Manifestação
Grupo contra o racismo protesta em Criciúma
Ato aconteceu na manhã deste domingo, na área Central da cidade
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A manhã deste domingo, dia 7, foi de novos protestos em Criciúma. Desta vez, mais de 100 manifestantes participaram de um ato antifascista que iniciou com uma passeata no pátio da rodoviária, percorreu as avenidas Centenário e Rui Barbosa até chegar na Praça Nereu Ramos onde teve uma roda de conversa.
A principal bandeira defendida foi o repúdio ao racismo, mesma motivação de protestos em diversos países, inclusive em outras cidades brasileiras neste domingo. “Há muito tempo estamos passando por algumas angústias. Ficamos calados, quietos por um tempo, devido a pandemia e ao distanciamento social, mas chegou a hora de nos manifestar. Nossa voz precisa ser ouvida, precisamos falar, gritar e deixar claro que vidas negras importam, as pessoas importam e só resistindo conseguimos estar aqui”, justificou Douglas Santana, 20 anos, acadêmico de geografia e presidente do Centro Acadêmico (CA) do curso na Unesc.
Neste movimento de união, precisamos abordar várias outras pautas e fazer conexão entre as coisas. Não existe luta individual para a causa coletiva. Só continuamos existindo porque resistimos.
Douglas Santana, 20 anos de idade, acadêmico do curso de geografia da Unesc
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O ato foi marcado previamente nas redes sociais e não está atrelado a lideranças políticas ou aos movimentos sindicais. Projetado de forma orgânica, também serviu para arrecadar alimentos e produtos de higiene que serão destinados para famílias carentes afetadas pela pandemia do novo coronavírus.
Para Alex Rosa, a manifestação local serve para demonstrar que o racismo é um problema estrutural e não apenas vivido nos grandes centros. Tornar pública esta luta em Criciúma é uma forma de conscientizar e alertar a população. “O racismo é estrutural e não se aplica a um local específico e sim a todos. Nosso movimento não é sindical, é coletivo é muito orgânico. Não existe centralidade, hierarquia, nos organizamos de forma espontânea”, explicou.
Douglas Santana liderou a passeata em repúdio ao racismo. (foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

Contra o governo
As faixas e cartazes utilizados no protesto também demonstraram a insatisfação com atitudes e reações do presidente Jair Bolsonaro. Em um cartaz em formato de caixão, o seguinte questionamento em alusão a uma recente fala de Bolsonaro: “Mais de 30 mil mortes. E daí?”. Outro cartaz dizia “fora Bolsonaro e fora Mourão”.
Para o acadêmico Luiz Antônio Rosso Morona, 21 anos, a crítica também é regionalizada. Ele questiona, inclusive, as medidas de isolamento adotadas na cidade. “Criciúma é uma cidade cheia de contradições. Existe uma população negra muito unida a favor da luta contra o racismo, porém aqui temos diversos casos de LGBTfobia e machismo. Em nossa cidade os políticos atacam cada vez mais a classe trabalhadora, não fizeram uma política de quarentena, possibilitaram que diversas fábricas continuassem trabalhando”, declarou.
O protesto teve a cooperação da Polícia Militar (PM), que realizou a coordenação do trânsito para que a passeata fosse realizada com segurança durante os cerca de três quilômetros de extensão.
Confira abaixo a galeria de fotos do ato realizado na manhã deste domingo:



