Epilepsia além da convulsão: especialista revela cinco sinais pouco conhecidos da doença
Saúde
Neurologista explica sintomas que podem passar despercebidos

Uma das doenças neurológicas mais comuns no mundo, a epilepsia é cercada por desinformação. Muitas pessoas associam a condição apenas às convulsões, no entanto as crises epilépticas podem se manifestar de diversas formas, algumas bastante discretas, motivo pelo qual a condição pode passar despercebida.
De acordo com a neurologista Dra. Andreia Bittencourt Rodrigues, do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, as crises epilépticas acontecem devido a descargas elétricas anormais no cérebro, que interrompem temporariamente a comunicação entre os neurônios.
“Nem toda crise epiléptica se manifesta como convulsão. Os sintomas variam conforme a área do cérebro afetada e, assim, podem incluir alterações de consciência, comportamentos automáticos ou confusão mental, por exemplo. Reconhecer esses sinais é importante para buscar avaliação médica”, explicou a especialista.
Sinais de crise epiléptica
1. Lapsos de consciência
A pessoa pode parar de responder por alguns segundos, ficar com o olhar fixo ou aparentar estar “desligada”, retomando a atividade logo em seguida.
2. Confusão mental súbita
Momentos de desorientação ou dificuldade para compreender o que está acontecendo ao redor podem ser manifestações de crises focais.
3. Movimentos repetitivos e involuntários
Algumas crises provocam comportamentos automáticos, como mexer nas mãos, mastigar ou repetir gestos sem perceber.
4. Alterações sensoriais repentinas
Sensações incomuns, como sentir cheiros ou gostos que não existem no ambiente, além de alterações visuais ou auditivas momentâneas.
5. Desvio involuntário do olhar ou da cabeça
Em alguns casos, a pessoa pode virar os olhos ou a cabeça para um lado de forma involuntária durante a crise.
Causas e prevalência
Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5% da população mundial terá pelo menos uma crise epiléptica ao longo da vida, mesmo sem necessariamente receber diagnóstico de epilepsia. A doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequente nos extremos da vida, como na infância e na população idosa.
As causas são variadas e incluem desde fatores genéticos até lesões cerebrais, traumatismos cranianos, tumores, AVC e infecções do sistema nervoso central, como meningite. “Como as crises podem ter manifestações diferentes, o diagnóstico depende de avaliação clínica detalhada associada a exames complementares”, afirmou a neurologista.
O que fazer diante de uma crise
Crises epilépticas podem ocorrer inclusive em pessoas sem diagnóstico prévio da doença. Por isso, saber como agir diante de uma convulsão é fundamental para garantir a segurança do paciente. Segundo a Dra. Andreia, a primeira orientação é manter a calma e proteger a pessoa durante o episódio.
“É preciso manter a calma e chamar ajuda. Deitar a pessoa de lado para evitar aspiração de secreções e afastar objetos que possam causar ferimentos e aguardar o término da crise. Não é recomendado colocar objetos ou dedos na boca da pessoa ou tentar conter os movimentos à força”, alertou.



