Estreante indigesto
Entenda o que levou o Cuiabá a uma campanha surpreendente na Série B
Vice-presidente do clube concedeu exclusiva ao Portal Engeplus e projetou jogo com o Tigre
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O adversário do Criciúma nesta sexta-feira, dia 30, pela 20ª rodada da Série B é o Cuiabá. Um estreante na segunda divisão, mas que vem causando uma tremenda dor de cabeça nos times mais experientes, como o próprio Tigre que foi derrotado em casa pelo auriverde na largada da competição.
Para se ter uma ideia da façanha mato-grossense na Série B, lá vai: o time é 5º colocado com 30 pontos, apenas um atrás do Sport, que abre a zona de acesso para a Série A. Ainda não se convenceu? Então saiba que os comandados de Itamar Schülle têm a terceira melhor campanha jogando fora de casa, o quinto melhor ataque e a sétima melhor defesa. Nada mal para um “caçula” na competição, como define um dos proprietários e vice-presidente do clube, Cristiano Dresch.
Pés no chão
O momento estável do Cuiabá na tabela de classificação fez o Portal Engeplus buscar alguns motivos que podem explicar a boa campanha auriverde. E foi o próprio vice-presidente que deu algumas perspectivas sobre a rápida ascensão. “É o primeiro ano nosso na Série B, o Cuiabá é um clube novo. Nos preparamos fazendo um time competitivo para garantir a permanência. É um campeonato equilibrado, com orçamentos parecidos. Tirando o Bragantino, há um equilíbrio. Procuramos montar uma equipe de jogadores com experiência na Série B e que estavam disputando o Campeonato Paulista”, explica.
Além da montagem do plantel, que conta com Escudero, argentino de 32 anos com passagens por Vélez, Villarreal, Grêmio, Boca Juniors, Atlético Mineiro e Vasco, e João Henrique, meia com passagem pelo Criciúma, o Cuiabá também dispõe da Arena Pantanal. O estádio utilizado na Copa do Mundo recebe em média de 4,7 mil pagantes para jogos do Cuiabá e já rendeu um saldo bruto de quase R$ 700 mil nas nove partidas recebidas pela Série B.
Para o duelo com o Tigre, a expectativa é atingir um público de 10 mil torcedores. “Todos os jogos são difíceis e contra o Criciúma não vai ser diferente. É uma equipe com jogadores experientes e que conhecem a competição. Esperamos um grupo grande de torcedores, deve ser o maior do Cuiabá na Série B, em torno de oito a 10 mil pessoas. Vai ser difícil, não tem moleza, o equilíbrio financeiro faz que a competição seja parelha. Os jogos tem características diferentes, mas tem que ser competitivo. Encaixar. A Série B não é um campeonato de futebol exuberante, você precisa somar pontos”, argumenta Dresch.

Quase imbatível no pós-Copa América
Outro ponto alto da campanha auriverde são os jogos recentes. Para ser mais específico, todos os disputados após a Copa América. Mas para esclarecer esse ponto, vale contextualizar. Antes da parada da Série B, o time de Itamar Schülle fez uma boa arrancada, com vitórias sobre Criciúma e Operário. Depois caiu de produção e despencou na tabela.
Nos outros seis jogos disputados até a Copa América, foram dois empates e quatro derrotas em sequência. A 15º colocação fez o clube repensar e reforçar. “O primeiro jogo sempre é muito importante e tem um efeito na sequência. Depois, a partir da quinta rodada, passamos um momento difícil, terminamos a parada da Copa América em 15º e depois fizemos uma campanha muito boa, de recuperação. A cidade de Cuiabá tem condições de ter um clube brigando pela Série A. Fizemos mudanças na parte defensiva e deu resultado, os jogadores se comportaram muito bem”, conta o vice-presidente, que promete mais reforços para a sequência de temporada.
O primeiro objetivo é garantir a permanência e brigar lá em cima. Sabemos que agora teremos oito jogos em 90 dias e precisamos reforçar o elenco. É uma competição que se joga muito, estamos também na Copa Verde. O primeiro objetivo é se manter e depois tentar a briga pelo acesso.
Vice-presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch
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A recuperação citada pelo dirigente é reflexo de seis vitórias, quatro empates e apenas uma derrota no pós-Copa América.
O planejamento
O Cuiabá foi fundado em 12 de dezembro de 2001 pelo ex-jogador Gaúcho, mas só passou a jogar torneios profissionais em 2003. Em 2009, o clube foi vendido para a família Dresch, que já era patrocinadora da equipe.
Desde a primeira participação em competições profissionais, o Cuiabá conquistou uma Copa Verde (2015), nove campeonatos estaduais e três Copa Federação Mato Grossense de Futebol. Além do mais, já foi terceiro colocado na Série D do Campeonato Brasileiro (2011) e possui um vice da Série C (2018), onde jogou nove temporadas.
A próxima meta é atingir a Série A e figurar entre os grandes do país. Se vai acontecer ainda neste ano, Dresch prefere não arriscar um palpite, mas alerta: “O futebol aqui passou muito tempo dormindo, mas temos perspectiva de crescimento, potencial econômico, a Arena Pantanal e aqui o povo gosta de futebol. Temos condições sim e vai acontecer. Em um prazo curto estaremos disputando a primeira divisão do Campeonato Brasileiro”, projeta
Colocar uma data (para o acesso) é difícil. Acredito que vai acontecer em breve. Falando em Série B, o Cuiabá é um caçula, não tem experiência na competição, mas em função do trabalho realizado, da estrutura, pagamento em dia, de estar em um Estado rico e que cresce muito, tem a cidade com bom poder aquisitivo, a Arena Pantanal... acho que temos condições de estar na Série A em um momento próximo.
Vice-presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch
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Exemplo de sucesso de clube-empresa, Dresch vê essa plataforma como uma saída para os clubes brasileiros, a maioria com dívidas milionárias e algumas incontroláveis. “O sucesso depende do clube. Tem alguns que estão tentando manter essa gestão e podem ter problemas. O Cuiabá é assim desde a fundação. É um clube que conhece bem esse modelo de gestão. Os clubes tradicionais podem ter dificuldades, mas esse é o caminho”, explica.
Cuiabá e Criciúma entram em campo às 21h30, na Arena Pantanal. Você acompanha a partida na transmissão do Tabelando e também no minuto a minuto pelo Portal Engeplus. Lembrando que toda a sexta-feira também é possível acompanhar o noticiário do Tigre no Podcast Trinca Ofensiva.
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