Fevereiro Roxo: mês enfatiza a importância da conscientização sobre a fibromialgia
Dor invisível
Doença crônica causa dores intensas, dificultando rotina de portadores

Entre as cores escolhidas para representar as doenças, fevereiro traz o roxo, que enfatiza a importância da conscientização das doenças crônicas, como a fibromialgia. A doença é autoimune e considerada quase que invisível. Por isso a necessidade de manter um debate acerca dela e, ao mesmo tempo, lutar por melhorias e pelas necessidades dos pacientes que recebem esse diagnóstico.
De acordo com a portadora e vice-presidente do Conselho de Saúde de Criciúma, Losinete Bez Fontana da Silva, apesar ter um mês especifico em que a conscientização é mais abordada, o tema deve ser discutido em todos os períodos no ano. “É muito importante que a mídia e que a sociedade como um todo entenda que a dor da fibromialgia, é uma dor invisível. Porém, quem sente fica bem claro na fisionomia a tristeza e a dor da cada um”, expressou.
Sem diagnóstico certo
Losinete descobriu que tinha a doença, após a realização de duas cirurgias na coluna, local de onde ela achava virem as dores. Mas, no fim, descobriu que eram, na maioria, fruto da fibromialgia. “Descobri em 1994, quando tive que refazer a coluna duas vezes, colocando o pino. Depois entendi que 90% das dores não eram da coluna, e sim da própria fibromialgia. Essa doença para mim é devastadora. Ela mexe tanto com o teu emocional, quanto com o psicológico”, destacou a portadora.
Uma das coisas que acabam vindo em decorrência da descoberta da doença, é a depressão, que pode atrapalhar até o relacionamento do paciente com a família. “Ela mexe com a tua estrutura. Muitas vezes o familiar não entende por que você está deitada ou em um momento de crise. Sabemos de relatos terríveis que acontecem com familiares”, revelou Losinete.
Por fazer parte do conselho de saúde municipal, a portadora está em contato direto com os pacientes que necessitam de ajuda. “A maior dificuldade que nós fibromiálgicos vimos no dia a dia é conscientização e, que os médicos acreditem em seus pacientes quando eles relatam a doença. Não são todos os médicos que aceitam e acreditam nessa doença. Acham que é coisa da cabeça dos pacientes”, ressaltou Losinete.
Como funciona a doença?
A fibromialgia é uma doença crônica que causa dores intensa no corpo da pessoa que possui. Ela não tem cura e o tratamento, que diminui os sintomas, pode causar outros problemas, tendo ainda, um custo alto. “Nós não temos um estudo específico que diga qual é o tipo de exercício que devemos fazer, nem uma medicação que vai amenizar sem causar problemas. Precisamos ter estudos e obter resultados”, frisou.
Um dos pontos mais importantes para um portador da doença é a compressão da família e a prática de exercícios físicos no dia a dia. "A gente muitas vezes não tem a compreensão dos nossos próprios familiares. Outro ponto que ajuda bastante é o exercício. A hidroginástica, por exemplo, onde não temos o auto e baixo impacto. Pois se você vai fazer uma academia, mexe com a parte muscular e pode acarretar problemas”, completou Losinete.
Quem tem a fibromialgia acaba, muitas vezes, se isolando em seu próprio "mundinho" e não interagindo com as pessoas, por conta das dores. “O que mais me ajuda a seguir com uma vida tranquila é o respeito, dinamismo e o conhecimento. Uma dica é as pessoas buscarem algo para distrair, um clube de mãe ou algo que te traga lazer. Algo que satisfaça a pessoa e que a distraía, para não ficar somente pensando na doença”, concluiu.



