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Em língua de sinais, intérprete de libras garante diversão e magia teatral para pessoas surdas

Arroz e Feijão em: Colapso no Sistema

Katia Tomasi Daniel promove inclusão durante espetáculo do Grupo de Teatro Revirado

Por Patrick Stüpp15 de dezembro de 2023 5 min de leitura
Ana Bertolina

Além de levar arte, cultura e diversão para o público, o Grupo de Teatro Revirado com seu espetáculo ‘Arroz e Feijão em: Colapso no Sistema’ também busca desenvolver a inclusão em 45 municípios de Santa Catarina. Por meio do trabalho da intérprete de libras Katia Tomasi Daniel, com a língua de sinais, a acessibilidade em todas as apresentações é promovida, fazendo as pessoas surdas terem contato com a magia teatral em sua própria língua.

A iniciativa do grupo artístico de contratar um intérprete de libras, foi proporcionar ainda mais o acesso cultural para todos os públicos, principalmente para o surdo. Conforme Katia, por conta da maioria dos espetáculos artísticos não terem intérprete de libras, as pessoas surdas ficam impossibilitadas de terem acesso às apresentações.


Katia com a Língua Brasileira de Sinais garante a magia teatral para as pessoas surdas (Fotos: Ana Bertolina/Divulgação)

“Se pararmos para pensar, nós ouvintes podemos ir e vir em qualquer show, evento e espetáculos que quisermos. Mas pela falta do olhar humanizado para acessibilidade, determinadas apresentações acabam limitando este acesso aos surdos, por não pensarem na contratação do intérprete de libras. Então, nosso objetivo é permitir às pessoas surdas participarem e não serem barradas pela falta de acessibilidade”, afirma.

Porém, mesmo com essas barreiras, desenvolver a Língua Brasileira de Sinais no espetáculo ‘Arroz e Feijão em: Colapso no Sistema’, vem trazendo um olhar para acessibilidade mais humanizado, enfatizando o cuidado para todos terem acesso ao espetáculo. A intérprete de libras comenta que desde a primeira apresentação o público foi conquistado, desenvolvendo o interesse em aprender Libras e tirar suas dúvidas sobre a língua.

Quebra de barreiras e luta pela acessibilidade

O olhar de Katia para a Língua Brasileira de sinais iniciou em 2016 com a disciplina de Libras na faculdade. Entretanto, antes de cursar a matéria, ela já havia demonstrado interesse em aprender. A intérprete conta que seu objetivo desde o início era desenvolver uma papel na sociedade que conseguisse proporcionar acessibilidade e lutar pelo direito das pessoas surdas.

Além do espetáculo do Grupo de Teatro Revirado, como empresa, a intérprete também proporciona acessibilidade em palestras, entrevistas de emprego, eventos em universidade, sessões na Câmara de Vereadores e audiências no jurídico. Além de dar aulas de Libras de nível básico, intermediário e avançado de forma on-line e presencial. A aula presencial é focada nas empresas e igrejas, visando desenvolver a convivência e integração entre os funcionários surdos e ouvintes em Criciúma e região.

“Todas essas ações promovem o sentimento de dever cumprido, já que antigamente os surdos não tinham tanto acesso à cultura por não viabilizarem isso à comunidade em questão. Só que atualmente com os editais exigindo tal acessibilidade e as leis que garantem esse espetáculo, o surdo pode estar num espetáculo sem precisar se preocupar se vai ou não ter um intérprete, já que ali está sendo garantido seu direito. Isso tudo não tem preço”, ressalta.


Desde 2016, a intérprete de Libras proporciona acessibilidade lutando pelos diretos das pessoas surdas

Principais dificuldades na carreira

Durante o processo de levar acessibilidade para pessoas surdas, o intérprete de libras enfrenta diversas dificuldades em sua carreira. “Uma das maiores barreiras é a banalização do nosso trabalho. Os organizadores dos eventos olham essa ação como algo que poderia ser pensado em segundo plano, e não como algo importante”, destaca Katia.

Katia ainda explica, que em outros casos, os organizadores de eventos também esperam apenas ações voluntárias dos intérpretes de libras, tratando a profissão e a acessibilidade para as pessoas surdas apenas como um ato de caridade. “Na maioria das vezes o profissional de libras é banalizado, ficando apenas em segundo plano. Só que assim como outros intérpretes, nossa língua também precisa ser valorizada”, pontua.


Grupo de Teatro do Revirado desenvolve acesso cultural para todos os públicos no espetáculo Arrroz e Feijão em: Colapso no Sistema

Projeto de Lei 664/23

Com a finalidade de elevar essa acessibilidade para as pessoas surdas, está em aprovação na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei 664/23. O projeto tem como emenda dispor a presença de um intérprete de libras em exibições em todos os eventos artísticos, culturais ou sociais tanto público quanto privado. O projeto ainda está em fase de aprovação e até o momento não teve nenhuma resposta na parte jurídica.

“Essa luta pelo acesso à cultura para comunidade surda é antiga, e perceber que hoje há essa preocupação em dar este acesso a eles é de grande importância. Atualmente, vemos também atores, diretores e produtores surdos, dando assim mais visibilidade para as pessoas surdas, protagonizando e garantindo a efetivação dos seus direitos”, conclui a intérprete de libras.

As apresentações do espetáculo ‘Arroz e Feijão em: Colapso no Sistema’ encerraram nesta quinta-feira, dia 14, em Tubarão. Mas, já no início de 2024 voltam a ocorrer, de acordo com o cronograma do Grupo deTeatro Revirado.

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