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Funcionários de empresa estão sem moradia, alimentação e salários

Salários não são pagos há 60 dias. Empresa abandonou sede administrativa

Por Redação Engeplus

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Foto: Douglas Saviato/Daiana Carvalho

Trabalhadores contratados para desempenhar a obra de execução do Plano de Revitalização de área degradada, localizada às margens da rodovia Jorge Lacerda no bairro Sangão, em Criciúma, estão sem moradia, alimentação e sem receber salários há 60 dias. A execução da obra é de responsabilidade da empresa Petrobras Gás S.A Gaspetro, que terceirizou o serviço para a Estre Ambiental, que assumiu a gestão da obra. Entretanto, a carteira dos funcionários foi assinada por outra empresa. “Viemos aqui, fizemos a integração e fomos contratados pela Estre, mas quando recebemos a carteira, vimos que o carimbo era de outra, a HC”, afirma o motorista Anderson Anibal, ao se referir a empresa Hoffman e Carling (H&C), uma das empreiteiras contatadas pela Estre.

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De acordo com os trabalhadores, a empresa costumava atrasar os pagamentos e dificilmente pagava nos primeiros dias do mês. Conforme um dos engarregados da obra, Gilmar Souza Marfman, nos últimos dois meses, a empresa não pagou mais e há cerca de 20 dias os funcionários da sede montada para gerenciar os serviços da obra não apareceram mais no local. “A gente vinha aqui na administração, perguntava sobre o salário e eles diziam que estava para ser liberado, que estavam providenciando, e, posteriormente, todos sumiram”, comenta.

Os valores em haver por parte dos funcionários variam entre R$ 2 mil e R$ 6 mil. São aproximadamente 100 trabalhadores que atuam na obra. Eles vêm de diferentes regiões do país, e, inclusive, de outros países, como o Haiti. Trabalhadores de origem indígena também atuavam no local. “Estou aqui a noventa dias, recebi até agora R$ 670 e o alimento”, conta Neuton de Oliveira, que é de origem indígena e precisa mandar dinheiro para os quatro filhos e a esposa que vivem em Joinville.

Segundo relato dos trabalhadores, o aluguel da casa onde eles estavam alojados não foi pago, ou seja, os trabalhadores não possuem onde ficar, o que os levou a invadir a sede administrativa da empresa. Um incêndio ocorrido no local, nesta manhã, por volta das 5 horas, chamou a atenção para o caso. “Um senhor que trabalha conosco consumiu bebida alcoólica e ao dormir com um cigarro acesso acabou provocando o incêndio”, explica Marfman.

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O Corpo de Bombeiros de Criciúma atendeu a ocorrência e controlou o incêndio. A Polícia Militar também foi acionada e faz a segurança do local. Um inquérito será instaurado para investigar as causas do incêndio. Ainda conforme Marfman, os trabalhadores procuraram auxilio junto ao Ministério do Trabalho, no entanto, não tiveram sucesso. “Chegamos lá e eles mandaram a gente gerar uma senha pela internet. Nós não temos nada para comer quem dirá para ir a algum lugar com internet”, cometa.

Em contato com o Ministério do Trabalho, a reportagem foi informada que os fiscais do órgão atuam no caso, mas não é possível repassar mais informações sobre o assunto. Conforme a Secretaria de Assistência Social de Criciúma, os trabalhadores não buscaram o apoio do município para resolver o caso. Segundo a secretária da Pasta, Solange Barp, uma equipe irá até o local na manhã desta quarta-feira para prestar auxílio ao grupo.

A reportagem também tentou contato com os responsáveis pela sede administrativa da Estre, mas em nenhuma das tentativas obteve sucesso. O projeto da obra foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas (Ipat) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), mas a execução da obra não tem relação direta com a instituição.

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