Em Pedras Grandes, festa sobre a imigração terá tarja preta na bandeira da Itália em protesto a decreto
Sul de SC
O evento será realizado em abril e anúncio foi feito pelo prefeito Agnaldo Filippi

A tradicional festa que celebra a imigração italiana terá um ato simbólico de protesto neste ano. Durante o evento, marcado para abril, a bandeira da Itália será exibida com uma tarja preta, em sinal de luto. O anúncio foi feito pelo prefeito de Pedras Grandes, Agnaldo Filippi, na manhã desta terça-feira, dia 3, em manifestação contrária ao chamado Decreto 36, aprovado pelo Parlamento italiano.
Segundo o prefeito, a decisão é uma resposta à mudança na legislação italiana relacionada ao reconhecimento da cidadania. “Nós precisamos entender que a nossa relação, seja ela com a Itália ou com qualquer outro país do mundo, ela tem que ser de respeito”, afirmou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.
Filippi destacou que a Constituição italiana reconhece, há mais de um século, os italianos residentes fora do país. “A partir do momento em que a gente tem posto na Constituição italiana, há mais de 100 anos, essa condição de italianos fora da Itália, somos 100 milhões de pessoas fora da Itália. É o único país do mundo que tem 60 milhões de habitantes e 100 milhões de descendentes espalhados pelo mundo. Então, essa decisão deles de interromper essa ligação através de uma lei, a aprovação do chamado Decreto da Vergonha, o 36 do Italiano, eu acho que não pode ensejar da nossa parte continuar com esse comportamento de submissão, subalterno, de temor reverencial, de estender tapete para quem não discute com a gente a mudança legal, que se constitui em um verdadeiro soco na cara da ítalo-descendência”, declarou.
O prefeito também mencionou o pacto de aproximação firmado anteriormente com a cidade de Belluno, na região do Vêneto, de onde partiram imigrantes italianos em 1877 rumo à localidade de Azambuja. “Eu tinha, bem pouco tempo atrás, formalizado esse pacto com a cidade de Belluno, que não tem absolutamente nada a ver com cidadania, apenas de aproximação com a região de onde a maioria dos imigrantes saiu em 1877, vindo para Azambuja, que é a primeira colônia de imigrantes italianos. Quer dizer, a gente queria esse caminho de volta para que essas pessoas por aqui circulassem, para conhecer tudo aquilo que, com muito sangue, suor e lágrimas, nós construímos com as outras etnias todas”, frisou.
Ele reforçou que a iniciativa não tinha relação com facilitar dupla cidadania. “Só para você ter uma ideia, no ano passado, 185 milhões de pessoas circularam pela Itália, fazendo essa roda virtuosa da economia turística girar fortemente. Então, nós queríamos o caminho de volta apenas, não tínhamos nenhuma relação com o objetivo de facilitar o acesso à dupla cidadania ou passaporte”, garantiu.
Durante a festa de abril, que marca a imigração italiana em Azambuja, o gesto simbólico será incorporado à decoração. “Hoje nós não somos mais italianos, nós temos uma história ligada à Itália, então é diferente. A festa vai marcar apenas a nossa história, mas essa nossa condição de italianos nós vamos deixar muito claro com uma tarja preta colocada na bandeira da Itália. A decoração da festa deve ser a bandeira do Brasil e a bandeira da Itália com uma tarja preta, indicando o luto, porque eles mataram essa nossa condição de italianos”, declarou.
O prefeito informou ainda que o rompimento do pacto com Belluno foi oficializado por meio de projeto aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores. “O ano passado encaminhamos um projeto para a Câmara de Vereadores, foi aprovado por unanimidade, rompendo de forma unilateral o pacto. Foi logo depois da aprovação do decreto que extirpou essa nossa condição de italianos. Foi encaminhado para lá, eles entraram em recesso e a manifestação deles deve estar acontecendo por agora”, pontuou.



