Sul de SC
Greve dos ceramistas está suspensa até terça-feira
Ceramistas voltaram ao trabalho na Angelgres e não chegaram a paralisar na Elizabeth
Por Redação Engeplus
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Matéria atualizada às 17h43 para acréscimo de nota oficial emitia pelo Sindiceram
Para evitar que a produção fique parada por muito tempo, algumas empresas do setor ceramista estão chamando o sindicato dos trabalhadores para negociações diretas, como forma de evitar paralisações em razão da greve. A Angelgres foi uma destas empresas. A direção da empresa apresentou proposta para o sindicato dos trabalhadores e os ceramistas voltaram ao trabalho às 5 horas deste domingo.
Na proposta, a Angelgres ofereceu: reajuste salarial de 6,5% para salários de até R$ 6 mil e acima deste valor, repasse da inflação do período 5,45%; reajuste no mesmo índice (6,5%) para o abono de férias que continua sendo exclusivo dos associados, sendo que em 2020 o abono foi de R$ 1.220,00; renovadas todas as demais cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho de 2020; manter até junho a jornada 12x36 implantada recentemente pela empresa, negociando alterações como alimentação complementar, revisão da remuneração de feriados e de adicional noturno.
A Cerâmica Elizabeth, outra empresa do sul catarinense que teve movimentação dos grevistas, também apresentou proposta, nos mesmos termos da Angelgres. Entretanto, a Elizabeth solicitou prazo até teça-feira para definir o índice de ganho real dos salários, garantindo antecipadamente o repasse da inflação medida pelo INPC (5,45%).
Com isso, a proposta da Elizabeth será apresentada aos trabalhadores para votação na troca de turno de terça-feira, às 21 horas. A greve também está suspensa na fábrica.
A diretoria do sindicato dos trabalhadores volta a se reunir na tarde de terça-feira para deliberar sobre novos encaminhamentos do movimento grevista.
Durante a tarde deste domingo, o Sindicato dos Ceramistas emitiu uma nota de esclarecimento sobre os últimos desdobramentos das negociações. Confira na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Os dirigentes do SINDICATO DOS CERAMISTAS levam informações equivocadas e enganosas e ainda omitem dos trabalhadores e à sociedade sobre a terceira proposta a eles apresentada pelas empresas na reunião realizada na manhã de 20/fev/21. Proposta por eles lida e fotografada, mas que maliciosamente insistiram em não protocolar o recebimento para sustentar suas inverdades e ainda não submetê-la à apreciação da Assembleia Geral dos Trabalhadores que deveria ser realizada para este fim. Nesta terceira proposta as empresas avançaram muito e propuseram:
• Reajuste de 5,45% nos salários até R$ 5.700,00. Acima disto o valor fixo de R$ 310,00 e livre negociação; • Adicional Noturno de 30% para todos os trabalhadores;
• Adicional de Horas Extras de 100% a partir da 44ª HE mensal, em feriados e domingos a todos os trabalhadores;
• Autorização para possibilitar uso de escalas 4x3 e 3x4 na jornada 12x36 a fim de possibilitar que o trabalhador tenha mais folgas aos finais de semana (no mínimo 2 vezes por mês folgando aos sábados e domingos juntos).
• Abono de Férias de R$ 1.220,00 para TODOS os funcionários, que é pago pelas empresas e não mais apenas para parte dos trabalhadores que são sócios do sindicato laboral.
• Manter os demais benefícios e direitos nas condições da Convenção Coletiva anterior.
O impasse nas negociações reside na questão do Abono de Férias, desde o início das negociações e acentuado a partir da 2ª reunião em janeiro/21.
A insistência das empresas, já há anos, na mudança da cláusula do Abono de Férias é para eliminar a discriminação do pagamento a apenas um grupo de funcionários, os que são filiados ao sindicato. Isto desrespeita preceitos da OIT – Organização Internacional do Trabalho – Convenção nº 98, que caracteriza este fato como financiamento sindical indireto, além do que não estabelece a vantagem para TODOS os trabalhadores.
Lamentamos que através de informações distorcidas e da omissão à verdade, e com a participação de força intimidatória de outras entidades sindicais laborais da região, os dirigentes do Sindicato dos Ceramistas consigam induzir os seus associados a equívocos e ainda paralisar as atividades em algumas das unidades fabris e com isso forçar empresários a “acordos” individuais.
A proposta patronal continua mantida para todos os trabalhadores das empresas abrangidas pela negociação conduzida pelo Sindiceram, o que alcança mais de 80% de todos os ceramistas da região, esperamos que o Sindicato dos Trabalhadores, de forma democrática e idônea, apresente esta proposta para deliberação de todos trabalhadores, atentando às medidas sanitárias, de distanciamento, de saúde e segurança, diante da pandemia da Covid-19.
Diante de todo este impasse provocado pelo Sindicato dos Trabalhadores, o SINDICERAM continua confiante na ação da Justiça do Trabalho e nas instituições de preservação da ordem pública, e especialmente na compreensão da verdade pelos nossos trabalhadores, para que se reestabeleça a normalidade do trabalho. Criciúma, 21 de fevereiro de 2021.
Otmar Josef Müller
Presidente SINDICERAM
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