Caminhoneiros
Greve é descartada no Sul; liderança da categoria explica decisão: 'se parar, derruba o Brasil'
Pandemia é o principal motivador da não adesão ao movimento grevista
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A greve dos caminhoneiros está descartada no Sul de Santa Catarina. Esta é a informação repassada ao Portal Engeplus pelo caminhoneiro Jair Ferraz, uma das principais lideranças da categoria na região. Entre as demandas, os caminhoneiros contestam a alta no preço do óleo diesel e reivindicam a revisão no reajuste na Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Apesar de reconhecer os problemas enfrentados pela categoria, Ferraz explica que a decisão de não participar do movimento acontece, sobretudo, pelo momento de crise vivida no país em função da pandemia do novo coronavírus. Uma greve geral, como a de 2018, agravaria ainda mais a crise econômica e sanitária.
Em 2018, foram cerca de dez pontos de protestos no trecho Sul da BR-101. (Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus)

“Está tudo quieto, aqui ninguém vai aderir. Já está descartada essa possibilidade de fazer greve aqui. O pessoal não quer parar por causa da pandemia. Querem ter o respeito com o povo que precisa da pista para socorro imediato e transporte de insumos. Os caminhoneiros, em si, de modo geral, não querem a greve”, pondera.

A decisão no Sul catarinense também é influenciada pela não adesão da categoria em Três Cachoeiras (RS), local considerado um dos principais polos do país. Lá, os motoristas se reuniram e votaram pela não paralisação. No geral, também houve pouca adesão no restante dos estados.
“Três Cachoeiras também não vai aderir. 99% da categoria não aderiu. Tem alguns pontos de parada, mas a princípio está normal em São Paulo, Rio de Janeiro, no Nordeste, Goiás... há alguns pontos, mas não vai fazer efeito”, explica.
Neste momento, a categoria vê as pessoas que estão sofrendo com a pandemia, as famílias que perderam parente ou que tem familiares no hospital e precisam de gasolina e oxigênio. Se realmente parar, com a crise e a pandemia que estamos vivendo, aí derrubamos o Brasil. Não queremos isso. A categoria ama o Brasil, ama a pátria, somos patriotas e pensamos pelo bem do país. Jamais queremos prejudicar ou trazer danos para o Brasil.
Jair Ferraz, caminhoneiro e uma das principais lideranças da categoria na região
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Esperar para ver
A troca nas presidências do Senado e da Câmara dos Deputados, após votação nessa segunda-feira, dia 1º, também é um ponto levado em conta pelos caminhoneiros que não aderiram à greve. Os motoristas acreditam que terão maior atenção com Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado, uma vez que ambos foram apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro.
“O frete não está sendo respeitado, tem a questão dos pedágios e do óleo diesel. Se o motorista sobe para o Nordeste por R$ 10 mil, querem pagar R$ 5 mil para voltar, mas o gasto é o mesmo. Tem consumo, pedágio, óleo diesel, é doloroso. Se a tabela fosse cumprida… o Senado está sendo mudado agora, a Câmara também e ficamos na expectativa de uma grande mudança”, pondera.
Ainda conforme Ferraz, não há pontos de protesto no Sul e não há conhecimento de alguma paralisação da categoria no estado catarinense.



