Escolas de Criciúma recebem projeto que transforma resíduos da merenda em energia e adubo orgânico
Educação ecológica
Iniciativa socioambiental terá duração de três anos e deve iniciar em outubro

Duas escolas de Criciúma receberam neste mês um projeto de educação socioambiental que transforma resíduos orgânicos da merenda escolar em biogás e biofertilizante. A iniciativa, desenvolvida pela BioMovement em parceria com a EcoLive Group, terá duração de 36 meses e chega ao município por meio de patrocínio privado. A EMEB Giácomo Búrigo, no bairro Mãe Luzia, é a primeira escola de Santa Catarina a receber o programa. Junto dela, também recebe o projeto a EMEB Filho do Mineiro, no Rio Maina.
O Programa de Educação Socioambiental Continuada nas Escolas utiliza um biodigestor para receber restos de alimentos e transformá-los, por meio da decomposição, em biogás, que poderá ser utilizado tanto no fogão da instituição quanto em outros ambientes.
O equipamento também transforma os materiais em fertilizante líquido, aproveitado em um viveiro com 60 mudas de árvores nativas em um sistema automatizado de irrigação. Ao longo dos três anos, a proposta é cultivar 180 mudas e realizar o plantio delas com a participação de estudantes, professores, familiares e voluntários.
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Projeto inovador
Na Giácomo Búrigo, o equipamento foi instalado no dia 2 de setembro e ainda passa pelo período inicial de ativação. Segundo a gestora da escola, Giseli Felisberto Manique Barreto Martins, são necessárias cerca de três a quatro semanas para que o biodigestor atinja as condições necessárias para começar a gerar o gás. Depois disso, os resíduos da merenda deverão passar a integrar um ciclo de reaproveitamento dentro da própria unidade.

“Estamos muito felizes porque é algo inovador, que não conhecíamos, e que com certeza será mais uma fonte de pesquisa e conhecimento para as crianças. Vamos primeiramente receber uma formação, de como funciona o novo equipamento, e, então, iremos introduzi-lo também no currículo escolar. Além do uso diário, os alunos, que já praticam a separação de resíduos, também poderão usar para fins educativos”, contou.
Giseli explicou que, na escola, o projeto será integrado às ações de sustentabilidade que já são desenvolvidas há anos e envolvem diretamente os estudantes. Segundo a gestora, a instituição mantém iniciativas como horta, separação de recicláveis, minhocário pedagógico, campanhas de conscientização, descarte correto, entre outras atividades.
“Com as atividades já realizadas, buscamos uma educação socioambiental com os alunos, demonstrando através da consciência ambiental que podemos, por exemplo, ajudar outras pessoas. Agora, no novo projeto, esperamos que aprendam sobre o consumo consciente, o não-desperdício de alimentos. Além de uma palestra com nutricionista, vamos mostrar que o que descartamos, se feito de maneira consciente, terá um ciclo sustentável, rotativo”, explicou.
Iniciativa privada
Segundo o CEO da BioMovement, Leandro Toledano, a proposta vai além da instalação do equipamento e busca transformar o biodigestor em uma ferramenta de educação ambiental. “O que levamos para Criciúma é um programa de educação. Além do biodigestor, temos o viveiro, sistema de irrigação, acompanhamento técnico, visitas e atividades pedagógicas”, explicou. Ele ainda conta que o equipamento pode receber até 10 quilos de resíduos de alimentos por dia, gerando até 6 horas de queima do gás no fogão.
A estimativa apresentada pela empresa é de que cada equipamento possa representar o equivalente a cerca de 2,5 botijões de gás de 13 quilos por mês, além da produção do biofertilizante. Ao longo dos 36 meses, o programa estima o aproveitamento de 10,8 toneladas de resíduos, a redução de 21,6 toneladas de CO₂ equivalente e o cultivo de 180 mudas nativas.
As duas escolas de Criciúma estão entre as primeiras unidades de Santa Catarina a receber o programa de educação socioambiental da BioMovement com patrocínio privado. Segundo Toledano, o programa foi lançado em abril de 2026 e está presente em cinco estados brasileiros.
“As escolas em Criciúma receberam o programa por meio dessa parceria, em que o município abraçou a proposta e recebeu a doação da empresa patrocinadora. Para o município, o custo é zero. Depois de três anos, o biodigestor fica como doação para a escola. O patrocinador não paga mais, mas o equipamento permanece na unidade”, finalizou.



