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Encontro regional reforça luta por habilitação e reabilitação de pessoas cegas

Acessibilidade

Movimento aponta falta de políticas públicas no Sul de SC

Por Jessica Rosso Crepaldi17 de dezembro de 2025 4 min de leitura
Divulgação

O Comitê Estratégico de Construção do Movimento de Pessoas Cegas de Criciúma e Região destacou a importância da habilitação e reabilitação em um encontro no último domingo, dia 14. Na ocasião, estiveram presentes mais de 30 convidados, apoiadores e parceiros dos municípios de Criciúma, Cocal do Sul, Içara e Orleans. O grupo elaborou um documento que será entregue ao prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, nos próximos dias.

O coordenador do comitê, Francis Guimarães, explicou que a realização de um encontro com pessoas que acreditam na construção coletiva teve o intuito de fortalecer o caráter regional do movimento. “Foi um espaço de diálogo, escuta e troca de vivências, e também um momento importante para reforçarmos nosso compromisso em seguir trabalhando na construção de um movimento responsável, forte e representativo de pessoas cegas e com baixa visão em Criciúma e região”, afirmou.

Guimarães destacou que desde outubro, quando foi criado o comitê, foram feitos levantamentos de informações que apontaram que a região Sul de Santa Catarina encontra-se desassistida no que diz respeito a políticas públicas, serviços especializados e espaços adequados para a habilitação e reabilitação de pessoas cegas e com baixa visão.

“Reunimos algumas informações e elaboramos um documento que apresenta o cenário das pessoas cegas em Criciúma. Sabemos que há muitas pessoas cegas, porque uma conhece a outra, mas não temos um dado oficial. Essas pessoas acabam não saindo de casa e não têm acesso a muitos serviços, porque elas não têm autonomia, não têm habilitação e reabilitação, porque não é oferecido”, explicou o coordenador.

Ele destacou a necessidade de uma instituição com profissionais especializados em atendimento de pessoas cegas e com baixa visão, que possa fazer esse trabalho. “Pesquisamos sobre as documentações das duas instituições que existem aqui em Criciúma, mas ambas estão fechadas”, disse. A reportagem tentou contato com a instituição que disponibiliza contato, mas não obteve êxito.

O advogado que representa o comitê, Leonardo Apolinário Inácio, que também é deficiente visual, detalhou que será protocolado ainda essa semana um pedido de intervenção do Ministério Público (MP) para o funcionamento de uma instituição de habilitação, reabilitação e de direitos e da defesa de pessoas com deficiência visual no município e região. Segundo ele, o intuito é garantir que os próximos passos do comitê tenham legitimidade. "Vamos tentar agendar uma reunião para o retorno das atividades do Judiciário no final do mês de janeiro. O protocolo é o pontapé inicial, mas depois vamos sentar com a promotoria", disse.

(Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus/Arquivo)

Finalidade e áreas de atuação

O comitê tem como finalidade compreender e transformar a realidade das pessoas cegas e com baixa visão de Criciúma e região, promovendo uma cultura de acessibilidade, inclusão e autonomia. O grupo busca dialogar com o poder público, entidades, empresas e toda a sociedade civil, mostrando que as pessoas com deficiência visual podem e devem ocupar todos os espaços.

O trabalho envolve defesa e garantia de direitos, assegurados pela Constituição Federal, pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e por diversas outras legislações nacionais e internacionais que tratam da igualdade de oportunidades e da eliminação de barreiras; educação, com foco na habilitação e reabilitação, “áreas que hoje não contam com oferta na região”.

O grupo entende que, embora exista o Atendimento Educacional Especializado (AEE), o serviço não é suficiente, pois não oferece formação em tecnologias assistivas, orientação e mobilidade, nem atividades da vida diária, fundamentais para a plena emancipação da pessoa cega. “Além disso, o AEE atende apenas quem está matriculado em escolas, deixando de fora muitas pessoas que perdem a visão na vida adulta e que também necessitam desse apoio”, destacou o comitê.

A data destinada às pessoas cegas e com baixa visão foi celebrada no último dia 13.

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