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Novembro Roxo

Gêmeos nascem prematuros, lutam pela vida, e recebem alta após 82 dias internados

Rael e Antony Levi ficaram 60 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

Por Jessica Rosso Crepaldi

5 min de leitura

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Foto: Jessica Rosso

Em um ano atípico, cheio de dificuldades por conta da pandemia da Covid-19, em que muitas pessoas buscam refletir sobre a vida, dois bebês nascem prematuros e demonstram uma vontade enorme de viver. Há poucos dias, os recém-nascidos, os irmãos gêmeos (não idênticos) Rael e Antony Levi receberam alta do hospital Unimed de Criciúma.

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Os pequenos ficaram 82 dias hospitalizados, sendo 60 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e os últimos 22 dias no quarto. Eles são os primeiros gêmeos prematuros extremos da UTI Neonatal do hospital onde nasceram. "Talvez o primeiro grande desafio da nossa equipe", disse a médica pediatra e plantonista, Eloisa de Luca Casagrande. Ela contou que os bebês iniciaram sua longa jornada, sempre sendo muito fortes e guerreiros, sendo que passaram por muitas situações delicadas e angustiantes, como a grande maioria dos prematuros.

"O problema principal dos dois foi o respiratório, onde logo no início precisaram de aparelhos para auxiliar na respiração. Também apresentaram certa dificuldade em iniciar a alimentação pelo trato gastrointestinal, primeiro por sonda e depois quando foram para o quarto pela boca", contou.

Foto: Dr Eloisa e os gêmeos Rael e Antony Levi

Os gêmeos ainda precisaram usar antibióticos fortes para tratamento de infecções, transfusões sanguíneas e muitos outros procedimentos invasivos. "Mas eles resistiram, sem sequelas neurológicas, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado, aceitando a dieta via oral e ganhando peso", explicou a médica.

O pequeno Antony Levi foi quem mais sofreu (foto ao lado: como ele está depois de receber alta). Ele nasceu com 896 gramas, teve hemorragia cerebral, duas infecções generalizadas, foi entubado, e ficou dez dias sem comer. A mãe Kátia Zeferino, de 40 anos de idade, temia que ele não sobrevivesse.

O irmão gêmeo Rael nasceu com 1kg e 26 gramas, teve duas pneumonias, foi entubado duas vezes e teve uma parada cardíaca. Para a mãe e a avó Lurdete Brolessi Ariati a vitória foi uma benção de Deus. "Se não fosse pela equipe ele teria morrido", contou a mãe que viveu dias angustiantes. "Nenhuma mãe se prepara para passar por isso, é um luto momentâneo que vivemos, não tive tempo de abraçar, de beijar, acalentar. Eles chegaram antes do tempo, e eu sabia que viriam antes, mas não com 28 semanas", relembrou ela que também é mãe da Rafaela Zeferino de 21 anos de idade.

Kátia falou como o parto aconteceu. "Eu estava em casa, deitada no quarto, eram 3 horas da madrugada, quando rompeu a bolsa. Quatro dias antes eu tinha arrumado a bolsa dos bebês. Eu fiquei no hospital três dias, porque somente a bolsa do Rael tinha estourado e eu precisava esperar que a do Antony estourasse", relatou e afirmou que não sabe o que ocasionou a prematuridade. Ela lembra como o marido Eduardo Ariati ficou preocupado com a chegada dos bebês tão cedo. O casal e os filhos moram atualmente em Siderópolis.

Passado os três dias, vieram as contrações. "Eu tive um sonho. Até então eu daria o nome de Antony para o filho que eu ainda aguardava que estivesse pronto para nascer, e foi então que eu sonhei com Antony 'Levi'. Quando acordei vieram as contrações, e a médica decidiu que tinha que tirá-los por conta da infecção", disse.

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E os detalhes dessa história não param por aí. Kátia descobriu que estava grávida três meses antes da data em que faria uma histerectomia para a retirada do útero por questões de saúde. "Eu tinha dor forte por causa da adenomiose. Me falavam que eu nunca engravidaria. Falavam que as minhas trompas eram obstruídas", contou. Hoje ela conta como foi difícil pegar os bebês pela primeira vez no colo, já que passou muito tempo tendo medo de perdê-los. Contou com a ajuda das psicólogas Vânia Gusmão e Denise Aguiar para se manter forte.

Agora, já em casa a mãe dos gêmeos contratou as técnicas em enfermagem do berçário Kamila Batista e Juliana Benedet para ajudar no período da noite. Kátia contou que agora pensa em ajudar outras mães. "Mãe de gêmeos tem muitas dificuldades". Para isso vai utilizar seu instagram sendo_mae_aosquarenta. Na próxima quinta-feira, dia 5, os gêmeos completam três meses de vida. Foto acima: Rael

Prematuridade

São considerados prematuros bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação e, em alguns casos, com menos de 2kg. A grande questão é que os órgãos desses bebês ainda não completaram o pleno desenvolvimento, o que muitas vezes ocasiona problemas respiratórios, cardíacos, intestinais e até cerebrais.

Novembro é considerado o mês de conscientização sobre a prematuridade

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a prematuridade - nascimento antes de 37 semanas de gestação - é a primeira causa de mortalidade infantil em todo o mundo. Segundo dados da UNICEF e do Ministério da Saúde, até o ano de 2009, o Brasil estava na 10ª posição entre os países onde mais nascem crianças prematuras, contabilizando aproximadamente 300 mil nascidos prematuros todos os anos.

São considerados fatores de risco:

  • Uso de cigarros, drogas e álcool. Essas substâncias podem provocar descolamento da placenta e diminuição da oxigenação do seu bebê, dificultando o crescimento;

  • Hipertensão: é um dos maiores fatores de risco;

  • Estresse: pode desencadear contrações uterinas antes do tempo;

  • Desidratação: a falta de água pode contribuir para redução do líquido amniótico e antecipar o parto;

  • Desnutrição: anemia e falta de nutrientes podem prejudicar o desenvolvimento do bebê;

  • Abuso de açúcar, cuidado com a diabete gestacional.

Com informações do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

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