Formatura celebra conclusão de uma trajetória de aprendizado, cuidado e transformação na Unesc
Celebração
Cerimônia marcada pela emoção e pelas lembranças de uma caminhada construída entre aulas

Antes de receberem o diploma, os estudantes já não eram os mesmos que haviam entrado na Unesc anos antes. A graduação havia transformado dúvidas em conhecimento, experiências em aprendizado e escolhas em profissão. Foi essa trajetória que familiares, amigos, professores e gestores celebraram na noite desta sexta-feira, dia 14, no AM Master Hall, em uma cerimônia marcada pela emoção e pelas lembranças de uma caminhada construída entre aulas, estágios, trabalhos, descobertas e desafios.
A solenidade teve como paraninfa a secretária de Estado da Educação e reitora licenciada da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta. Ao falar aos afilhados, ela definiu a formatura como um rito de passagem entre a vida acadêmica e a profissional, mas também como o momento de reconhecer tudo aquilo que foi construído ao longo da caminhada.
“A colheita está posta para todos igualmente, mas ela depende da semeadura. Escolham, portanto, boas sementes em cada uma das decisões e atitudes que adotarem a partir de agora”, afirmou Luciane.
A paraninfa lembrou que aquilo que um dia foi sonho tornou-se realidade e representa um dos primeiros grandes passos da vida adulta. “O passado é o ontem. Não volta mais. Apenas nos ensina a não cometer novamente os mesmos possíveis equívocos. Já o presente é o instante que separa aquilo que foi vivido do futuro, que se apresenta como ‘uma página em branco’ a ser preenchida pelas escolhas de cada um”, afirmou.
Ao olhar para o caminho percorrido pelos estudantes, Luciane também destacou que a formação não se resumiu aos conhecimentos específicos de cada profissão. Ao chegarem à Universidade, eles se tornaram aprendizes de Psicologia, Nutrição, Farmácia e Tecnologia em Estética e Cosmética, mas também de ética, princípios, valores humanos, honestidade e cuidado com o outro.
Luciane também comparou a trajetória dos estudantes à de um rio, que encontra seu espaço ao longo do percurso. Para ela, a graduação foi parte desse caminho de descobertas, no qual o conhecimento técnico passou a dividir espaço com valores que acompanharão os profissionais depois da Universidade. “Cuidar. Uma palavra revestida de tantos conceitos, mas que pode ser resumida em um olhar atento, um sorriso acolhedor, um abraço apertado, uma escuta qualificada”, definiu.
Para ela, Farmácia, Nutrição, Psicologia e Estética e Cosmética encontram nesse cuidado um dos sentidos mais importantes do exercício profissional. É a capacidade de reconhecer que, diante de cada atendimento, existe uma pessoa com uma história que precisa ser considerada.
Aos novos profissionais, Luciane também deixou um alerta sobre a ideia de sucesso. O esforço, segundo ela, torna o caminho mais fácil, mas não garante sozinho a vitória. É preciso compreender os próprios limites, reconhecer as quedas, aprender com elas e ter força para recomeçar.
Ao falar sobre a linha de chegada, a paraninfa propôs uma mudança de perspectiva. O momento da conquista ganha significado não apenas porque o objetivo foi alcançado, mas porque permite olhar para trás e reconhecer tudo o que foi necessário superar para chegar até ali.
A mensagem chegou a um dos pontos centrais do discurso quando Luciane falou sobre a necessidade de seguir em frente. Depois de lembrar que novos desafios certamente surgirão, ela citou Friedrich Nietzsche para reforçar aos formandos a importância da resistência diante dos obstáculos. “Resistam. Sigam em frente. Não recuem diante de nenhum pretexto”, afirmou.
Ao encerrar a fala, a paraninfa retomou a ideia dos sonhos e deixou aos afilhados uma mensagem de incentivo. “Não recuem jamais dos seus sonhos. Vocês merecem muito ser felizes. Contem sempre comigo”, afirmou.
O cuidado como escolha
Entre as quatro áreas que celebraram a conclusão da graduação, existe um ponto de encontro: o cuidado. O conhecimento técnico aprendido em sala de aula ganha outro significado quando encontra pessoas, histórias, necessidades e diferentes formas de viver.
A ideia também apareceu no discurso dos oradores da turma Luiza Custódio Eyng e Rafael de Biasi Philippi. Ao relembrar a caminhada, eles mostraram como cada graduação ensinou muito além dos conteúdos específicos de suas áreas.
Na Psicologia, a experiência passou pelo contato com o Sistema Único de Saúde (Sus) e o Sistema Único de Assistência Social (Suas), pelos primeiros atendimentos e pela compreensão de que a relação com o outro exige postura, ética e acolhimento. Na Nutrição, o conhecimento ganhou rosto e história nos estágios. Na Estética e Cosmética, a profissão revelou-se também como uma possibilidade de contribuir para a autoestima. Na Farmácia, o aprendizado sobre medicamentos foi acompanhado pela compreensão da responsabilidade de atuar na saúde e no bem-estar das pessoas.
É preciso saber viver
“É preciso saber viver”. Foi a partir dessa reflexão que a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes levou para a cerimônia uma música que atravessa gerações. Ao citar “É Preciso Saber Viver” na versão consagrada pelos Titãs, ela propôs aos formandos uma reflexão sobre as escolhas, os desafios e a própria maneira de conduzir a vida.
A canção lembra que o caminho também apresenta pedras e espinhos, mas que é possível fazer escolhas diante deles. Gisele relacionou a ideia de saber viver ao compromisso com a própria vida, a saúde física e mental e o equilíbrio entre o que se deseja e aquilo que é possível conquistar em cada fase da existência.
A mensagem ganhou um sentido especial diante de uma turma que, como toda trajetória universitária, precisou enfrentar dúvidas, dificuldades e perdas. “Persistam naquilo em que acreditam. Lutem por um mundo melhor, com consciência da realidade, com responsabilidade, mas, sobretudo, com dignidade. A nossa Unesc só existe porque temos estudantes comprometidos com o diálogo e com a construção conjunta e compartilhada de futuros possíveis”, enfatizou Gisele.
A reitora em exercício também lembrou que ninguém constrói uma vida plena sozinho. As relações, a capacidade de aprender com as diferenças e a disposição para crescer junto com o outro fazem parte do legado que cada profissional deixa por onde passa.
A reflexão dialogou diretamente com a formação dos estudantes. Na Unesc, a construção do conhecimento acontece por meio do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, mas também nas relações estabelecidas ao longo da caminhada. Em 2025, a área da saúde da Universidade realizou mais de 252 mil atendimentos gratuitos à comunidade, além das experiências proporcionadas pela iniciação científica e pelos projetos comunitários.
Conquista pavimentada por muitos
O diploma chega às mãos dos formandos, mas a trajetória até ele também foi construída por quem esteve do outro lado da sala de aula, em casa, nos momentos de dúvida e nas pequenas conquistas do cotidiano. Pais, mães, familiares e amigos dividiram esperas, dificuldades e comemorações até que a noite da formatura finalmente chegasse.
A celebração também foi marcada pela ausência. Alguns dos que fizeram parte da caminhada não chegaram ao momento de receber o diploma. A lembrança dos colegas Olavo Aloizo Barroso e Luis Fernando Dorigon Hespanhol trouxe à cerimônia uma dimensão de memória e saudade. “Que seus nomes permaneçam. Que suas histórias sejam lembradas. Que suas memórias continuem presentes entre nós”, afirmou Rafael ao lembrar dos colegas.
Diploma como ponto de partida
Para Gisele, a conclusão da graduação também precisa ser entendida como um convite para continuar aprendendo. A Universidade permanece como espaço de possibilidades para quem deseja avançar na formação, seja por meio de especializações, mestrado, doutorado ou residência multiprofissional.
Mas o futuro, como lembrou Luciane aos formandos, ainda está em aberto. Depois de anos de aulas, estágios, descobertas, dificuldades e conquistas, cada um passa a escrever uma nova página da própria trajetória.
“Hoje recebemos um diploma. Mas levamos muito mais do que isso. Levamos histórias. Amizades. Aprendizados. Cicatrizes. Conquistas. E, principalmente, a certeza de que fomos capazes”, afirmou Luiza.



