Encalhe de baleias-francas: entenda as causas e prejuízos para as espécies na temporada de migração
Perigo no mar
Apenas em junho, Sul de Santa Catarina já registrou duas ocorrências de encalhamento

A temporada das baleias-francas no Litoral Brasileiro começou mais cedo em 2024 e, com isso, aumentando também a possibilidade de encalhe durante a fase de migração das espécies. O Sul de Santa Catarina, apenas no mês de junho, já registrou duas ocorrências nos municípios de Jaguaruna e Imbituba, respectivamente, na Praia do Campo Bom e na Barra da Ibiraquera. Para explicar os prejuízos e as causas dessas ocorrências, a reportagem do Portal Engeplus entrou em contato com a diretora do instituto ProFranca, Karina Groch.
O encalhamento no município de Jaguaruna foi considerado o primeiro caso da temporada deste ano. A ocorrência foi registrada no dia 13 de junho e, durante dois dias, os órgãos ambientais responsáveis pelo Protocolo de Encalhes da APA da Baleia-Franca tentaram resgatar o animal, que morreu posteriormente. Já em Imbituba, o caso foi registrado nessa segunda-feira, dia 24. O animal, que era um filhote de baleia-franca-austral, conseguiu sobreviver após os esforços de resgate e também da alta maré na localidade.
Conforme a diretora do instituto ProFranca, é comum ser registrado às ocorrências de encalhes depois que começa a temporada de migração e reprodução das baleias-francas. Quanto maior a população de uma determinada espécie, maior a chance de ocorrer encalhes, uma vez que esses animais podem ter doenças, que podem provocar o encalhamento e também a morte do animal marinho.
“O problema é quando o encalhe é causado por meio de enredamento em artefatos de pesca ou colisão com embarcação, ou também pela perda de habitat por fatores como poluição. Por isso, é importante identificarmos a causa para que órgãos públicos possam tomar medidas de gestão visando minimizar estes problemas”, destaca Karina.
Um protocolo a ser seguido
De modo geral, a diretora do ProFranca explica que os principais fatores que provocam ocorrências de encalhe são: doenças, enredamento em artefatos de pesca, colisão com embarcações ou perdas de habitats, principalmente decorrentes de fatores como poluição. “Mudanças climáticas também podem interferir, já que podem comprometer a disponibilidade de alimento para estas espécies, principalmente as migratórias como as francas que se alimentam na região Antártica”, reforça.
Por conta disso, os órgãos ambientais, que atuam no Protocolo de Encalhes nas Áreas de Proteção Ambiental da Baleia-Franca, seguem determinados procedimentos para contribuírem no resgate das espécies. Os procedimentos foram estabelecidos com base em todas as experiências adquiridas em ocorrências de resgate de baleias-francas desde 2003, quando foi efetuado o resgate de uma baleia-franca encalhada na Lagoa Santa Marta, em Laguna. “Desde então as experiências que tivemos com outras baleias-francas, bem como outras espécies, nos permitiram aprimorar procedimentos visando realizar o melhor atendimento possível”, pontua Karina.
Duas baleias-francas já encalharam no Sul de Santa Catarina em 2024. (Foto: Divulgação/ProFranca)
O que fazer em casos de encalhamento?
Nesses casos, Karina orienta que a primeira coisa a ser feita é entrar em contato com os órgãos responsáveis atuantes nesses tipos de ocorrências, como as que fazem parte do Protocolo da Área de Proteção Ambiental da Baleia-Franca.
A coordenação do Protocolo de Encalhes e Emalhes é formada pela APA da Baleia Franca/ICMBio, Instituto Australis, Associação R3 Animal, Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC, Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski da UNESC, Corpo de Bombeiros, Capitania dos Portos e Polícia Militar Ambiental que trabalham em parceria para o atendimento de encalhes e emalhes na região da APA.



