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'Frase irônica' teria motivado atentado contra família em Tubarão, diz Polícia Civil
Adolescente suspeito de cometer o crime não foi o responsável por efetuar os disparos
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A Polícia Civil esclareceu o atentado contra uma família de Tubarão ocorrido na noite do dia 14 de agosto, no bairro Rio do Pouso. De acordo com as investigações, o adolescente acusado de cometer o crime não foi o responsável por efetuar os disparos. As diligências apontaram ainda que uma “frase irônica” teria sido motivado do crime.
Conforme apurou a Polícia Civil, o adolescente de 16 anos vinha tendo uma relação com uma menina, de 11 anos. Por não aceitar o relacionamento, o padrasto da menina discutiu com o suspeito. Durante a briga, o adolescente afirmou que fazia parte de uma facção criminosa. Para intimidar o rapaz, o padrasto também disse ser de um grupo criminoso rival da facção da qual o adolescente fazia parte. Ele ainda teria acrescentado que não aceitaria o relacionamento do jovem com sua enteada.
Com a informação, o adolescente contou para seus colegas de facção que o pai da menina fazia parte de uma organização criminosa rival. Na noite do mesmo dia três faccionados foram até a casa da família e efetuaram disparos de arma de fogo. Os tiros que tinham como alvo o padrasto da menina, atingiram o homem no braço. Atrás dele estava a sua esposa, de 31 anos, e seu filho, de 2 anos, que foram baleados acidentalmente. Ela foi atingida na barriga e morreu momentos depois. O bebê foi alvejado nas costas, rosto e braço e segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“O adolescente pegou a informação de que o padrasto da menina com quem ele tinha relacionamento seria de uma facção rival. Como aquela localidade é um ponto de tráfico de drogas comandado pela facção rival da que o padrasto disse fazer parte, o adolescente levou a informação para os colegas da sua facção e os adultos montaram uma emboscada, indo até a casa da família para matar o padrasto da menina”, explicou o delegado André Crisostomo, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão.

Operação Santo Anjo
Buscando elucidar o caso, a Polícia Civil, por meio da DIC e da Delegacia da Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) deflagrou a Operação Santo Anjo. O objetivo foi cumprir quatro mandados de prisão temporária e um mandado de internação provisória. Os suspeitos, de 18, 23 e 27 anos, além do adolescente de 17 anos, foram detidos e levados para a delegacia. Um quarto suspeito também foi preso, mas liberado depois de prestar depoimento, já que não ficou comprovada sua participação no crime.
As investigações levaram a Polícia Civil a confirmar que o adolescente não foi o responsável pelos tiros e não estava na casa na hora do crime. A polícia também garantiu que não houve indícios de que o pai da menina tem envolvimento com os faccionados.
“Pelos depoimentos que foram coletados, esta fala de que ele [padrasto] faz parte de uma facção criminosa aconteceu de forma irônica. O adolesceste disse que era de uma facção e o padrasto da menina, desprezando a fala do adolescente, respondeu que ele também era de outra e não queria que se relacionasse com a enteada dele”, acrescentou o delegado.
Crimes
Apesar de não ter efetuado os disparos, o adolescente vai responder pelo ato infracional análogo ao crime de homicídio duplamente qualificado consumado e dois tentados e também por ato infracional ao crime de organização criminosa. Uma vez que a atitude dele se deu com o intuito de promover a organização criminosa. Ele vai cumprir internação provisória a princípio por 45 dias para responder o procedimento na Vara da Infância e, se for sentenciado, permanecerá internado.
Já os adultos respondem por dois crimes de homicídio tentado e um consumado, todos qualificados por motivo torpe e impossibilidade da defesa da vítima, além dos crimes de organização criminosa e corrupção de menores.
A delegada regional de Tubarão, Carolini Portão afirmou que o caso é considerado elucidado, já que alguns dos envolvidos indicaram as participações no crime e outros confessaram ter envolvimento com o caso.
Os presos foram encaminhados ao Presídio Regional de Tubarão e o adolescente ao Casep, onde permanecerão à disposição da Justiça. Participaram da coletiva ainda o delegado Bruno Martins, também da DIC de Tubarão, e o delegado Lucas de Sá Resende, da DPCAMI de Tubarão.



