Leitura

Erro deixa de ser desvio para se tornar reflexão sobre trajetória em livro de Eduardo Rosso

Criciúma

Empresário de Criciúma transforma experiência pessoal em obra

Por Rafaela Custódio22 de abril de 2026 4 min de leitura
Divulgação

A rotina aparentemente banal de escrever um e-mail abriu uma ruptura criativa que, anos depois, seria descrita nas páginas de um livro. Ao digitar o nome da própria empresa, E. Rosso, e ler “Erros”, o empresário criciumense Eduardo Rosso identificou um ponto de partida. A palavra resumia não apenas um deslize de digitação, mas um percurso de tentativas, quedas e reconstruções.

A ideia, que permaneceu adormecida por mais de uma década, resultou na obra Erros. Longe de uma autobiografia, o livro projeta um campo de reflexão sobre a função das falhas na formação humana, ao reunir experiências pessoais, contribuições de convidados e referências históricas.

Ao longo das 365 páginas, Rosso argumenta que o erro não deve ser compreendido como desvio a ser escondido, mas como componente central do processo formativo. “A grande virada foi entender que os erros não eram culpa”, afirma o autor.

A trajetória que fundamenta o livro atravessa diferentes contextos. Aos 51 anos, o criciumense acumula quase quatro décadas de atuação profissional, iniciadas ainda na adolescência, na olaria do pai. Transita por setores como transporte e confecção até alcançar maior visibilidade à frente de casas emblemáticas como o Diretório e o Bali Hai. Formado em Administração pela Unesc, onde hoje cursa Mestrado em Sistemas Produtivos, define-se como empreendedor movido pela criatividade e pela busca constante por oportunidades.

Nesse percurso, um episódio familiar assume peso estruturante na compreensão sobre erro e resiliência. “A empresa do pai quebrou, não tínhamos nem carro para andar. Aqui está a minha vitória”, afirma Rosso, ao situar a ruptura econômica da juventude como marco que reconfigura o olhar sobre perdas, reconstrução e autonomia.

Erro como construção, não como estigma ou culpa

A obra é organizada em 52 capítulos, distribuídos em sete partes que dialogam entre si. Cada seção explora dimensões distintas do erro que atravessa da infância à vida profissional, das relações familiares ao ambiente corporativo, compondo um painel que evidencia o papel estruturante do tema no cotidiano.

O livro articula três camadas narrativas. A primeira parte trata da contextualização do autor sobre cada tema; a segunda incorpora citações de figuras históricas, como Sócrates e Henry Ford; e a terceira traz reflexões de convidados, que somam cerca de 60 personalidades entre empresários, artistas, consultores e chefs, como Henrique Fogaça.

A proposta, segundo Rosso, nasce também da dificuldade social de lidar com o erro de forma aberta. “As pessoas falam do sucesso, mas escondem as falhas. Isso cria uma percepção distorcida de trajetória, como se tudo fosse linear”, observa.

O medo do julgamento aparece como um dos principais vetores desse comportamento. Desde cedo, sustenta o autor, indivíduos são condicionados a evitar o erro, o que impacta diretamente a capacidade de experimentar, reagir e inovar. Nesse contexto, o livro propõe uma mudança de perspectiva: compreender o erro como ferramenta de aprendizado e não como marca de fracasso.

Entre ciência, curiosidades e experiência

A investigação conduzida por Rosso também avança sobre aspectos cognitivos. O conceito de “DNA do erro” surge como tentativa de compreender como as falhas se estruturam desde a infância e adolescência, influenciando decisões ao longo da vida.

Paralelamente, a obra incorpora curiosidades que reforçam o argumento central. Invenções como a Coca-Cola, o Viagra, a penicilina e o Teflon exemplificam como erros podem conduzir a descobertas de alto impacto científico e econômico.

A estrutura fragmentada, com capítulos curtos e independentes, permite múltiplas formas de leitura. O livro pode ser percorrido de maneira linear ou consultado de forma pontual, como uma obra de cabeceira. A proposta dialoga com diferentes ritmos: uma página por dia ao longo de um ano, um capítulo por semana ou a leitura integral em poucos dias.

A narrativa encerra com a música My Way, de Frank Sinatra, que reforça a ideia de uma trajetória própria, marcada por escolhas, erros e recomeços.

Lançamento e pré-venda

A pré-venda da obra ocorre a partir de 23 de abril, pela plataforma da Amazon. O lançamento oficial está previsto para o dia 7 de maio, no Nações Shopping, com programação ao longo do dia e coquetel à noite. No dia 9 de maio, o livro será apresentado na Livraria Fátima, em sessão aberta ao público com autógrafos.

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