Investigação
Falta resposta e sobra angústia: família de Criciúma a espera de uma solução para homicídio
Marcelo Botelho Martins, de 48 anos, foi morto a tiros no bairro Quarta Linha
Por Rafaela Custódio
4 min de leitura

A família de Marcelo Botelho Martins, de 48 anos, morto a tiros no dia 14 de novembro de 2021, ainda aguarda respostas sobre o homicídio. A vítima foi morta em uma parada de ônibus após sair do trabalho, no bairro Quarta Linha, em Criciúma. Desde a noite do crime, parentes vivem diariamente a angústia de possuírem perguntas sem respostas até o momento.
Quem matou Martins e qual o motivo? São questionamentos realizados diariamente por Santa Fé Botelho Martins, de 82 anos, mãe da vítima. "Nunca encontraram nada dele. Ele era honesto, comedido e todos ficaram surpresos com a morte. Uma pessoa de respeito e que era admirada pela família e amigos próximos", enfatizou. "Nunca encontraram quem cometeu o crime. Não quero que ninguém suje o nome do meu filho com informações falsas, mas é um crime que precisa ser solucionado", acrescentou.
"Chegaram a acusar de ele estar em um bar dois dias antes de sua morte, porém ele nunca foi. Isso é uma mentira. Ele era uma pessoa boa com todos os familiares. Era um filho muito bom. Se não tem nada na rua, é necessário buscar respostas em outros lugares, como na empresa", observou.

Santa e Marcelo moravam juntos e os dias sem ele estão sendo complicados. "Tem sido tão difícil viver sem ele. Ele não era de discutir. Ele trabalhava na área de segurança do trabalho e cobrava, ou seja, exercia a sua função. Ele quebrou o pé um ano antes do crime, mas nunca comentou nada sobre o serviço. Ele queria sair do trabalho e não gostava do local, porém precisava trabalhar e exercia sua função. Alguém mandou matar ele, é preciso achar quem foi", afirmou.
Para a mãe, Marcelo não foi morto por engano. "Foram tiros certeiros. Haviam mais pessoas no local e acertaram ele. Tenho certeza que queriam matar ele, e conseguiram. Ele voltou de férias e estava indo de ônibus para economizar, pois tinha carro. E, justamente quando ele começou a ir de ônibus, o mataram", contou.
Quem era o Marcelo?
Marcelo era solteiro, natural de Criciúma, não tinha filhos, morava com a mãe e trabalhava há dois anos na cidade. Antes, ele atuou em uma empresa de Tijucas por 15 anos. "Tive nove filhos e ele foi o penúltimo. Ninguém faz ideia da falta que ele faz para nossa família. Tanto para os irmãos, quanto para sua afilhada. Não podem finalizar as investigações sem ter uma solução. Ele não tinha um inimigo e era muito educado, mas talvez isso incomodou alguém", comentou.
Santa ainda destaca a parceria entre os dois. "Ele era uma pessoa maravilhosa. Nós fazíamos as coisas juntos e morávamos sozinhos. Imagina a dor que tenho sentido? Não temos advogado, estamos esperando pela Justiça", destacou.
Polícia Civil segue investigando o crime
As investigações do crime são lideradas pelo delegado André Milanese, coordenador da Divisão de Repressão a Entorpecentes da Divisão de Investigação Criminal (DRE/DIC) de Criciúma. "Não temos nenhuma novidade. O caso continua sendo investigado. O prazo legal para finalizar um inquérito policial é de 30 dias, mas o prazo pode ser renovado caso necessário, como está acontecendo agora", explicou.
Ao ser questionado sobre as investigações no local em que Martins trabalhava, o delegado foi enfático. "Checamos esta informação, mas a princípio foi descartada. A vítima não tinha nenhum histórico de envolvimento com crime. Era uma pessoa introvertida e tranquila. Era solteiro e não costumava sair de casa. O caso está sendo investigado", pontuou.
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