Fauna criciumense: monitoramento de animais, resgates e a busca pela diversidade silvestre
Criciúma
Perfil nas redes sociais registra os animais em Criciúma

Um macaco bugio foi avistado em Criciúma no último mês e circulou novamente pelas ruas da cidade no último fim de semana. Não é comum este bicho andar pelas vias do município, todavia, é mais normal do que se imagina a quantidade de animais silvestres que estão na capital do carvão. O trabalho de cuidar, monitorar e resgatar esses bichos é feito por profissionais como a fiscal de meio ambiente Jade Martins Colombi e o funcionário da Diretoria de Meio Ambiente Vítor Bastos.
As imagens capturadas pelos profissionais são registradas nas redes sociais em um perfil com 2,5 mil seguidores. A ideia surgiu em julho de 2020, quando a vivência quase que diária com animais e muitos resgates realizados junto ao colega de trabalho Valmir Gomes proporcionaram uma experiência enriquecedora com a fauna silvestre. "Percebemos que tínhamos muitos registros fotográficos e filmagens valiosas dos nossos animais. Por isso, entendemos que a população também deveria ter acesso a esses registros", destacou Jade.

Atualmente, Bastos é quem movimenta a página com as filmagens inusitadas de suas armadilhas fotográficas. “No momento, existem quatro pontos sendo amostrados na região de Criciúma para o estudo da fauna silvestre. O estudo começou em dezembro de 2020 e segue em andamento. As câmeras já capturaram 12 espécies de mamíferos de médio e grande porte, como o gato-do-mato-pequeno e cachorros do mato, além de dezenas espécies de aves”, contou. "Ouriços e capivaras são muito comuns, como também o gambá-de-orelha-branca, um animal já habituado a viver no ambiente urbano. Já a irara e o mão-pelada pouca gente sabe que existe. Temos espécies com registros mais ocasionais, como o tamanduá-mirim, a cutia, o furão-pequeno e o tatu-galinha", completou Bastos.
Segundo Jade, a principal intenção do trabalho é difundir a diversidade da fauna silvestre existente no município de Criciúma e região para todas as classes e faixas etárias. "Fornecer informações relevantes de cada animal, porque um gambá ou um morcego é tão importante? É isso que queremos ensinar às nossas crianças. Com isso também implementamos o Projeto Faunativa Criciúma nas escolas do município. A vulnerabilidade a qual estão sujeitos nossos animais e as problemáticas ambientais também são abordadas na palestra", comentou.

Conforme Jade, são diversos chamados de resgates ou até mesmo informações e curiosidades sobre animais e seus hábitos, por exemplo, a ocorrência de quatis próximos ao Morro Cechinel e os bugios existentes no bairro Linha Batista. “Aproveitamos todos esses dados para futuras pesquisas", detalhou.
“A conservação dos fragmentos florestais é essencial para o mantimento da nossa fauna, ao mesmo tempo que necessita desta para sobreviver. Sem animais não há vegetação preservada e vice-versa. Nos blocos de mata vive uma biodiversidade complexa. São refúgios da fauna, protegem mananciais e regulam o microclima. Os animais silvestres são necessários à nossa qualidade de vida. É questão de saúde pública. Mantê-los em seus habitats é uma forma de garantirmos o equilíbrio que tanto queremos”, afirmou Jade.
Caso bugio
O bugio é o caso mais recente e chamou a atenção de muitos moradores da cidade. Bastos explica que trata-se de uma espécie que vive em grupos, portanto, machos podem ser expulsos do grupo, tendo que achar uma nova área de vida e outros indivíduos. “Foi o que possivelmente aconteceu com o bugio criciumense, que apareceu no dia 24 de dezembro, saindo da Próspera em direção ao Morro do Céu. No dia 23 de janeiro, ele fez o sentido contrário, tentando voltar pro morro da Próspera. Felizmente, ele foi capturado juntamente com os bombeiros e solto em uma área bem extensa de mata e longe casas e estradas”, finalizou.



