recebem bolsa atleta. “A bolsa é de R$ 350 para ajudar nas despesas diárias. Elas recebem o valor, pois conquistaram o segundo lugar nos Joguinhos Abertos. Além disso, cedemos o ginásio para elas treinarem”, pontua. “Sabemos que as empresas estão com dificuldades de patrocinarem as equipes, pois estão segurando mais o dinheiro pela economia do país e isso também dificulta”, completa.
O futuro nos pés de Clara
Clara tem nove anos e joga futebol há dois. Ela treina nas categorias de base do Criciúma duas vezes por semana. Moradora do bairro Ceará, em Criciúma, a pequena joga no meio-campo.
A mãe de Clara, Adriana Mendonça acompanha a filha nos treinamentos e conta como a menina iniciou no esporte. “Em casa sempre gostamos de futebol, de vir ao campo. Ela tem um primo que joga futebol e ela começou a se interessar pelo esporte. A Bina viu e o convidou para vir para o clube e não pensamos duas vezes”, conta.

Adriana ressalta que é normal uma menina de nove anos jogando futebol. “As pessoas questionam porque ela quis futebol e não balé, por exemplo. Mas fico contente de ver ela jogando no futebol. Gosto de ver a felicidade dela. Não importa o que ela está fazendo, para mim, o importante é ver o sorriso no rosto”, pontua. “Vamos esperar para ver o que acontece, estamos na torcida para que ela cresça no esporte”, acrescenta. Confira as fotos:



