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“Em termos salariais, a Afasc é nivelada por baixo”, garante presidente de sindicato

Criciúma

Assembleia que pode deflagrar greve será realizada nesta segunda-feira, dia 27

Por Rafaela Custódio27 de abril de 2026 3 min de leitura
Freepik/Divulgação/Ilustrativa

Professores da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) estarão reunidos na noite desta segunda-feira, dia 27, às 19 horas, para debater o reajuste salarial de 5,36% oferecido pela direção da instituição. O encontro será realizado na sede do Sindicato dos Químicos de Criciúma e Região, no bairro Comerciário, em Criciúma.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (STEERSESC) ressaltou que já esteve reunido com a direção da Afasc em três oportunidades. “Pedimos o piso nacional do magistério, e a Afasc contestou, dizendo que o piso é destinado ao ensino público, e não ao ensino particular. Além disso, alegaram que os professores da Afasc são contratados e, por se tratar de uma instituição privada, não há obrigatoriedade de pagamento do piso nacional do magistério. O impasse está exatamente aí: entendemos que a Afasc presta um serviço público, para alunos da rede pública, sendo mantida com verba pública. Por isso, consideramos que os professores têm, sim, direito ao piso nacional como referência”, comentou o presidente do STEERSESC, José Argente Filho, em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.

A Afasc apresentou, em um primeiro momento, uma proposta de 3,3%, corrigindo o salário, sem ganho real. Posteriormente, chamou novamente o sindicato e acrescentou mais 2%, totalizando 5,36%. “O piso nacional do magistério é algo recente, definido em janeiro de 2026. Mas sempre buscamos melhores salários. Em termos salariais, a Afasc é nivelada por baixo. O salário dos professores é equiparado ao de pequenas escolinhas, apesar de a instituição ser de grande porte. São mais de 800 profissionais atendendo mais de 5,5 mil alunos”, frisou.

Há um impasse nas negociações, pois o governo federal estabeleceu o piso nacional do magistério em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, valor que não é pago aos professores da Afasc. Atualmente, os profissionais recebem R$ 3.133,62 para a mesma carga horária. Com o reajuste de 5,36%, o salário passaria para R$ 3.301,58.

“A Afasc presta um serviço de excelência para as crianças do município de Criciúma e é contratada pela prefeitura. Esse é o ponto do impasse. Por ser contratada pelo poder público, os professores entendem que devem receber o piso nacional. Hoje, a diferença salarial em relação ao piso é significativa: os professores da Afasc ganham cerca de 63% a menos”, ressaltou.

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Há chance de greve?

Ao ser questionado sobre a possibilidade de greve, o presidente do sindicato afirmou que o cenário existe, mas exige cautela. “Claro que há esse risco, e é justamente isso que vamos discutir com os profissionais. Como sindicato, precisamos deixar a situação clara. Não é apenas a cláusula econômica que está em jogo, há outras cláusulas muito importantes que não podem ser perdidas. Entrar em greve pode ser arriscado, especialmente se ela for considerada ilegal. Nesse caso, os trabalhadores podem ter que retornar ao serviço em uma situação desfavorável, ou até enfrentar judicialização. Isso pode resultar não apenas na perda dos 2% adicionais já concedidos, mas também de outras conquistas importantes da categoria”, observou.

O presidente reforçou que a discussão deve ser ampla. “Precisamos tratar o tema com responsabilidade e calma. Independentemente do resultado da assembleia, a luta não vai parar”, garantiu.

A reportagem do Portal Engeplus procurou a assessoria de imprensa da Afasc, que informou que a instituição não irá se pronunciar sobre as negociações.

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