Família de jovem morto ao ser atingido por carro da DTT protesta contra prefeitura: 'fingem que nada aconteceu'
Clamor por justiça
Acidente aconteceu no último final de semana e motorista da Ducato recusou teste do bafômetro

Familiares e amigos de Adrian Guimarães Bernardo, de 22 anos, morto em um acidente de trânsito envolvendo um Fiat Ducato da Diretoria de Trânsito e Transporte de Criciúma (DTT), buscam justiça e cobram providências da Prefeitura de Criciúma. Neste sábado, dia 4, o grupo realizou carreata pelas ruas de Criciúma, que terminou com manifestação no Parque das Nações.
O irmão da vítima, Edirlei Guimarães Bernardo, 27 anos, acusa a Prefeitura de Criciúma de ignorar a situação. Além do mais, ele acredita que o motorista da Ducato não poderia responder em liberdade e que o crime ao qual ele deveria ser acusado é de homicídio doloso e não culposo. “Ele fugiu do local, mas foi levado de volta. O policial colocou no BO (Boletim de Ocorrência) sinais de sonolência e não colocou embriaguez. Ele negou o teste do bafômetro e não sabemos se fez o teste de sangue. No BO só fala sinais de sonolência. A família está no escuro, não sabemos o que aconteceu, todas as testemunhas falam que ele estava embriagado. Todas as testemunhas deram a mesma versão dizendo que ele estava alterado”, relata.
Carro irregular
Conforme apurado com exclusividade pela reportagem do Portal Engeplus, o veículo da DTT estava com documentação atrasada, transitando com licenciamento anual de 2021, já que possui débitos ocasionados por multas e que não haviam sido quitados. Em Criciúma é de responsabilidade do servidor público o pagamento de infrações por ele cometidas.
Após o acidente, o motorista do Fiat Ducato negou o teste do bafômetro. O carro foi guinchado e encaminhado ao pátio da empresa que possui convênio com o Departamento de Trânsito de Santa Catarina (Detran/SC) para a remoção de veículos, conforme mostrou o rastreador de carros da Prefeitura de Criciúma, disponibilizado no Portal da Transparência.
Edirlei entende que um simples movimento de prudência do motorista poderia ter evitado a morte do irmão. O Fiat Ducato seguia pela avenida Universitária e ao acessar a avenida Assembleia de Deus colidiu na moto Honda CG Titan, onde estava Adrian. A vítima, moradora de Forquilhinha, morreu ainda no local do acidente.
“O motorista entrou no recuo e era pra ter parado. Após o acidente ele fugiu, mas o carro que estava atrás fez ele parar e retornar. Na hora que fugiu, provavelmente ligou para o advogado, porque logo depois o advogado chegou no local do acidente. Era só o motorista ter respeitado a lei”, argumenta.
“Meu irmão tinha um coração bom, dividia tudo que ganhava”
Durante entrevista por telefone na tarde deste domingo, dia 5, Edirlei buscou palavras para falar sobre o irmão, cinco anos mais novo que ele. Com a voz embargada, lembrou que Adrian dividia tudo o que ganhava. Quando o acidente aconteceu, Adrian recém havia saído do serviço e há poucos minutos tinha conversado com o pai, Ednei Bernardo.
“Era um guri bom, desde pequeno já tinha o coração bom. Tudo que ganhava da mãe e do pai ele dividia. Não tinha tempo ruim pra ele. Era trabalhador, trabalhava comigo como motoboy e naquela semana parou para ajudar o pai como servente de pedreiro. Ele estava voltando do serviço, foi o último a sair e conversou com o pai sete minutos antes do acidente”, conta.
Adrian voltava do trabalho quando foi atingido pelo Fiat Ducato da DTT. (Foto: Divulgação)

Família espera contato do prefeito
Outro lamento da família é a falta de contato e satisfação da prefeitura e do prefeito Clésio Salvaro, já que o veículo faz parte da frota da prefeitura e é de responsabilidade da municipalidade. Um dia depois do acidente, o Portal Engeplus ouviu o prefeito Salvaro durante entrevista realizada no Parque Altair Guidi. Ele lamentou a morte de Adrian, disse que o Fiat Ducato deveria estar regular e que o acidente precisa ser investigado antes de “pré-julgamentos ou pré-condenações”.
“É lamentável. Não deveria ter nenhum atraso. A ordem na prefeitura é que toda frota esteja rigorosamente em dia. Será uma excepcionalidade se este carro não estiver em dia. Tomei conhecimento do caso logo após o acidente. Vamos tomar todas as providências. Se o motorista for culpado, ele terá as sanções que couber. Ele é funcionário da prefeitura. Não vamos fazer pré-julgamentos ou pré-condenações. Vamos dar a ele o direito de defesa. Foi uma vida perdida de alguém que tinha um futuro todo pela frente", disse.
Para Edirlei, a prefeitura erra ao não prestar assistência e não fazer contato com a família. “Isso é o que realmente a prefeitura faz ao mexer com uma pessoa dela. Por ser funcionário público acham que são deuses. Não entraram em contato conosco, nem o Salvaro, nem a prefeitura e nem a DTT, fingiram que nada aconteceu. Fizemos a carreata para mostrar o que a prefeitura está fazendo. O Salvaro está bem feliz no campeonato de skate e dando risada, mas com a gente não teve nenhuma manifestação. Ele finge que nada aconteceu, não buscou a família, não falou com a minha mãe (Ivanete Guimarães Machado)”, reclama.
Adrian deixou uma filha de 1 anos e 11 meses, para quem a família entende que a prefeitura deve pagar pensão para minimizar os danos financeiros causados pela ausência do pai. Para isso, um processo será movido contra o Paço Municipal. “Esse acidente tirou o pai dela e queremos justiça, que assumam alguma responsabilidade”, pede Edirlei.
A Polícia Civil montou um inquérito para apurar o caso, tratado como homicídio culposo, que é quando não há intenção de matar, mas por imprudência, imperícia ou negligência, uma pessoa acaba tirando a vida de outra. Em nota, o Ministério Público (MPSC) disse que a liberdade provisória ao motorista foi concedida mediante o cumprimento de medidas cautelares como “pagamento de fiança, manter o endereço atualizado nos autos; comparecimento ao juízo sempre que intimado; e proibição de mudar de endereço e/ou ausentar-se da Comarca de residência por mais de 30 dias sem autorização judicial".
A família afirma que seguirá pedindo por justiça e não descarta novas manifestações para chamar atenção da população e do poder público para o caso.
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